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Música politizada: sertanejos com Bolsonaro e a MPB com Lula

A rivalidade entre cantores dos dois gêneros fica ainda mais evidente com a militância à direita e à esquerda.

30 jan 2020
12h05
atualizado em 4/2/2020 às 13h15
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Para muitos ídolos da Música Popular Brasileira, a canção sertaneja não tem qualidade artística. Na visão de vários astros sertanejos, a MPB é um reduto elitista preconceituoso. Esse antagonismo entre estilos tão apreciados no País se torna ainda maior quando entra no campo desafinado da política.

Hoje, a música sertaneja está associada ao bolsonarismo, enquanto a MPB "veste" o vermelho lulista. Na quarta-feira (29), cerca de 50 cantores estiveram em evento no Palácio do Planalto. “Os artistas do Setor Sertanejo do Brasil expressam seu apoio ao governo do presidente Jair Messias Bolsonaro”, diz a nota oficial, lida na ocasião.

Entre os presentes, duplas de sucesso como Bruno e Marrone, Cesar Menotti e Fabiano, Henrique e Juliano, João Neto e Frederico e Gian e Giovanni. “Sempre fui apaixonado pela música sertaneja, por suas letras”, revelou Bolsonaro, usando chapéu country. “Devo muito a vocês a minha formação.”

Bolsonaro e Lula polarizam dois dos mais apreciados gêneros musicais no Brasil
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Foto: Divulgação

Muitos artistas do gênero já haviam manifestado simpatia ou apoio explícito ao atual presidente. Na campanha eleitoral de 2018, o então candidato recebeu incentivo de Zezé di Camargo (que forma dupla com o irmão Luciano), Gusttavo Lima e Eduardo Costa, entre outros.

Enquanto isso, a MPB permanece ligada ao PT e à militância por Lula. Chico Buarque e Martinho da Vila chegaram a visitá-lo na prisão, em Curitiba. Caetano Veloso o defendeu em várias entrevistas. A lista de apoiadores do mais midiático líder da esquerda brasileira inclui ainda Gilberto Gil, Gal Costa, Zélia Duncan, Daniela Mercury, Zeca Baleiro, Chico César, Ana Cañas, Jards Macalé, Fernanda Takai e Odair José.

Historicamente, representantes da música sempre estiveram inseridos na política. No período da ditadura e na campanha pela redemocratização, por exemplo, cantores tiveram papel importante na mobilização do povo. Algumas canções de protesto se tornaram hinos pela liberdade.

Já a música sertaneja saiu da roça e ascendeu na década de 1980. Passou a ser consumida pela classe média e, com o sertanejo universitário, conquistou as novas gerações.

A rivalidade entre o sertanejo e a MPB não vai acabar tão cedo. A polarização ideológica pode até aumentar o distanciamento. Tomara que as preferências político-partidárias de um lado e do outro não ofusquem o prazer de ouvir uma boa música, seja um estrondoso modão caipira ou uma delicada poesia cantada.

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