Script = https://s1.trrsf.com/update-1785845726/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE
Publicidade

Caso Ferran Torres mostra o preconceito da internet com o homem que demonstra afeto por outros homens

Flagra em boate de Ibiza esquenta os boatos sobre o jogador de futebol que marcou o gol histórico da Espanha na Copa

4 ago 2026 - 10h18
(atualizado às 10h18)
Compartilhar
Exibir comentários

A internet insiste em arrancar do armário o jogador Ferran Torres sem nem ter certeza de que ele seja homossexual.

Primeiro, interpretou as fotos do ponta-esquerda do Barcelona em cenas de beijos no rosto e abraços com o amigo Marcos Llorente, do Real Madrid.

Depois, questionaram seu gestual ao interagir com o colega de Seleção Marc Pubill.

Agora, julga as imagens de Ferran em um camarote de boate abraçando o lutador de UFC Ilia Topuria.

Implicitamente, a conclusão apressada desses momentos foi a mesma: Ferran seria um gay enrustido.

Seja ou não, há uma questão a ser debatida.

Amigos não podem se abraçar, ficar de mãos dadas e conversar com rostos próximos?

Manifestações físicas de afeto entre dois homens são obrigatoriamente um sinal de homossexualidade ou desejo sexual?

Em reação aos boatos, Marcos Llorente afirmou que “o homem seguro de si” não tem medo de demonstrar carinho por um amigo.

O contato físico entre homens sempre foi um sinal de amizade, respeito e fraternidade em diferentes partes do mundo.

Em vários países do Oriente Médio, do Norte da África e do Sul da Ásia, por exemplo, é comum que amigos andem de mãos dadas.

Em regiões da Índia, do Paquistão, da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos, as demonstrações de bem-querer entre homens fazem parte da etiqueta social.

O mesmo ocorre em algumas culturas africanas e mediterrâneas, onde o toque é visto como expressão de camaradagem, e não de interesse erótico.

Ferran Torres com Marcos Llorente e  Ilia Topuria: qualquer gesto de carinho entre homens é interpretado como desejo sexual e coloca a masculinidade em dúvida
Ferran Torres com Marcos Llorente e Ilia Topuria: qualquer gesto de carinho entre homens é interpretado como desejo sexual e coloca a masculinidade em dúvida
Foto: Reproduções com qualidade melhorada com IA

No Brasil, um país ainda tão mal resolvido sexualmente, qualquer sinal de maior afeição vira atração carnal e coloca em dúvida a orientação sexual dos envolvidos.

Nos homens, nota-se um gritante medo de ter a masculinidade questionada e ser alvo de chacota. 

Isso leva a maioria de nós — independentemente da orientação sexual — a camuflar sentimentos por amigos e até parentes.

Tristemente, devido ao machismo, nem todo filho tem coragem de dizer “eu te amo” ao próprio pai.

Esse padrão castrador impõe um custo emocional. 

Paradoxalmente, cobra-se hoje que os homens sejam mais sensíveis e emocionalmente disponíveis.

Como?

Antes de Ferran Torres, Marc Pubill e Marcos Llorente, outros dois craques da bola viveram situação semelhante de discriminação.

Em maio de 2010, Zlatan Ibrahimović e Gerard Piqué, ambos no Barcelona à época, foram fotografados em um estacionamento do centro de treinamento do clube.

Na imagem, Piqué segura a mão de Ibra enquanto os dois conversam muito próximos. 

Instantaneamente surgiram especulações e piadas nas redes sociais e na imprensa sobre um suposto envolvimento amoroso entre eles.

Passados mais de quinze anos, nada mudou.

Como observa a socióloga australiana Raewyn Connell em sua Teoria da Masculinidade Hegemônica, muitos homens vivem sob a pressão permanente de provar que são “homens de verdade”.

Por isso, reprimem gestos de ternura e policiam uns aos outros para afastar qualquer suspeita de homossexualidade. 

Acionam o velho estereótipo da masculinidade agressiva.

Nunca é demais repetir: cerca de 75% dos suicídios no Brasil são de homens. Especialistas apontam que a pressão para esconder fragilidades, disfarçar afetos e evitar demonstrações de vulnerabilidade contribui para essa estatística.

É uma tragédia diária e sem fim.

📊 Fofoca Awards: vote nos seus favoritos
Sala de TV Blog Sala de TV -  Todo o conteúdo (textos, ilustrações, áudios, fotos, gráficos, arquivos etc.) deste blog e a obtenção de todas as autorizações e licenças necessárias são de total responsabilidade do colunista que o assina. As opiniões do colunista não representam a visão do Terra. Qualquer dúvida ou reclamação, favor contatá-lo diretamente no e-mail beniciojeff@gmail.com.
Compartilhar

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade
Meu Terra