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Acusados de crimes viram galãs desejados graças à sexualização desavergonhada feita na TV e nas redes sociais

Quando um fora-da-lei ganha fã-clube, a vítima desaparece e o delito acaba embalado como entretenimento

17 ago 2026 - 11h21
(atualizado às 11h21)
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Nos Estados Unidos, Luigi Mangione ressurgiu num tribunal e a internet voltou a elogiar sua beleza, sem nenhuma palavra de respeito à memória do homem que ele matou.

Em São Paulo, Cristian Cravinhos, ex-presidiário do caso Richthofen, gera manchetes por supostamente faturar R$ 30 mil em poucos dias vendendo material com nudez e anunciar novos vídeos usando calcinha.

Na Bahia, o influenciador de conteúdo adulto Júnior Honorato aparece na TV em matéria sobre prisão por drogas, ganha apelido ‘bandigato’ e 150 mil novos seguidores.

Pelo visto, basta um rosto bonito, um corpo malhado ou uma personalidade carismática para que a ficha criminal seja desprezada em nome do fetiche.

Caso seja apenas uma leve atração física, menos mal.

Pior se o interesse crescer a ponto de ser caracterizado como hibristofilia passiva.

Trata-se da condição em que a pessoa sente desejo sexual ou impulso romântico por criminosos, sem a intenção de participar de atos ilícitos.

Luigi Mangione e Júnior Honorato, o 'bandigato': fama repentina e fãs nas redes sociais ofuscam a acusação de crime
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Foto: Reproduções

Existe a versão mais grave, a hibristofilia ativa ou agressiva, quando surge a vontade de incentivar ou atuar em atividades criminosas junto com um infrator admirado pela beleza e sensualidade.

Para a Psicanálise, essa parafilia pode ser entendida como um fenômeno ligado ao inconsciente e às fantasias do sujeito.

A figura do transgressor provavelmente representa pulsões e conflitos relacionados a poder, submissão, histórico de agressões e outras questões íntimas.

Não faltam incentivos para o desenvolvimento dessa fixação.

Na mídia em geral e, principalmente, nos programas policiais, vários suspeitos e condenados recebem status de celebridade por representar potencial de audiência.

Muitas vezes, a vítima é tratada como mera coadjuvante e a gravidade do delito acaba relativizada.

No fim, o que seria uma notícia séria vira entretenimento picante.

A filósofa Hannah Arendt tinha razão ao apontar a capacidade humana de banalizar o mal.

Quando criminosos passam a despertar fascínio e tesão, parte da sociedade deixa de repudiá-los e faz um consumo recreativo da violência.

Violência esta que, a cada dia, se torna mais feia e assustadora.

Homens bonitos envolvidos em crimes acabam tratados como personagens em programas policiais e até monetizam a popularidade
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Foto: Ilustração criada por IA
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