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Quarteto odiado: os maiores 'inimigos' de Bolsonaro na mídia

Há algo em comum entre os desafetos influentes do presidente: todos têm ou tiveram ligação com a Globo

25 ago 2020
11h05
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"Muitas vezes não temos tempo para dedicar aos amigos, mas para os inimigos temos todo o tempo do mundo", escreveu o romancista Leon Uris (1924-2003). Jair Bolsonaro não abre mão de privilegiar seus maiores críticos na imprensa.

O presidente e seus desafetos Huck, Wyllys, Bonner e Mainardi: infinitos ataques e contra-ataques em guerra virtual
O presidente e seus desafetos Huck, Wyllys, Bonner e Mainardi: infinitos ataques e contra-ataques em guerra virtual
Foto: Fotomontagem: Blog Sala de TV

O presidente faz questão de contestá-los nas redes sociais e diante das câmeras. Uma espécie de guerra digital entre o chefe do Executivo e aqueles que se dedicam a analisar e desconstruir suas principais declarações e atitudes. Quatro deles se destacam.

Diogo Mainardi

Sócio-fundador do portal O Antagonista e da revista online Crusoé, o jornalista e escritor foi entusiasta de Bolsonaro na eleição de 2018. O apoio expressado nas redes sociais e na TV durou pouco. Logo passou a disparar críticas contra o presidente em seus veículos digitais e também na participação semanal no programa Manhattan Connection, da GloboNews. Diretamente de Veneza, onde mora, Mainardi voltou a atacar Bolsonaro em vídeo postado na segunda-feira (24), em reação a mais uma declaração polêmica do chefe do Executivo. "Bolsonaro disse que os bundões têm mais chance de morrer de covid-19. Alguém cujo pai morreu de covid-19 pode sentir vontade de dar uma porrada na boca do presidente da República ou isso é se igualar ao que ele tem de pior, seu espírito mais arcaico, mais brucutu, essa sua personalidade estupidamente, asquerosamente animal?", disse, referindo-se ao pai dele, o premiado publicitário Enio Mainardi, morto aos 85 anos por complicações do novo coronavírus no último dia 8.

Jean Wyllys

A animosidade entre o jornalista e o ex-capitão do Exército vem da época em que conviviam na Câmara. Em abril de 2016, durante votação no plenário, ele cuspiu na direção de Bolsonaro. Disse ter sido provocado pelo rival. "Cuspiria na cara dele quantas vezes eu quisesse", declarou, ainda no calor da situação. Após renunciar ao terceiro mandato de deputado federal, sob a alegação de recorrentes ameaças de morte, Wyllys passou a fazer oposição ao presidente nas redes sociais (principalmente no Twitter) e nas entrevistas à imprensa brasileira e na mídia estrangeira. Tornou-se o maior crítico de Bolsonaro no exterior. Em entrevistas, já chamou o presidente de "energúmeno", "incompetente", "imbecil", "moleque", "machista", "racista", "homofóbico",  "misógino", "corrupto" e "burro", entre outros termos. Mestre em Letras e Linguística, Jean Wyllys ganhou fama instantânea em 2005 ao participar da quinta edição do reality show Big Brother Brasil, de onde saiu campeão. No mesmo ano, foi repórter do Mais Você de Ana Maria Braga. Em 2014 tornou-se apresentador no Canal Brasil (pertencente à programadora Globosat) de uma sessão de curtas-metragens engajados com as reivindicações de gays, lésbicas, bissexuais, transexuais e travestis.

William Bonner

O noticiário crítico do Jornal Nacional deixa Bolsonaro tão irritado que ele desafiou seu âncora e editor-chefe para um confronto cara a cara, ao vivo, diante das câmeras. Não foi atendido, por enquanto. Em outubro de 2019, ao reagir a uma matéria a respeito de hipotético envolvimento dele com o assassinato da vereadora Marielle Franco, o presidente chamou a Globo de "pobre, canalha, sem escrúpulo" durante uma live. Em abril desse ano, novo ataque por conta da cobertura feita pela emissora das ações do governo contra a pandemia de covid-19. "Essa imprensa lixo chamada Globo. Ou melhor, lixo dá para ser reciclado. Globo nem lixo é, porque não pode ser reciclada", disse diante de um grupo de repórteres. Por ser o principal representante do jornalismo do canal, Bonner virou alvo de bolsonaristas em geral e haters. Passou a ser tão atacado nas redes sociais que abandonou a interação com seus seguidores. Apesar disso, ele continua a capitanear o monitoramento incisivo da Globo em relação a Bolsonaro e seus filhos parlamentares.

Luciano Huck

Em 2018, parte da imprensa repercutiu um vídeo do apresentador no qual sinalizava voto em Bolsonaro, apesar de fazer ressalvas ao então candidato. Meses depois, o dono do Caldeirão mudou de posição. "Não acredito que ele é o primeiro capítulo da renovação, mas o último capítulo do que não deu certo", anunciou. A declaração fez ressurgir a expectativa a respeito de possível candidatura de Huck ao Planalto em 2022. Comunicador popular, com imagem ligada à assistência social e discurso moderado apreciado pelo mercado, seria uma pedra no caminho da reeleição de Bolsonaro. "Povo não vai votar em pau mandado da Globo", disparou o presidente ao comentar a respeito do provável concorrente. Luciano Huck não se intimidou: continua a contestar o atual chefe do Executivo. Na segunda-feira (24), foi ao Twitter repercutir a asserção de Bolsonaro a um repórter de O Globo. "Quem deveria dar exemplo ao país ameaça de porrada um jornalista que apenas faz seu trabalho no domingo. Qdo poderia estar c/ a família em casa. Tentar calar a imprensa é buscar esconder o que é de interesse público. Autoritário e nada democrático. Por que tanto nervosismo?"

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