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Vale a pena fugir das notícias negativas dos telejornais?

Psicóloga Alessandra Assis analisa os efeitos emocionais do excesso de informações a respeito da pandemia de covid-19

22 mai 2020
13h24
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Há mais de dois meses o telejornalismo está dominado por manchetes sobre a pandemia de covid-19
Há mais de dois meses o telejornalismo está dominado por manchetes sobre a pandemia de covid-19
Foto: Fotomontagem: Blog Sala de TV (imagens: Divulgação)

Os programas jornalísticos não falam de outra coisa: número de contaminados pelo novo coronavírus, o colapso nos hospitais, o índice alarmante de mortos, os enterros coletivos, o isolamento social insuficiente, a iminência de lockdown, a inevitável crise econômica na rasteira da pandemia.

Uma overdose de informações e imagens tristes, assustadoras, deprimentes: pessoas sem atendimento adequado, pacientes agonizando em UTIs, médicos e enfermeiros exauridos, parentes em desespero, famílias em luto solitário, filas quilométricas de gente em busca de ajuda financeira.

Como suportar tamanha negatividade exibida na TV? Melhor não assistir ao noticiário ou se faz necessário acompanhar com atenção o dia a dia da pandemia? O blog ouviu a psicóloga Alessandra Assis (@alessandraassis).

O excesso de informações negativas a respeito da pandemia pode afetar nosso estado emocional?

Todo caso de epidemia pode gerar maior ansiedade e stress na população, em alguns casos é possível até mesmo um pânico generalizado. É importante manter a calma e escolher uma fonte confiável de informação, visto que tão grave quanto a pandemia em si é a pandemia do medo. O medo é importante porque incentiva a nos protegermos, mas em demasia pode se tornar uma fobia ou desencadear crises de ansiedade e pânico. Devido a isso, é fundamental evitar o bombardeio de notícias a fim de proteger nossa saúde emocional.

O que fazer para garantir a autopreservação e a saúde mental?

Silencie grupos de WhatsApp e escolha apenas dois momentos do dia para se manter informado. Cuidado com as fake news e não repasse nenhuma informação que não tenha sido checada antes. Existem notícias que não agregam em nada e só causam mais medo. Não sabemos quanto tempo irá durar esse isolamento social e o distanciamento entre as pessoas. Somos seres sociáveis e, além disso, ainda temos a situação econômica que inevitavelmente já é motivo de apreensão e discussões em lares e empresas.

Teremos um surto de transtornos emocionais em consequência da pandemia?

No meio dessa situação nunca vivida antes, é normal sofrermos uma série de efeitos psicológicos que podem gerar problemas de saúde. Teremos casos de depressão, crises de ansiedade, pânico, paranoias, stress pós-traumático, abuso de bebidas alcoólicas e talvez mais suicídios. Poderemos ser obrigados a lidar com possíveis mortes de parentes e amigos e, além de tudo isso, a sensação de impotência. Encontrar um sentido para esse momento pode ser fortalecedor. Familiares devem estar atentos àqueles que já apresentavam quadros de fobias, ansiedade e depressão, visto que há forte tendência de agravamento. Inúmeros profissionais da área da psiquiatria e psicologia disponibilizam seus serviços a distância com atendimentos on-line, fornecendo mecanismo de assistência e intervenção remotamente. É importante ser resiliente, otimista, praticar exercícios físicos, conversar com as pessoas usando recursos audiovisuais, fazer sua parte no quesito prevenção, não se alimentar de notícias que geram mais pânico e evitar pessoas que só reclamam ou são pessimistas. Caso sinta sintomas de depressão, pânico ou ansiedade, não hesite em procurar ajuda especializada.

Evitar radicalmente as notícias sobre a pandemia é uma atitude saudável ou uma fuga inútil?

Alienação é a pior opção para a própria pessoa e para todos ao redor. A informação correta e a conscientização possibilita que as atitudes preventivas sejam realizadas, como lavar as mãos com frequência, usar o álcool 70% para higienização da casa e respeitar o distanciamento social. Temos que fazer o que está ao nosso alcance, sermos responsáveis, termos empatia. Darmos atenção especial aos nossos familiares que fazem parte do grupo de risco: idosos acima de 60 anos, pacientes imunodeprimidos, diabéticos e aqueles com problemas respiratórios. Não estamos de férias. Na medida do possível devemos continuar nossas vidas, mesmo confinados. Devido ao nível de stress que pode surgir no lar, precisamos equilibrar os sentimentos criando momentos de descontração em família. Quando sozinhos, buscarmos interação via rede social e também assistir à séries e filmes leves. Vibrar positivamente pode fazer toda diferença nesse momento.

Tem outras dicas para aumentar a sensação de bem-estar a quem está isolado em casa?

Praticar o autocuidado. Isso envolve cuidar da saúde física, praticando atividades mesmo dentro de casa. Adotar hábitos de leitura. Alimentar-se corretamente. Dormir no mínimo oito horas por dia. Sugiro iniciar um curso EAD (educação a distância, pela internet). Praticar meditação ou yoga ajuda a reduzir o nível de stress e aumenta o estado de consciência. Interagir com as pessoas da casa, especialmente os idosos e as crianças. Quem mora sozinho pode usar a internet para se comunicar com parentes e amigos. Talvez este seja o melhor momento para dominar de uma vez por todas o comportamento sabotador procrastinador. Que tal colocar em ordem tudo aquilo que você sempre se queixou não fazer por falta de tempo?  Muitos de nós estavam sempre no automático, consumidos pela rotina. Agora temos tempo para reflexão. Aceitar esse período de quietude pode ser oportuno para uma cura mais profunda do que a cura só do coronavírus. Talvez tenha sido necessário acontecer tudo isso para surgir nova consciência coletiva. Uma coisa é certa: essa pandemia vai mudar a forma de nos relacionarmos conosco e com o mundo.

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