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Em entrevista, Humberto Martins diz que já é um "senhor"

30 ago 2009 - 10h09
(atualizado às 10h10)
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Gabriela Germano
Direto do Rio de Janeiro

Humberto Martins só é rude na aparência: é a simpatia em pessoa. "Tenho candura de coração", diz ele, para aqueles que o veem como um cara bronco. Até por isso, fica surpreso quando ouve fãs elogiando seu personagem Ramiro Cadore, que se transformou em sonho de consumo em Caminho das Índias. "Ele é um predador, não pode ser visto como herói", enfatiza. O ator também não foge de nenhuma pergunta. Fala do período em que era conhecido como o descamisado das novelas de Carlos Lombardi, conta que nunca se envolveu com uma colega e revela que casamento, para ele, só em casas separadas.

O Dia - A autora Gloria Perez postou no blog dela que muitas fãs o veem como o herói de Caminho das Índias. De vilão, Ramiro pode se transformar em ídolo?
Humberto Martins - Ramiro não pode ser visto como herói porque é um empresário voraz, tem uma ambição desmedida, deixa a desejar como pai, é egoísta. Isso não é nada saudável. E dentro do pensamento machista dele, sua válvula de escape é se relacionar com outras mulheres.

OD - Mas essas mesmas fãs que Gloria cita, apontam Ramiro como exemplo de homem, por aguentar uma mulher maluca, ter um filho doente...
HM - Acho que as mulheres veem Ramiro como fetiche. É um homem másculo, poderoso. Acham até que as traições dele são justificáveis, porque falam para mim nas ruas: "Como é que você aguenta aquela mulher?", referindo-se a Melissa (Christiane Torloni).

OD - Essa reação o assusta?
HM - Me assusta a aceitação das pessoas em relação à traição. Não sou correto em tudo, não sou santo, todo mundo tem escorregadas na vida e eu tenho as minhas. Mas procuro sempre me policiar, não me deixar levar por todas as seduções do mundo. Hoje as coisas estão muito confusas, é muito oba-oba, os jovens têm padrões muito soltos. Na minha época era diferente e por isso eu acho que sou um cara mais incisivo. É preciso ter juízo próprio, saber o que é certo e o que é errado.

OD - Você acha que é por esse seu jeito de ser que faz sempre personagens duros, brutos e até broncos?
HM - Pode ser. Tenho essse perfil de cara com voz mais grave, sou mais corpulento e a TV se utiliza disso. Como ator, estou aberto a qualquer tipo de personagem. Posso fazer um travesti ou até afinar a voz e fazer um gay se você quiser (Humberto afina a voz e fala de maneira afeminada, brincando), mas a TV não quer arriscar.

OD - As pessoas confundem ator com personagem e o enxergam como um cara bronco? Você é bastante sério, sorri pouco...
HM - Não sou sério, não. Sou brincalhão também. Pode perguntar para a Ana Furtado e para a Rosane Gofman que elas vão confirmar o quanto a gente ri nas gravações. Eu tenho candura de coração. Quero um mundo, uma vida melhor, sem preconceitos ou retaliações. O ser humano hoje não sabe conviver com o vizinho. Qualquer relação com pai, filho, mulher, namorado tem que ser cordial. É a melhor maneira de viver.

OD - O fato de você fazer sempre personagens com esse perfil mais duro traz alguma frustração?
HM - De maneira nenhuma. Sou muito bem-sucedido na minha carreira. Tenho personagens maravilhosos na minha trajetória e Ramiro já é um dos mais importantes.

OD - Por um longo tempo você ficou conhecido como o descamisado das novelas de Carlos Lombardi...
HM - Era uma época de culto ao corpo e a arte imita a vida. Era explosão de testosterona na tela. Fui prejudicado e beneficiado por essa fase. Por expor meu corpo, minha consistência dramatúrgica foi apagada. Mais pelos profissionais do que pelo público, que fique claro. Nesse período, até Antonio Fagundes me encontrou um dia e disse: "Nossa, nem te reconheci, você está com camisa". Achei extremamente indelicado. Eu jamais faria isso com um colega. Eu não costumo criticar ninguém porque sei o quanto é difícil fazer TV. Mas em relação ao público, essa época foi importante por todo o carisma que conquistei.

OD - As mulheres o assediavam muito. E hoje, como é?
HM - Eu já fui cercado em eventos em que a polícia teve que intervir, porque perderam o controle. Na época de Vira Lata tive que tomar remédios porque cheguei a ter medo de sair de casa. No Nordeste, estava em um camburão que foi virado ao contrário. Fui ficando traumatizado. Mas depois dessa fase mais jovem, as coisas se acalmaram. Hoje é tudo mais delicado até pela minha idade. Tenho 48 anos, sou quase um senhor. Até no Projac já sou o senhor Humberto, antes eu era o Humbertinho ou o Humbertão.

OD - As mulheres com quem foi casado nunca tiveram ciúme?
HM - É minha profissão. Atualmente estou namorando a mãe de minha filha mais nova. Nos separamos e é cada um na sua casa. Nunca cobrei telefone de mulher mas nunca tive isso em troca. É complicado entenderem meu espaço, minha profissão. Você trabalha o dia todo, chega em casa e a mulher te recebe de cara torta por causa de ciúme? Isso não dá. Por isso relacionamento para mim agora é cada um no seu espaço.

OD - Esse ciúme já foi justificável? Já se envolveu com colegas de trabalho?
HM - Nunca e não é difícil evitar isso. Você pode até sentir algo porque tem o toque, o cheiro, a carne. Mas tem que saber que isso é o seu trabalho e não deve ser levado pra fora dali. Eu tenho a minha vida e minha colega tem a dela.

Foto: Pedro Paulo Figueiredo/Carta Z Notícias / TV Press
Fonte: O Dia
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