"Gosto do assédio", diz Ricardo Tozzi, ator de 'Insensato'
- Paulo Ricardo Moreira
Ricardo Tozzi ainda se surpreende com o sucesso de Douglas, uma versão masculina e morena da loura burra, em Insensato Coração. "Como é que um cara que fala coisas tão absurdas, erradas e esdrúxulas pode cair no gosto popular?", pergunta. A dificuldade de entendimento e de pronunciar palavras mais complicadas só fez aumentar a popularidade do personagem. Além do jeito chucro de ser, o par romântico de Bibi (Maria Clara Gueiros) conquistou a mulherada com outro atributo: o corpão bem definido.
"Existe uma diferença entre ser bobo e ser idiota. E Douglas é inocente, tem olhos de criança, vibra e chora com a mesma intensidade. Ao mesmo tempo em que ele tem um lado ingênuo, existe esse apelo forte com as mulheres, uma preocupação excessiva com o corpo", diz o ator, que surge sem camisa em várias cenas e apareceu nu nos primeiros capítulos. "O mais engraçado são as pessoas que acham que sou burro mesmo. Dizem: 'Nossa, você é inteligente, não acredito'", diverte-se.
Para Ricardo, mais importante do que ser sarado e exibir os músculos é ter saúde. "Todo mundo quer estar bem na fita, mas hoje as pessoas estão exagerando com a preocupação estética. O que faz a pessoa ser atraente não é apenas o corpo. É claro que ele conta muito, porque é a primeira coisa que a gente vê. Para mim, o que vale mais é a autenticidade, a índole, o caráter", afirma o galã, mais preocupado em ser respeitado pelo 'conteúdo interior', como costuma dizer Douglas.
A genética foi favorável, já que o ator tem 1,81m, pesa 78kg e não tem facilidade para engordar. No entanto, ele não se descuida, até porque precisa ostentar o tanquinho de Douglas até o fim da novela. Para isso, faz dieta, malha na academia quatro vezes por semana, anda de bicicleta, pratica tênis e corre meia hora no condomínio onde mora, na Barra, Zona Oeste do Rio. "Sou um ser esportista, meu corpo é fruto de tudo o que já fiz. Tenho mais prazer em jogar tênis do que fazer musculação. Não tenho a preocupação de malhar para secar", conta ele, que machucou o joelho direito jogando futebol e abandonou as peladas.
Acredite: Ricardo já foi mais vaidoso. Hoje, garante que baixou a bola e que usa a sua vaidade em favor do trabalho: "Faria tudo por um personagem, até engordar".
Aos 35 anos, nascido em Campinas, o ator é formado em Economia. Trocou uma bem-sucedida carreira de executivo na área de marketing pela vida artística. Em sua quarta novela - estreou em 'Bang Bang' (2005) -, ele diz que o sucesso não mudou sua rotina. "É bom saber que as pessoas estão gostando. O Douglas está na trama para entreter, divertir. É uma sensação de vitória", comemora.
O assédio é levado na esportiva. O ator já foi atacado no aeroporto de São Paulo por uma fã que levantou sua camisa para conferir "se era aquilo tudo mesmo". "Isso não me incomoda. Algumas são mais ousadas", diverte-se ele, que também foi eleito muso gay. "Gosto do assédio. Ficaria triste se não houvesse esse reconhecimento. Quem diz que não gosta me desculpe, mas faço o trabalho para o povo", completa.
Ricardo está solteiro há pelo menos oito meses. Mas garante que não tem feito nada em relação a isso, apesar de querer encontrar a mulher certa e construir uma família. "Saio e me divirto normalmente. Estou aberto a uma relação, mas não corro atrás. É claro que a gente fica mais bonito quando está no ar. Mas a mulher com quem pode rolar um interesse não vai ser uma tiete. Não vou à balada para achar mulher", assegura o ator, que já foi namorado de Daniele Suzuki, com quem trabalhou em duas novelas.
Se na trama é tratado por Bibi como "um pedaço de carne", como diz Douglas, o ator afirma que nunca se sentiu como um homem-objeto numa relação. "Nunca achei que fui só valorizado por isso. Não acho que meu principal atrativo seja o corpo. Tem o meu alto-astral e a vontade de estar junto", enumera.
Uma máquina sexual por contrato
Douglas vai conseguir levar Bibi (Maria Clara Gueiros) para o altar no fim de Insensato Coração. Mas o fortão não vai ter moleza, não. A socialite vai obrigá-lo a assinar um contrato pré-nupcial, exigindo que ele transe no mínimo cinco vezes na semana. O irmão de Natalie (Deborah Secco) não só topa o compromisso como manda que o advogado ponha sete vezes por semana, porque ele se garante.
Para Ricardo Tozzi, nem seria necessário um documento para estipular a frequência sexual do casal. "Acho inusitado. Eles formam um casal tão improvável que a história é a pura vitória do amor. Tinha que acontecer. Douglas queria dar o golpe do baú e ela, apenas se divertir. Mas sexo não é problema para eles", avalia o ator, que elogia sua parceira de cena: "Parte do sucesso se deve ao núcleo do personagem".
Mas será que o ator aceitaria um contrato nesses moldes? Ele garante que não. "Sexo tem que ser uma coisa espontânea, natural, fruto do amor. Não dá para fazer com obrigação", diz.