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Ex-Globo, Jean Wyllys critica família Marinho e Bolsonaro

Jornalista insinua que a emissora mais atacada pelo presidente contribuiu para a eleição dele e agora paga o preço

9 set 2020
09h43
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O ditado espanhol “Cría cuervos y te sacarán los ojos” (Cria corvos e eles te arrancarão os olhos, em tradução livre) refere-se à tragédia a ser experimentada por alguém que ajuda uma pessoa potencialmente ingrata e perigosa. Jean Wyllys acredita que a Globo está sendo apunhalada pelas costas — para usar expressão equivalente em português — por Jair Bolsonaro.

Wyllys é um crítico ferrenho tanto da Globo quanto de Bolsonaro
Wyllys é um crítico ferrenho tanto da Globo quanto de Bolsonaro
Foto: Fotomontagem: Blog Sala de TV

Na segunda-feira (7), o jornalista postou em seu perfil no Twitter uma ilustração feita de próprio punho: corvos estraçalhando a bandeira do Brasil. “Cría cuervos (um presente para a família Marinho)”, escreveu. Naquele dia, Bolsonaro fez pronunciamento em rede de rádio e TV para exaltar a independência do País do império português.

Houve quem identificasse no texto lido pelo presidente semelhanças com um editorial do jornal O Globo escrito em 1984 por Roberto Marinho (1904-2003), fundador da TV Globo. No artigo, o magnata da comunicação definiu o golpe militar como “Revolução de 1964” e explicou os motivos de sua empresa tê-lo apoiado.

Em 2013, as Organizações Globo (renomeadas Grupo Globo no ano seguinte), fez mea-culpa ao afirmar que o apoio à ditadura “foi um erro”. Na campanha eleitoral de 2018, o então candidato Bolsonaro citou aquele posicionamento ideológico de Roberto Marinho ao ser sabatinado na GloboNews.

Dias depois, na bancada do Jornal Nacional, ele voltou a comentar a declaração polêmica. O âncora e editor-chefe William Bonner se mostrou incomodado. “O senhor vai repetir?”, questionou. Para surpresa geral, Bolsonaro leu um trecho do famigerado editorial.

O desenho de Jean Wyllys suscita interpretação óbvia: o ex-parlamentar acredita que a ação incisiva do jornalismo da Globo nos governos Lula e Dilma — com profusão de críticas e denúncias envolvendo os petistas — foi determinante para a ascensão de Jair Bolsonaro à Presidência. Ele seria o “corvo” criado pela Globo e que agora ataca a emissora que indiretamente o teria ajudado a se eleger.

Em guerra particular cada vez mais bélica, o presidente cumpriu a promessa de reduzir a publicidade governamental nos intervalos do canal (caiu de 39% para 16% da verba de propaganda em 2019) e, mais de uma vez, ameaçou não renovar a concessão pública que mantém a Globo no ar desde 1965.

Mestre em Letras e Linguística, o ex-deputado Jean Wyllys reprova a atividade da maior parte dos grandes grupos de mídia. Em fevereiro deste ano, afirmou que a “imprensa comercial” que parece poupar parte do governo de cobranças merece “as bananas que o fascista tem lhe mandado”. Em duas ocasiões, Jair Bolsonaro fez o gesto de “banana” a repórteres.

Wyllys se tornou um crítico impiedoso da TV que o lançou à fama. Em 2005, ele foi o primeiro gay assumido a vencer o Big Brother Brasil. No mesmo ano, trabalhou como repórter do Mais Você de Ana Maria Braga. Em 2014, passou a apresentar a sessão ‘Cinema em Outras Cores’ no Canal Brasil (pertencente à programadora Globosat), com filmes de temáticas LGBTQIA+. 

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