Com personagens atípicas, Juliana Paes vive redenção na TV e no cinema
18 ago
2014
- 09h26
Mulheres bonitas não são boas atrizes. Parece uma afirmação machista? E é. Mas sempre foi verbalizada nos bastidores da televisão e do cinema.Uma vítima dessa postura discriminatória acada de impor sua redenção, tanto na TV quanto nas telonas. Juliana Paes, que foi unanimemente elogiada por sua atuação em 'Meu Pedacinho de Chão', acaba de conquistar o Kikito de Melhor Atriz no Festival de Gramado pelo filme 'A Despedida'.No longa dramático do diretor Marcelo Galvão, a atriz vive Fátima, 37 anos, amante de um homem de 92 anos, Almirante, papel de Nelson Xavier, cuja performance também foi reconhecida com o Kikito de Melhor Ator.Juliana, que tem dois anos a menos que a personagem, se despiu da vaidade para encarar o trabalho: cabelo desgrenhado, pouquíssima maquiagem, figurino simplório.Geralmente é assim, renunciando ao glamour, que uma atriz vista como referência de beleza e tratada como símbolo sexual consegue convencer os críticos da veracidade de seu talento.Vale lembrar a 'desconstrução' da belíssima Charlize Theron em 'Monster - Desejo Assassino' (2003), que rendeu a ela o Oscar. Precisou se mostrar feia e brutalizada para ser considerada uma boa atriz, e não somente uma estrela lembrada por sua beleza e sensualidade.Em 'Meu Pedacinho de Chão', encerrada há duas semanas, Juliana Paes interpretou Catarina, uma burguesa com alma proletária.Debaixo da maquiagem pesada, das perucas exageradas e dos vestidos volumosos, que a faziam parecer uma Maria Antonieta interiorana, havia uma mulher simples, com espírito de justiça e bom humor. Foi um de seus melhores momentos em quase 15 anos de carreira na TV.Na novela em tom de fábula, escrita por Benedito Ruy Barbosa, Juliana recebeu do diretor Luiz Fernando Carvalho carta branca para improvisar. Deu certo.Catarina oscilou da comédia ao drama, da crítica social à poesia. Valorizou silêncios, brincou com a modulação da voz, lançou um inconfundível e engraçado tique nas mãos. A atriz roubou a cena.Ao contrário do que aconteceu em produções como 'Gabriela' (2012), 'Celebridade' (2003) e 'O Clone' (2001), a sexualidade e a sensualidade de Catarina — e da própria atriz — não vinham antes da personalidade da personagem.A beleza e o poder de sedução de Juliana Paes ainda estavam lá. Porém apenas como mais uma característica, e não no foco da narrativa.
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