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Globo ousada: gays terão noite de amor e final feliz às 18h

Emissora quebra tabu ao retratar a homossexualidade em novela de época exibida no começo da noite

12 set 2018
14h06
atualizado às 17h13
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Em 31 de janeiro de 2014, Felix (Mateus Solano) e Nikko (Thiago Fragoso), de ‘Amor à Vida’, deram o primeiro beijo gay da teledramaturgia da Globo. Desde então, a emissora se mostra cada vez mais aberta à promoção da diversidade sexual em suas produções de ficção.

Um novo passo à frente acontece em ‘Orgulho e Paixão’, onde o amor de Luccino (Juliano Laham) e Otávio (Pedro Henrique Müller) é retratado abertamente, com direito a declarações românticas – “amore mio”, diz o mecânico italiano ao soldado bigodudo – e uma cena mais do que sugestiva na qual os personagens vestem ceroulas e estarão em êxtase após uma noite de amor.

Luccino e Otávio: o drama de se descobrir gay e a recompensadora paixão
Luccino e Otávio: o drama de se descobrir gay e a recompensadora paixão
Foto: Divulgação/TV Globo / TV Globo

Não é comum que uma novela de época exibida a partir das 18h30, ou seja, no início do horário nobre, com muito público infanto-juvenil diante da TV, apresente um relacionamento gay com tanta objetividade. Na Globo, personagens homossexuais geralmente surgem na faixa das 19h30 (quase sempre em tom de comédia) ou no novelão das 21h, com classificação indicativa para telespectadores de no mínimo 14 anos.

Em ‘Orgulho e Paixão’, de Marcos Bernstein, houve ainda a abordagem da homofobia: Luccino foi expulso de casa após a revelação de sua condição sexual. Ele passou por um longo processo de medo, dor emocional e autoaceitação até assumir o sentimento por Otávio e abrir-se à família.

Ainda que ambientada no início do século passado, a novela reproduziu um drama vivido até hoje por muitos jovens na descoberta de sua homossexualidade – e o conflito doméstico que essa circunstância pode provocar.

Muita coisa mudou desde a década de 1910, quando Luccino e Otávio se entregaram ao ‘amor que não ousa dizer o nome’, como se comentava naquela época, mas o preconceito baseado na heteronormatividade continua enraizado na sociedade brasileira.

Todos os dias, ‘Luccinos’ sofrem bullying, são escorraçados de casa, apanham na rua ou até acabam mortos. A cada 19 horas, um LGBTT (Lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transgêneros) é assassinado ou se suicida em consequência de ‘LGBTfobia’. Visto como liberal no exterior, o Brasil se tornou o País campeão neste tipo de crime.

Nas redes sociais, há críticas enfáticas a um hipotético ‘incentivo’ da Globo à homossexualidade. De acordo com as associações de psicólogos, ninguém ‘vira’ gay a partir de determina influência.

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