Estrela de 'A Teia', João Miguel fala sobre série cinematográfica da Globo
A imagem de João Miguel está diretamente ligada ao cinema. E foi por seu profundo e frutífero envolvimento com a sétima arte, em filmes como Estômago e Xingu, que ele chamou a atenção de diretores e produtores de elenco da tevê. Após algumas participações e papéis de destaque no vídeo, como na microssérie O Canto da Sereia, ele não esconde a ansiedade em protagonizar A Teia, nova investida da Globo no "filão" de seriados policiais – três anos depois do fim da ótima Força-Tarefa –, que tem previsão de estreia para 2014. "É um projeto ambicioso, com uma 'pegada' de cinema que me interessou bastante. Sei que foram meus trabalhos nos filmes que me deram acesso à televisão. Um novo mercado se abriu para mim e eu quero aproveitar isso", assume.
Na pele de Macedo, delegado da Polícia Federal que centraliza toda a ação do roteiro, feito a quatro maõs por Carolina Kotscho e Bráulio Mantovani, João revela que teve de "suar a camisa" para dar conta dos dez episódios da produção. Retrato da rotina de um policial incorruptível, as gravações da série, feitas entre os meses de janeiro e julho deste ano, foram marcadas por sequências de difícil realização e locações em diferentes cidades do país, como Brasília, Cuiabá, Rio de Janeiro, Fortaleza e Curitiba. Tudo sob a direção de Rogério Gomes e Pedro Vasconcellos. "Gravamos muito de madrugada, fechamos aeroportos para fazer as cenas, tem muita perseguição, tiros e dramas pesados. É uma série feita com tempo e cercada de cuidados. Parecia que estava fazendo vários filmes, pois é assim que cada episódio foi concebido", conta.
Contratado por obra na Globo e comprometido com A Teia desde o final do ano passado, o ator baiano – nascido em Salvador – atenta para o estreitamento da relação entre a estética e o esquema de trabalho da tevê e do cinema. Característica visível nas últimas produções televisivas nas quais ele marcou presença, como Cordel Encantado, novela de 2011, e O Canto da Sereia, exibida no início de 2013. "Sempre me diziam que na tevê era tudo rápido e instantâneo. Mas acho que alguns diretores estão privilegiando um aspecto mais artesanal. Tive tempo de estudar os personagens e gravações cheias de atenção aos detalhes", explica. Antes desses trabalhos, João pôde ser visto, ou quase, em pequenas "pontas" em produções como Carandiru, Outras Histórias e Ó Paí, Ó. "Até tinha alguns outros convites para a tevê, mas meu foco nos filmes me levava a ter de escolher", admite.
Ator desde que se entende por gente, João teve sua primeira experiência com a interpretação aos nove anos de idade, em um programa de tevê local de Salvador. Pouco tempo depois, se apaixonou pelas artes circenses e fez sua estreia no teatro amador. Disposto a encarar seus "leões", aos 17 anos, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde estudou no famoso curso livre da CAL, Casa de Artes de Laranjeiras. Lá, aperfeiçoou suas técnicas e conheceu o trabalho experimental do grupo de teatro de rua Piollin, comandado pelo ator e diretor Luiz Carlos Vasconcellos. "Esse contato mudou e fortaleceu ainda mais minha atuação. Sempre tive um gosto pela arte em sua essência. E foi exatamente isso que vi ao me apresentar nas ruas, nos lugares mais diversos, para quem quisesse ver", lembra. A partir daí, mergulhou em projetos teatrais de alto teor conceitual, foi descoberto pelo cinema e, agora, mostra-se mais à vontade na tevê. "Minha ideia é achar um equilíbrio e fazer escolhas inteligentes para construir uma carreira coerente nessas três vertentes", ressalta.