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Emissoras se esforçam para reproduzir cenários com perfeição

11 mar 2012 - 13h08
(atualizado às 13h10)
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Mariana Trigo

Extensas pesquisas em antiquários, feiras de antiguidade, bibliotecas e longas horas esmiuçando sites de compra de objetos vintage ou seculares faz parte do dia a dia dos cenógrafos, produtores de arte e até figurinistas destinados a reproduzir histórias de tempos atrás. A cada novela ou minissérie de época que começa a ser pré-produzida, uma grande equipe é convocada para garimpar utensílios, mobiliários e vestimentas de épocas passadas. Tudo para trazer o máximo de verossimilhança na retratação dos cenários, cidades cenográficas e toda a ambientação das produções históricas, como A Muralha, da Globo, que comemorou os 500 anos do descobrimento do Brasil, em 2000.

No entanto, nem sempre se encontra em livros ou antiquários objetos que normalmente estão em museus. Por isso, por diversas vezes, para reproduzir épocas muito longínquas, é necessário criar réplicas ou mesmo inventar artefatos que possivelmente eram usados séculos atrás. É o caso, por exemplo, de produções que se passam centenas de anos antes de Cristo, como a minissérie Rei Davi, da Record. "Sabemos que não vamos encontrar nada pronto dessa época para vender. Temos de reproduzir cada objeto. Para isso, interpretamos artisticamente o que o povo da época sabia fazer com madeira ou como trabalhavam as pedras, por exemplo", explica o diretor de cenografia da Record, Daniel Clabunde.

Assim como na minissérie Sansão e Dalila, que também se passava muitos anos antes de Cristo, cada detalhe precisa ser pensado de acordo com os costumes do período histórico retratado. Para Alexandre Farias, diretor de arte da Record, até o tipo de cor utilizado têm de ser escolhido com cautela. Afinal, os pigmentos dessa época, assim como no período em que se passa Rei Davi, eram extraídos da natureza. "Os hebreus eram ótimos agricultores e faziam pigmentos. O verde, por exemplo, vinha do hortelã, da carqueja. O roxo, da beterraba, do figo e da uva", exemplifica Alexandre.

Cada um desses detalhes faz diferença quando se analisa o resultado estético e a veracidade das locações e dos detalhes de arte das histórias. No entanto, as "artes" nas produções de teledramaturgia também precisam "dialogar". Sendo assim, normalmente todo o trabalho de cenografia e produção de arte também precisa ser compatível com o que está sendo pensado e produzido pela equipe de figurino. Para a figurinista Beth Filipecki, que assinou a rebuscada indumentária da minissérie Capitu, na Globo, o cenário e o figurino se completavam na produção. O mesmo tipo de pesquisa foi utilizada nas minisséries A Pedra do Reino e Hoje É Dia de Maria, todas de Luiz Fernando Carvalho. "A ruína estava no cenário e o figurino trazia a beleza. Esse casamento era fundamental. Tudo tem de ser pensado em conjunto", assegura Beth, que dá aula de indumentária dos Séculos XVIII, XIX e XX há 25 anos. "Gosto de trabalhos que me estimulem a pensar, nos quais o tratamento artístico desabrocha", ressalta.

Compor cenografia e produção de arte de décadas mais recentes, no entanto, tem a vantagem de se encontrar objetos com maior facilidade, principalmente com a valorização do estilo retrô. Para O Profeta, de Walcyr Carrasco, que se passava na década de 50, os cenógrafos Zé Cláudio Ferreira e Eliane Heringuer assistiram a diversos filmes da época, utilizaram vários livros como referência e, por indicação do autor, ainda fotografaram várias construções da época em São Paulo. "Nosso cuidado é para não fazer um documentário, mas transportar as pessoas para a época proposta. Queremos que elas lembrem da casa da avó com os objetos e cenários", destaca Zé Cláudio.

Em grande escala

Uma das produções mais inovadoras na Globo em cenografia de época foi a minissérie JK. Em um espaço de 40 metros de largura por 80 metros de comprimento, o diretor de cenografia Mário Monteiro decidiu reproduzir a cidade de Brasília em construção em uma proporção 20 vezes menor no maior projeto de maquete já construído pela Globo. Ou seja, o prédio do Congresso Nacional, que tem 80 metros de comprimento, foi construído em forma de maquete, com 6 metros. "Dessa forma, pudemos mostrar todas as etapas da construção da capital. À medida em que construíamos, ia sendo gravado", lembra.

Outro grandioso projeto cenográfico da emissora foi na minissérie Amazônia - De Galvez a Chico Mendes. Para a trama de Glória Perez, Mário Monteiro ergueu cinco cidades cenográficas em uma área de 5.500 m² no Projac. As cidades contavam, no decorrer dos capítulos, e com suas transformações, 100 anos de desenvolvimento do Norte do Brasil. "Visitamos abrigos no Acre, recriamos o mobiliário da época e usamos muita madeira maçaranduba nas construções do seringal", detalha a cenógrafa Juliana Carneiro.

Instantâneas

# Na minissérie Queridos Amigos, uma das referências para a equipe de cenografia e produção de arte da trama eram os almanaques da época. Além disso, quase todos os personagens da história de Maria Adelaide Amaral eram cercados por livros. A quitinete de Pedro, personagem de Bruno Garcia, era ocupada por 30 m² de livros. A maioria era de títulos emblemáticos do final da década de 80

# A novela Desejo Proibido, que se passava nos anos 30, era ambientada na fictícia e interiorana cidade Passaperto. Por isso, a decoração das festas era bem artesanal, com flores de papel crepom e detalhes rústicos e simples

# Para retratar o final da década de 50 em Ciranda de Pedra, vários móveis da época foram reproduzidos pela equipe da cenógrafa May Martins porque muitos tinham frágeis "pé palito". Outros foram comprados em brechós

# Ainda em Ciranda de Pedra, a produção de arte da trama alugou diversos carros que remetiam ao glamour e à modernidade do final dos Anos Dourados, como um Jaguar XK 120

# A próxima produção de época da Globo é Lado a Lado, de João Ximenez Braga, que é ambientada no início do Século XX

# A cenografia de Amor e Revolução, do SBT, teve de recriar o período cinzento da ditadura em cenários que remetessem aos anos de 1964 a 1971

Cenários e produção de arte das tramas de época exigem habilidade e dedicação
Cenários e produção de arte das tramas de época exigem habilidade e dedicação
Foto: Afonso Carlos/Carta Z Notícias / TV Press
Fonte: Terra
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