Copa reforça recado que Globo não pode ignorar se quiser sobreviver ao digital
Audiência dos jogos confirma que transmissões ao vivo são o maior trunfo da TV diante do avanço de concorrentes como Cazé
Sob pressão como nunca, a televisão não vai cultivar sua força com as tradicionais novelas ou os reality shows, e sim com outros dois formatos.
O jornalismo e as grandes transmissões esportivas. O poder do ao vivo.
São as coberturas em tempo real de acontecimentos impactantes e torneios populares, como a Copa, que renovam a relevância da TV.
O atual Mundial prova isso com números: a Globo chegou perto de 40 pontos de audiência em algumas partidas da Seleção.
Esse índice é quase o dobro da média das novelas das 21h (a atual, ‘Quem Ama Cuida’, está com 22 pontos).
E não é alcançado pelo reality mais popular do país, o ‘Big Brother Brasil’, desde a sétima edição, em 2007.
No jornalismo da última década, os maiores recordes de público vieram da cobertura do início da pandemia, de prisões de políticos e da morte de personalidades populares.
O recado à Globo e às demais emissoras é claro: a televisão depende de conteúdos que fazem o público sentir necessidade de acompanhar enquanto acontecem. O calor do momento.
É justamente essa capacidade de reunir milhões de brasileiros diante de uma notícia ou um evento espetacular que garante à TV aberta uma vantagem em relação ao ambiente digital.
Um capítulo de novela pode ser visto depois, assim como um episódio de reality. Mas um gol de Copa, a apuração dos votos de uma eleição ou uma tragédia ainda em curso perdem o impacto quando consumidos horas mais tarde.
O Mundial em andamento confirma: mesmo com os impressionantes números de dispositivos conectados ao mesmo tempo, a CazéTV, de Casimiro Miguel, está longe de atingir a audiência dos jogos na Globo.
Para essas ocasiões grandiosas, a televisão ainda tem a preferência do povo. Por enquanto.
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