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De volta à Globo, Luciano Quirino festeja negros em papéis da elite e não teme os 60: “Eterno artista”

Ator visto em ‘Êta Mundo Melhor!’ revela construção de personagem cômico e analisa as evoluções e cobranças contra os pretos no audiovisual

18 set 2025 - 16h59
(atualizado às 16h59)
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No ano 2000, a discussão sobre a presença de negros na teledramaturgia era tímida. Não havia cobrança efetiva por maior representatividade.

Por isso, foi relevante ver Luciano Quirino interpretando um médico na novela das 21h ‘Laços de Família’. Quebrava a rotina de ver atores negros como empregados domésticos e em outras profissões consideradas subalternas e coadjuvantes.

Vinte e cinco anos depois, a pauta racial é prioridade na Globo: há uma diretoria exclusiva para aumentar a inclusão nos projetos da emissora. Quirino volta ao canal novamente na pele de um doutor.

Em conversa com a coluna, o artista comenta o personagem, os avanços conquistados pelos pretos na TV e o processo de envelhecimento.

O ator Luciano Quirino já fez mais de 40 trabalhos na TV; entre eles, 'Sob Pressão', 'Carcereiros' e 'Insensato Coração'
O ator Luciano Quirino já fez mais de 40 trabalhos na TV; entre eles, 'Sob Pressão', 'Carcereiros' e 'Insensato Coração'
Foto: Marcio Farias/Divulgação

Como surgiu a oportunidade de entrar em ‘Êta Mundo Melhor’?

Recebi o convite com alegria. A novela já tinha uma grande expectativa, e o personagem apareceu como uma chance de explorar um núcleo cômico, diferente dos últimos trabalhos que fiz. Foi um presente e, ao mesmo tempo, um desafio.

Como fez a construção do Dr. Carneiro? Ele ficará no ar por muitos capítulos?

O Dr. Carneiro nasceu de uma mistura: texto, pesquisa e liberdade de brincar. Sotaque, postura, até a forma de andar. Trabalhei o humor com cuidado para não cair na caricatura, mas, ao mesmo tempo, trazer uma cor viva. Sobre a duração, não sei exatamente, mas tempo suficiente para marcar presença.

Com quase quatro décadas de carreira, o ator transita entre TV, teatro e cinema
Com quase quatro décadas de carreira, o ator transita entre TV, teatro e cinema
Foto: Marcio Farias/Divulgação

Como é participar de um núcleo de humor com Elizabeth Savalla e Ary Fontoura?

É uma festa diária. Savalla e Ary têm uma experiência imensa e um tempo de humor muito preciso. Contracenar com eles é uma escola: você aprende rindo e ri aprendendo. O clima é leve, mas o rigor é enorme, porque humor exige ritmo e escuta.

Em ‘Laços de Família’, você também interpretou um médico, Dr. Laerte. Qual a importância para um ator negro ser escalado para papéis associados à elite branca do país?

É um gesto simbólico e político. Por muito tempo, personagens como médicos, advogados, juízes eram quase exclusivos de atores brancos, como se pessoas negras não ocupassem esses lugares na vida real. Estar nesses papéis significa abrir janelas, quebrar estereótipos e naturalizar a presença negra em espaços de poder.

Quirino com colegas do núcleo de amor de 'Êta Mundo Melhor!", Ary Fontoura, Elizabeth Savalla e Betty Gofman
Quirino com colegas do núcleo de amor de 'Êta Mundo Melhor!", Ary Fontoura, Elizabeth Savalla e Betty Gofman
Foto: Divulgação

Houve melhoria significativa de oportunidades e reconhecimento salarial para atores negros na teledramaturgia?

Houve avanços, sem dúvida. Hoje vemos mais diversidade nas telas e uma preocupação maior com representatividade. Mas a equidade plena ainda não chegou. Salários, oportunidades de protagonismo e espaço nos bastidores continuam desiguais. Ainda precisamos lutar, e muito, para que não seja só representatividade simbólica, mas estrutural.

Em ‘Dona Beja’, com estreia a ser anunciada pela HBO Max, seu personagem é um aristocrata que foi vivido por um ator branco (Jonas Mello) na versão original. Como foi gravar a novela e qual a importância dessa mudança no perfil de personagens para incluir mais atores negros nas produções?

Foi bem significativo. Estamos reescrevendo narrativas. Se no passado personagens de elite eram quase sempre brancos, hoje podemos e devemos mostrar que a história do Brasil foi feita também por negros em diferentes camadas sociais. Gravar ‘Dona Beja’ foi emocionante porque percebi que a mudança de perfil não é só estética, é uma correção histórica e simbólica.

Perto dos 60 anos, Luciano Quirino não teme o envelhecimento e mostra a boa forma graças à vida saudável
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Foto: Reproduções/Instagram

O que pode contar do projeto ‘Por Dentro da Sessão’, no qual interpreta Lima Barreto, escritor negro tão importante e ainda pouco estudado no Brasil?

É um projeto que me enche de orgulho. Lima Barreto é um gigante da literatura brasileira, mas muitas vezes silenciado por causa do racismo. Dar corpo e voz a ele é um ato de justiça. O projeto junta audiovisual, psicanálise e debate, criando um espaço para pensar nossas feridas sociais através da arte. É uma experiência transformadora.

Você completará 60 anos em 2026. O envelhecimento o assusta? Há um peso maior para o homem negro que envelhece?

Não me assusta, me provoca. Sei que existe essa cobrança da juventude eterna, principalmente no audiovisual. Mas acredito que cada idade tem sua potência. Para o homem negro, há um peso maior, sim, porque envelhecemos com marcas de desigualdades que nos atravessam desde cedo. Mas também carrego a maturidade como um troféu: são quase 40 anos de carreira, muita luta e muita história. Não quero ser eterno jovem, quero ser eterno artista.

"Estar vivo é atravessar um território onde se misturam idas e vindas, encontros e desencontros, achados e perdidos", diz o artista
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Foto: Marcio Farias/Divulgação
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