Em 'A Vida da Gente', atriz comemora papel de destaque
Desde criança, Maria Eduarda ouvia que levava jeito para a carreira artística. "Minha mãe sempre falou que eu deveria ser atriz. Nada ligado a qualquer tipo de talento precoce, mas apenas pela minha personalidade meio dramática", brinca, aos risos. De tanto ouvir as reclamações maternas, a menina tímida, que sempre se achou diferente por ser ruiva, resolveu investir nas Artes Cênicas.
Aos 14 anos entrou no Tablado - famoso curso de Teatro carioca, fundado por Maria Clara Machado - e descobriu o prazer pelos palcos. Depois de muitas peças amadoras, Maria caiu nas graças de uma produtora da Globo, que a chamou para fazer parte do elenco de apoio de Malhação. "Fiquei apenas três meses na emissora e pedi para sair. Tinha 17 anos, uma formação artesanal de teatro e me senti meio sufocada com o esquema industrial da televisão. Depois vi que era tudo bobagem minha", ressalta a intérprete da insegura Nanda, de A Vida da Gente.
Amadurecida e de bem com a TV, aos 28 anos, a atriz comemora a conquista de seu papel de maior destaque em novelas. Na pele da irmã de Rodrigo, de Rafael Cardoso - o mocinho da história - Maria esteve no meio dos principais dramas do folhetim. E nesses quase cinco meses de A Vida da Gente, pôde exibir a evolução de Nanda, uma rebelde sem causa que, lentamente, se transforma em uma adulta sensível e pé no chão.
Próximo do último capítulo, a atriz já começa a sentir falta da rotina de gravações, ao mesmo tempo em que tem a sensação de missão cumprida. "Minha personagem foi retratada dos 22 até os 30 anos. Ela passou a ter uma outra conduta. Deixou a infantilidade de lado, para encarar a vida de frente. Adorei assistir a esse desenvolvimento", confessa a atriz carioca.
O convite para A Vida da Gente surgiu da relação de Maria com o texto da autora, Lícia Manzo. "É muito bom trabalhar com ela. A novela fala da forma como as pessoas encaram as perdas. Os diálogos criados pela Lícia são muito próximos do nosso cotidiano", elogia. As duas se conheceram durante a novela Três Irmãs, de 2008, na qual Lícia era colaboradora e Maria interpretava a romântica Carminha.
Em 2009, a atriz participou do seriado Tudo Novo de Novo, primeiro trabalho autoral de Lícia. Quando surgiu a personagem na atual novela das seis, Maria foi chamada, mas precisou fazer diversos ensaios com o diretor de núcleo da trama, Jayme Monjardim. "O Jayme não conhecia meu trabalho. Então, para ficar mesmo com o papel, tive de passar por uma bateria de testes. Já que era um personagem importante, ele tinha que saber quem iria fazer", disse.
Sem caracterização marcante ou intenso processo de preparação, Maria confiou na sinopse e em sua intuição para construir a personagem. "Não mudei nada, meus cabelos ficaram intactos e fiquei bem contente com isso. Por anos, achei que os produtores de elenco não conseguiriam conceber um ruivo em uma família de louros e morenos", brinca.
Cheia de bom humor, Maria enxerga que, atualmente, a teledramaturgia tem se mostrado mais aberta aos atores de cabelos vermelhos. "A TV está cheia de ruivos. Quer dizer, tem quatro, mas antes não tinha nenhum. Somos eu, Marina Ruy Barbosa, Laila Zaid e Germano Pereira. De repente é uma cota", diverte-se a atriz, que além das gravações dos últimos capítulos da novela, também está comprometida com as apresentações da peça Inbox, no Rio de Janeiro.
Com ares de comédia romântica, o espetáculo conta a história de Clara, uma escritora casada, que se envolver com John, um de seus fãs, interpretado por Gregório Duvivier. "É uma história de amor, mas virtual", resume.