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Ontem foi um péssimo dia para Bolsonaro assistir ao ‘JN’

Três matérias críticas apresentaram potencial para aumentar a fúria do presidente contra a Globo

17 mar 2021
08h24
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“À toda a imprensa, eu não assisto à Globo, tá ok?”, afirmou Jair Bolsonaro, em abril de 2020, a um batalhão de jornalistas no Palácio da Alvorada. Apesar de repudiar o canal, o presidente sempre repercute as matérias negativas a respeito dele e seus filhos exibidas no ‘Jornal Nacional’.

Como quase sempre acontece, o Palácio do Planalto não quis comentar as matérias do ‘JN’ sobre o presidente e os filhos Flavio e Jair Renan
Como quase sempre acontece, o Palácio do Planalto não quis comentar as matérias do ‘JN’ sobre o presidente e os filhos Flavio e Jair Renan
Foto: Fotomontagem Blog Sala de TV

A edição de terça-feira (17) teria provocado a cólera de Bolsonaro caso ele sintonizasse a emissora da família Marinho. Foram ao ar três matérias desfavoráveis. A primeira, de Delis Ortiz, criticou o tom de continuísmo adotado pelo novo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, em seu primeiro contato com a imprensa.

Além disso, rememorou declarações negacionistas do presidente, a insistência dele em não usar máscara em lugares públicos, a defesa de remédios sem comprovação de eficácia contra a covid-19, a demora em comprar vacinas e a submissão ideológica do ministro Eduardo Pazuello.

A segunda matéria, com direito a chamada na saída de break (intervalo comercial), foi destacada por William Bonner. “O senador Flavio Bolsonaro, do Republicamos, sofreu duas derrotas hoje no STJ”, informou o âncora e editor-chefe. O repórter Paulo Renato Soares relatou a decisão judicial que permite ao Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) continuar a compartilhar provas do caso das rachadinhas com o Ministério Público do Rio de Janeiro.

“A Polícia Federal abriu inquérito para investigar Jair Renan Bolsonaro, filho mais novo do presidente”, anunciou a âncora Renata Vasconcellos ao chamar a terceira matéria. O repórter Vladimir Netto explicou que a investigação foi pedida pelo Ministério Público Federal, com base em denúncia apresentada por parlamentares da oposição, de suposto tráfico de influência e lavagem de dinheiro contra o filho Zero Quatro. O caso envolve uma empresa de eventos de mídia de Jair Renan e sua hipotética ligação com o governo federal.

No total, foram 12 minutos e 30 segundos de conteúdo capaz de deixar o presidente ainda mais irritado com o jornalismo da TV ‘inimiga’. “A Globo persegue a mim e a minha família”, reclamou o presidente mais de uma vez. De acordo com dados prévios, cerca de 6,5 milhões de telespectadores da Grande São Paulo, principal área de aferição da Kantar Ibope, assistiram às matérias de ontem.

Trata-se de indesejável publicidade negativa à popularidade de qualquer governante. “Segundo um deputado, um líder lá no Congresso, o medo deles (os políticos) é sair uma notícia ruim no ‘Jornal Nacional’”, comentou certa vez Lucas Mendes, âncora do ‘Manhattan Connection’ e ex-correspondente internacional do ‘JN’.

Ainda que atacado, contestado e boicotado, o principal telejornal da Globo ainda é a mais poderosa vitrine da TV, com boas e más repercussões aos personagens de suas matérias. Por isso, o presidente Bolsonaro não disfarça a raiva quando se vê em manchetes depreciativas no jornal das 20h30.

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