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Morre traficante condenado por morte de repórter da Globo

Homenagem a Tim Lopes foi um dos momentos mais emblemáticos e tristes da história do Jornal Nacional

22 set 2020
20h54
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O traficante Elias Pereira da Silva, conhecido no mundo do crime e na imprensa como Elias Maluco, foi encontrado morto na Penitenciária Federal de Catanduvas, no Paraná. Ainda não há detalhes a respeito da causa da morte.

Ele se tornou nacionalmente famoso a partir da cobertura da morte de Tim Lopes, um dos principais jornalistas investigativos da Rede Globo. O repórter ganhador do Prêmio Esso foi sequestrado e morto em 2 de junho de 2002, quando apurava denúncia de prostituição infantil em um baile funk na Vila Cruzeiro, favela na zona norte do Rio.

Homenagem a Tim Lopes foi um dos momentos mais emblemáticos e tristes da história do Jornal Nacional
Homenagem a Tim Lopes foi um dos momentos mais emblemáticos e tristes da história do Jornal Nacional
Foto: Reprodução

A morte de Tim, 51 anos, foi confirmada três dias depois, por meio de exame de DNA em restos mortais encontrados na região. Narcotraficantes detidos posteriormente relataram que o jornalista foi descoberto, torturado e morto pouco depois de chegar à comunidade. Apontado pela investigação como mandante, Elias Maluco recebeu condenação de 28 anos e seis meses por homicídio, formação de quadrilha e ocultação de cadáver.

Em uma homenagem feita a Tim Lopes no Jornal Nacional, o âncora e editor-chefe William Bonner leu um texto comovente direcionado ao jornalista assassinado.

“Tim, você sabe que em dias tristes como o de hoje, nós costumamos evitar o ‘boa noite’, deixando que o silêncio dos estúdios mostre toda a eloquência da nossa dor. Mas hoje nós decidimos fazer diferente. Você sempre foi um apaixonado pela profissão. Sempre teve um sorriso contagiante para alegrar os nossos dias. Sempre teve uma palavra de incentivo para os menos experientes. Sempre vibrou diante de cada reportagem que fez.”

Em outro trecho, disse: “Devem estar acreditando que calaram a sua voz. Estão errados. Sua voz será ouvida, cada vez mais alta, em cada reportagem que nós, jornalistas do Brasil, fizermos. A sua voz vai ecoar, hoje e sempre, na redação da Globo e nas casas de cada brasileiro de bem. Em vez do silêncio, o nosso aplauso”. 

A grua do antigo estúdio do JN deslocou-se do mezanino, onde Bonner estava na bancada, para o fundo da redação. Dezenas de colegas de profissão de Tim Lopes o aplaudiam, emocionados. A imagem foi se fechando para mostrar em close-up uma foto do repórter, sorridente, em um telão.

 

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