Capa, mulher de Moro é a nova 'dama do poder' na mídia
Rosangela Moro ganha status de celebridade em tradicional revista feminina
Depois de atrizes, apresentadoras e cantoras, chegou a vez de uma advogada quase anônima ser a estrela da capa de Claudia, uma das mais tradicionais revistas femininas do País, publicada pela Editora Abril desde 1961.
Rosangela Wolff Moro, mulher do juiz e comandante da Operação Lava Jato, Sergio Moro, estampa a edição de fevereiro. A foto ressalta os belos olhos verdes da curitibana de 42 anos.
“Há três anos, ela administra o impacto da Lava Jato em sua vida – a segurança dos filhos, a exposição na mídia, o ‘desconfortável’ rótulo de mulher de Sergio Moro. Agora passa para a linha de frente como advogada do juiz mais popular do Brasil”, anuncia a revista.
Até então, ela nunca havia aparecido com tanto destaque na imprensa. Recentemente tornou-se defensora do marido em processo movido pelo ex-presidente Lula e passou a atrair holofotes e ser tratada pela mídia como uma ‘dama do poder’, assim como o fazem com a primeira-dama do país, Marcela Temer.
No Instagram de Claudia, a capa com a esposa de Moro dividiu opiniões. Algumas leitoras acusaram a revista de ser politicamente parcial e até partidária. “Engraçado, Dilma foi eleita Presidenta e nunca foi capa”, observou @raulefreddie.
Outras aprovaram o destaque dado a uma personalidade de fora do mundo artístico. “Adorei. Não aguento mais tanta mulher burra, ex-BBB, saradas do carnaval, atrizes globais como capa”, escreveu @janaina_msil.
Houve ainda quem tenha contestado a relevância de Rosangela Moro para merecer tamanho status. “Mulheres de homens poderosos são só acessórios. Igual gravata bonita. Tem que colocar mulheres poderosas de verdade”, protestou @jessica_andrine.
Jornalisticamente, ela é sim uma personagem importante. Não pode ser vista como sombra do marido famoso. Mas compreende-se o estranhamento de parte do público ao vê-la tratada como celebridade numa revista que não costuma destacar a política em seu conteúdo.
A ascensão de Rosangela Moro a figura midiática mostra como a Lava Jato ultrapassou os limites da polícia, da Justiça e da política. Profissionais direta ou indiretamente ligados à Operação ganham visibilidade e fama – e também críticos, fãs e haters.
Essa surpreendente abertura à imprensa feita pela mulher do homem mais poderoso da ‘República de Curitiba’ vai gerar uma corrida das emissoras de TV por uma entrevista exclusiva.
Rosangela Moro certamente não sofre a imposição do silêncio involuntário, como acontece com Marcela Temer. Se quiser, ela será uma voz feminina amplamente ecoada na mídia e, obviamente, no meio político.
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