Dony De Nuccio, da GloboNews, lança guia para quem quer empreender
Âncora do Jornal das Dez, da GloboNews, Dony De Nuccio é um expert em economia. Além da formação em Jornalismo, na USP, graduou-se em Economia na Universidade Mackenzie, fez mestrado na área na Fundação Getúlio Vargas, curso de extensão na Brown University, nos Estados Unidos, e trabalhou em um dos gigantes do mercado financeiro, o Citibank.
A ampla experiência teórica e prática serviu de base para 'Nasce um Empreendedor' (Companhia das Letras), livro escrito por Dony em parceria com Bob Wollheim, um dos maiores especialistas em empreendedorismo e startups do país, e comentarista do programa Conta Corrente, também da GloboNews.
Nesta entrevista, De Nuccio explica o conceito do livro, fala da importância de traduzir o economês na TV e analisa sua performance no comando de um dos telejornais de maior audiência da TV paga.
A ideia de escrever 'Nasce um Empreendedor' surgiu da interação entre você e Bob na GloboNews?
Sim! Durante meus 3 anos de Conta Corrente o Bob foi um grande parceiro quando a pauta era empreendedorismo, e pensamos: 'Por que não?' Juntamos esforços e criamos um livro para ajudar aqueles que estão começando (ou sonhando em iniciar) um negócio próprio. Além das dicas, sugestões, conselhos e informações, contamos com os relatos de dezenas de grandes empreendedores, como Romero Rodrigues, Alexandre Accioly, Nizan Guanaes, Tallis Gomes, Alexandre Herchcovitch, e vários outros.
O cenário econômico atual teve influência no desenvolvimento da obra?
Teve influência, sim. O Brasil tem hoje empreendedores por opção (aqueles que têm o sonho de criar um negócio) e por imposição (que se veem jogados no empreendedorismo como resultado da conjuntura). Nossa ideia foi aumentar a probabilidade de sucesso na trajetória do empreendedor, e assim, de alguma forma, dar nossa contribuição para que negócios prosperem, empregos sejam gerados, brasileiros ganhem mais dinheiro e a economia do país volte a crescer.
Como foi o processo de escrever em dupla?
Um livro a quatro mãos é um baita desafio - cada um tem seu gosto, sua preferência, seu estilo próprio. É como um casamento de curto prazo. Há que se fazer escolhas e concessões. Mas ao mesmo tempo você soma talentos, percepções e conhecimento. Um vai dando pitaco nos textos do outro. E dessa leitura mútua e crítica nasce um livro mais completo. Esse é meu terceiro livro em parceria. Escrevi um sobre carreira (com Maíra Habimurad e Sofia Esteves) e outro sobre finanças pessoais (com Samy Dana). Conhecimento não existe para ficar guardado. Gosto de compartilhar aprendizados e ajudar quem quer avançar na carreira, nos negócios, nos investimentos. Minha cabeça está sempre borbulhando de ideias - até porque ninguém sobe na vida com a mão no bolso. Por isso conto em primeira mão: já estou trabalhando no próximo projeto.
Você possui sólida formação em Economia. Como isso o ajuda a traduzir o economês ao telespectador?
Ajuda principalmente a entender a economia: interpretar os movimentos nos mercados do Brasil e do mundo, depurar as informações de analistas e instituições, esmiuçar números e gráficos de indicadores e estudos. Para então, e só então, traduzir tudo isso da forma mais vibrante e interessante possível. Tenho pavor a economês. Se a economia for mal relatada, fica chata, hermética e pedante. Um tédio. Economia - no seu conteúdo - é algo que afeta todo mundo, e por isso mesmo, deveria interessar a todos. Se alguém está assistindo a um telejornal e não gosta ou não compreende o assunto, a culpa não é do telespectador que não entendeu. É do jornalista que não soube explicar.
Como avalia esses nove meses no comando do Jornal das Dez?
Foram meses de muitas turbulências: o pior desastre ambiental do país com o rompimento da barragem de Mariana; a maior crise de refugiados desde a Segunda Guerra Mundial; atentados do Estado Islâmico na França com mais de uma centena de mortos; brutal recessão econômica; desdobramentos surpreendentes da Lava-Jato; votação do processo de impeachment e afastamento da presidente. Isso, só pra citar alguns destaques. Foi um período de tudo - menos tédio. Aprendizado de anos concentrado em meses. O J10 tem quase duas décadas de tradição. É um jornal analítico com alguns dos mais consagrados comentaristas do país. Fazer toda noite um bate-papo com esse time sobre a economia e a política do Brasil e do mundo em tempos tão peculiares, é um desafio fascinante - e uma responsabilidade que pesa toneladas.
Já está adaptado ao estilo de vida carioca?
Depois de quase 15 anos em São Paulo achei que não me adaptaria. Era um paulista convicto. Uma semana depois, já dizia que poderia morar aqui para sempre. O Rio é uma cidade que acolhe sem cerimônias. Já virei um pouco carioca.