Petrônio Gontijo festeja sucesso na TV e a evolução pessoal
Um dos ápices da segunda temporada de Os Dez Mandamentos foi a sequência da despedida e morte de Arão.
Nas redes sociais, houve forte reação emocional ao desfecho do carismático personagem. Mérito de autores, diretores e de Petrônio Gontijo, ator conhecido por atuações bem construídas.
Meses após o fim da novela, ele ainda experimenta o sucesso de Arão. Na Argentina, onde a trama de Vívian de Oliveira é líder consolidada de audiência, acontecerá um evento esta semana para celebrar o êxito da produção da Record.
Gontijo conversou com o blog a respeito de TV e carreira.
Como avalia o seu trabalho em Os Dez Mandamentos e o surpreendente sucesso da novela em outros países?
Acho que foi o trabalho mais maduro que fiz na TV. Foi necessário juntar o épico ao drama, descobrir como fazer isso. Vívian de Oliveira foi expert em criar perfis psicológicos definidos para todos os personagens. Houve muita pesquisa, li muitos livros. Estudei sobre a escravidão, os rituais religiosos de luto, de morte, de louvor. A história se passa há 3.500 anos, isso foi uma grande novidade pra mim. Acho a repercussão em vários países surpreendente. Estive na Argentina há pouco tempo e a novela é sucesso absoluto no país.
A teledramaturgia inspirada em temas bíblicos foi alvo de preconceito durante muito tempo. Acha que Os Dez Mandamentos quebrou esse estigma?
Quando vi a equipe que estava montada, digo: texto, direção, produção, caracterização, luz, cenário, figurino e elenco; aliada a essa história milenar de libertação e escravidão, imaginei que daria certo, mas não imaginava que o alcance seria tanto. Penso que a novela conseguiu romper paradigmas sim e fronteiras também.
Qual sua expectativa para a festa da novela em Buenos Aires e o contato com os telespectadores argentinos?
Então, estou voltando pra lá, a convite da Telefe (emissora argentina), para participar de um evento para 8.000 pessoas, no dia que será exibido o capítulo da abertura do Mar Vermelho. Estive lá há menos de um mês, pela Rede Record, gravando uma matéria para o Domingo Espetacular, exatamente sobre o sucesso da novela. O que vejo é que a novela caiu no gosto das pessoas mesmo. Muita gente me disse que estava voltando pra casa pra não perder um capítulo. Saber que nosso trabalho conseguiu chegar a outras culturas, outros povos, dignifica ainda mais o que fizemos.
Qual é o seu método para compor cada personagem?
Na TV, leio a sinopse e geralmente sigo as indicações de pesquisa: época, profissão, política, música. Os objetos que vou usar em cena, pra mim, são fundamentais. Gosto de procurar pessoalmente pelos elementos que vão me ajudar compor o personagem: relógio, pulseiras, óculos, o que for, e estabelecer uma relação criativa com eles. Depois da sinopse vem o texto, o capítulo, e é ali que, pra mim, está o personagem: nas palavras, nas rubricas. Depois disso vem o colega. Pra mim, o personagem nasce da assimilação das palavras aliada à contracenação, à maneira que o personagem ouve o que o outro diz, enxerga o que o outro faz. Aí, depois, é necessário o difícil exercício de me assistir, perceber o erro, corrigir e melhorar. É bastante trabalho.
Qual aprendizado tirou de passar por várias emissoras, com estruturas diferentes, interpretando os mais variados perfis de personagens?
Me deu muita experiência trabalhar em TV no Rio e em São Paulo, na Record, Globo, SBT e Band. Cada emissora possui características próprias, mas o momento do 'gravando' é igualmente sagrado em todas elas. Sempre gostei de fazer novela junto com teatro, uma coisa alimenta a outra, me deixa em estado de alerta. Poder trabalhar em várias emissoras me possibilitou esse tipo de dobradinha. Gosto da ideia de ter participado de implantações de núcleos de teledramaturgia em São Paulo também. Hoje, estou feliz pela Record ter se tornado uma forte referência, nacional e internacional, no campo da teledramaturgia e por sempre me convidar pra ótimos personagens, com perfis muito diferentes.
Você está com 48 anos. Muitos homens vivem a crise dos 50. Tem preocupação com a proximidade da data?
Minha crise de idade foi aos 14. Aos 14 eu já podia entrar em certos filmes e ir nos bailes noturnos do clube da minha cidade, entendi que tinha envelhecido, que a infância tinha acabado e que agora eu teria que assumir algumas responsabilidades, isso me assustou bastante. Fiquei de cama. Depois não tive mais. Não sei se virá aos 50, só sei que não tenho vontade de voltar no tempo. Acho que não teria paciência. Vivi com intensidade todas as fases até aqui. Hoje, sou bem diferente do cara que era aos 20. Isso me faz acreditar que aprendi algumas coisas no caminho. Para cada época, questões diferentes.
O que o Petrônio Gontijo de hoje, após mais de 25 trabalhos na TV, diria ao Petrônio Gontijo de 1991, que estreava em teledramaturgia na novela Salomé, na Globo?
'Eu gosto do teu jeito, aqui do futuro! Vai tranquilo, cara. Você não tá sozinho.'
O fim de ano suscita reflexão e definição de projetos. Como avalia o seu 2016 e o que espera realizar em 2017?
Foi o ano de gravar a segunda fase da novela Os Dez Mandamentos, excelente trabalho em todos aspectos, pra mim. Tenho outros projetos sendo gerados pra 2017, mas ainda em andamento. No teatro, vou montar um texto de um autor que admiro muito desde a época da faculdade: Harold Pinter. A peça se chama Traição, terá direção do José Possi Neto e produção do João Federici. Vou estar em cena com Lavínia Pannunzio e Daniel Alvim. Compramos os direitos do texto e estamos em fase de captação de recursos.