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Bolsonaro leva Globo à Justiça após ser criticado no 'JN'

Retomada da rixa do presidente com o canal do clã Marinho dá fim a um curto período de trégua

29 ago 2020
13h02
atualizado às 13h02
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A guerra ideológica e editorial extrapolou as redes sociais e a televisão: agora será no tribunal. De acordo com o site O Antagonista, a Presidência da República entrou com uma ação na Justiça Federal do Rio solicitando direito de resposta no 'Jornal Nacional'. Jair Bolsonaro quer rebater críticas feitas por William Bonner e Renata Vasconcellos à gestão da pandemia de covid-19 no Brasil.

A discórdia entre Bolsonaro e o canal de maior audiência da televisão brasileira ganha maior dimensão a cada dia
A discórdia entre Bolsonaro e o canal de maior audiência da televisão brasileira ganha maior dimensão a cada dia
Foto: Fotomontagem: Blog Sala de TV

Na edição de 8 de agosto, a pauta que dominou o principal telejornal da Globo foi a chegada à marca de 100 mil brasileiros mortos pelo novo coronavírus. O 'JN' responsabilizou o chefe do Executivo pela situação caótica no País e o apontou como má influência à população.

Bonner relembrou declarações polêmicas de Bolsonaro ao comentar a pandemia, como o termo "gripezinha", a frase "não sou coveiro" e a resposta "e daí?" ao ser questionado por um jornalista pelos primeiros 5 mil mortos. "Agora o presidente repete que a pandemia é uma chuva e que todos vão se molhar, ou que a morte é o destino de todos nós e que temos de enfrentar a doença, como se fosse uma questão de coragem. Como se nada pudesse ter sido feito", disse o âncora e editor-chefe, visivelmente contrariado.

Renata comentou a atribulada saída de Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich do governo. "Dois médicos de formação deixaram o cargo de ministro da Saúde porque pretendiam seguir as orientações da ciência, e o presidente Bolsonaro não concordou com essa postura deles." Afirmou ainda que tal atitude negacionista confundiu muitos brasileiros e produziu um "isolamento capenga".

No momento mais incisivo daquela edição do 'JN', houve um questionamento a respeito da competência de Bolsonaro. "Nós já mostramos o que diz o artigo 196 (da Constituição). É dever das autoridades que governam o País implementar políticas que visem a reduzir o risco de doenças. E a pergunta que se põe é: o presidente da República cumpriu esse dever?”, argumentou a jornalista.

Além de sugerir omissão do presidente no gerenciamento da pandemia no País, o 'Jornal Nacional' deu a entender que ele foi insensível com os doentes e as famílias das vítimas fatais. Menos de 24 horas depois, Bolsonaro reagiu em mensagem no Facebook. “Muitos gestores e profissionais de saúde fizeram de tudo pelas vidas do próximo, diferentemente daquela grande rede de TV que só espalhou o pânico na população e a discórdia entre os Poderes", escreveu.

Bolsonaro acusou o jornalismo da Globo de se pautar pela "desinformação". "O tempo e a ciência nos mostrarão que o uso político da covid por essa TV trouxe-nos mortes que poderiam ter sido evitadas", alegou. "De forma covarde e desrespeitosa aos 100 mil brasileiros mortos, essa TV festejou essa data como uma verdadeira final da Copa do Mundo, culpando o Presidente da República por todos os óbitos."

No final do post, Jair Bolsonaro associou críticas frequentes direcionadas a ele nos telejornais da Globo à decisão de reduzir drasticamente a publicidade estatal nos intervalos da emissora. "Estão com saudades daqueles governantes que sempre os colocavam como prioridade ao fazer o Orçamento da União, mesmo sugando recursos da saúde e educação".

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