Christiane Pelajo insere leveza e humor ao jornalismo informal da TV
Livrar-se do teleprompter do Jornal da Globo fez muito bem a Cristiane Pelajo. Desde março no comando do Edição das 16h, da GloboNews, ela exercita com destreza o jornalismo informal com espaço para comentários, improvisos e até eventual humor.
A apresentadora conduz as duas horas de notícias ao vivo com leveza, ainda que os assuntos abordados sejam carregados de drama e negatividade.
Houve quem interpretasse como desprestígio o retorno da jornalista à GloboNews após dez anos no 'JG'. Na verdade, a transferência oxigenou a carreira de Pelajo e permitiu que ela faça o seu melhor: entrevistas esclarecedoras, detalhistas e analíticas, sem a superficialidade do jornalismo acelerado dos telejornais convencionais.
Há espaço até para experiências pessoais que a aproximam do telespectador. Na edição de terça-feira (19), Christiane apareceu em matéria na qual ficou 24 horas monitorada por um aparelho Holter, que acompanha a atividade do coração, em pauta sobre o crescimento do índice de brasileiros com doenças cardíacas.
O exame revelou que a âncora atinge os 130 batimentos por minuto na abertura do Edição das 16h. Comandar um dos programas de maior audiência da GloboNews, muitas vezes narrando notícias em tempo real, gera ansiedade e tensão. Mas, no vídeo, ela jamais transmite tal nervosismo nem exagera nas caras e bocas, como o fazem alguns colegas de TV.
Outro ponto positivo do Edição das 16h é romper com o vício das redações em focar somente no noticiário do eixo São Paulo-Rio-Brasília. O telejornal de Pelajo destaca acontecimentos e peculiaridades de todas as regiões do país.
Jornalistas das afiliadas da Globo e GloboNews são acionados para interagir com a apresentadora. Monta-se um panorama realmente nacional em relação às principais notícias do dia. Um Brasil de muitos sotaques e realidades diversas.
Além da comprovada eficiência como âncora, o carisma de Christiane Pelajo é outra característica impossível de não ser ressaltada. Vê-la rir alto nos momentos de descontração do telejornal faz bem ao telespectador vampirizado por overdose diária de manchetes deprimentes sobre violência, política e economia.