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Público dá recado à Globo: volte a fazer novelas com emoção

Produzida há 22 anos, Por Amor se destaca no Ibope ao oferecer a experiência sentimental que poucas novelas recentes conseguiram gerar

23 jun 2019
15h53
atualizado às 16h01
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Na segunda-feira, dia 17, a sessão Vale a Pena Ver de Novo empatou no Ibope com Malhação – Toda Forma de Amar: 17 pontos. 

Helena (Regina Duarte) e Maria Eduarda (Gabriela Duarte): pessoas irreais que despertam sentimentos verdadeiros no telespectador
Helena (Regina Duarte) e Maria Eduarda (Gabriela Duarte): pessoas irreais que despertam sentimentos verdadeiros no telespectador
Foto: TV Globo / Divulgação

Foram atraídos para a frente da TV cerca de 3,5 milhões de pessoas somente na Grande São Paulo.

A ótima performance da reprise de Por Amor surpreende a cúpula da Globo e também os que acompanham a trama de Manoel Carlos pela primeira vez.

Trata-se de um novelão focado no básico: o sentimento irrefreável, seja ele qual for, capaz de dominar a racionalidade.

A maioria dos personagens se deixa levar por esse estado emocional às vezes positivo – e, em muitos casos, terrivelmente negativo.

A protagonista Helena (Regina Duarte), por exemplo, despreza o amor romântico por Atílio (Antônio Fagundes) ao abrir mão do filho deles a fim de realizar o sonho da maternidade de sua filha estéril Maria Eduarda (Gabriela Duarte). O amor de mãe grita mais alto.

É um drama primoroso. Neste caso, a ficção cumpre seu papel: suscitar algum sentimento no telespectador. Impossível não se envolver, tomar partido e até sofrer junto com os personagens.

Desde então, essa experiência tornou-se rara a quem segue a teledramaturgia.

Poucas novelas e séries conseguiram tirar o público da letargia. Pior: várias produções geraram apenas rejeição.

“O sentimento mais importante do ser humano é o amor”, disse a grande autora Janete Clair (1925-1983). A falta de sentimentos críveis desanima o público. Não dá para acreditar numa trama quando a mesma não desperta nenhum instinto.

O sucesso de Por Amor envia uma mensagem à Globo e aos demais canais produtores de dramaturgia na TV: ofereçam uma experiência.

O telespectador gosta de imagem de qualidade, cenários criativos, figurino interessante e outras atrações visuais, porém, no fundo, ele busca principalmente sentir algo. Pode ser compaixão, raiva, alegria...

Sentimentos que produzam empatia e o tirem da realidade sufocante. Um teletransporte para outro universo.

O bom entretenimento – ou entretenimento eficiente – produz esse arrebatamento.

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