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Comentaristas fazem piada sobre o lado bizarro do politicamente correto

Discussão inútil a respeito da mudança de um termo histórico gera momento de humor na GloboNews

4 fev 2023 - 15h51
(atualizado às 20h12)
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Na era do cancelamento compulsório às vezes por quase nada, as pessoas estão confusas e temerosas de ofender alguém. Até as múmias foram envolvidas na polêmica.

O Museu Britânico de Londres propôs trocar a palavra múmia por pessoa mumificada, a fim de não objetificar e ultrajar (oi?) o ser humano, ou melhor, o cadáver preservado.

O ‘GloboNews em Pauta’ debateu a questão. Correspondente em Nova York, Jorge Pontual, dono de humor afiado, não deixou a oportunidade passar.

“Chamar pessoas com uma certa idade, como eu, de múmia, aí é preconceito. Agora chamar múmia de múmia, que eu saiba, elas ainda não estão reclamando que estão se sentindo ofendidas.”

Os colegas de telejornal riram. Demétrio Magnoli fez certeira avaliação sobre o desserviço dessas mudanças desnecessárias na vocabulário coloquial.

“Essas guerras de linguagem ficam basicamente restritas à classe média alta universitária das cidades. O povo não faz parte”, disse.

“E como se cria outra linguagem, se começa a falar duas linguagens. A direita adora isso, porque ela fala com o povo, enquanto a classe média alta universitária fala dentro da sua bolha em outra linguagem que o resto do País não entende.”

“Eu tenho um pouco de preguiça pra isso, sabe?”, comentou Eliane Cantanhêde. “Deixar de ser múmia para pessoa mumificada não vai mudar nada pra múmia.”

Empolgado com a discussão, Mauro Paulino surpreendeu ao fazer uma imitação – com direito a biquinho – de um tipo popular na TV nas décadas de 1970 e 1980.

“Como os tempos mudam, né? Eu não consigo de deixar de lembrar de um personagem engraçadíssimo do Agildo Ribeiro que falava ‘sua múmia paralítica’.”

Os jornalistas riram novamente, mas ficou evidente no ar a preocupação com o termo ‘paralítico’, em desuso por ser considerado impróprio no tratamento de pessoa com limitação de movimentação.

Paulino se referia ao destrambelhado professor de mitologia Aquiles Arquelau, visto em programas como ‘Planeta dos Macacos’.

No final da pauta, o ‘comediante’ Jorge Pontual voltou a atacar com uma tirada. “Meu medo é que daqui a pouco, o cadáver, a gente tenha que chamar de pessoa portadora de morte.”

Brincadeiras à parte, as formas depreciativas devem realmente ser eliminadas por respeito e adequação histórica, a exemplo de ‘índio’ (termo genérico usado pelos portugueses para qualquer povo encontrado nas viagens de exploração), trocado por ‘indígena’, que significa ‘natural do lugar em que vive’.

O politicamente correto se justifica para corrigir distorções, imprecisões e discriminações. No caso de ‘múmia’ por ‘pessoa mumificada’, serve apenas para suscitar deboche. Discussão sem importância diante de tantos problemas relevantes na sociedade.

Magnoli, Paulino e Cantanhêde: ironia com o absurdo do politicamente correto na linguagem
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Foto: Reprodução/TV
Às vezes carrancudo, Jorge Pontual tem um humor saborosamente ácido
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Foto: Reprodução/TV
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