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'As Malvadas' usa sarcasmo para discutir o bullying familiar

Espetáculo surpreende ao apresentar André Segatti, Chico Terrah e Marcelo Mansfield em hilária caracterização como mulheres

4 jun 2019
18h45
atualizado às 18h48
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Fala-se muito da concorrência no mercado profissional e no ambiente acadêmico, mas pouco se discute a respeito da rivalidade doméstica.

André Segatti, Chico Terrah e Marcelo Mansfield: descontruir a si mesmos para depois compor personagens exóticas
André Segatti, Chico Terrah e Marcelo Mansfield: descontruir a si mesmos para depois compor personagens exóticas
Foto: Divulgação

Esta é a premissa de As Malvadas, peça escrita por Alessandro Marson, autor-colaborador de novelas como Novo Mundo, Araguaia e Avenida Brasil, e com direção de Márcio Rosário, também ator e produtor de cinema.

O público acompanha um dia caótico no apartamento-mausoléu das irmãs Sharon, Sheila e Shirley.

O convite para uma grande festa quebra a rotina monótona do trio de solitárias.

Mas apenas uma delas poderá ir ao evento. A disputa pela oportunidade de brilhar individualmente gera o conflito dramatúrgico da comédia escrachada.

O cenário reproduz um apartamento que mais parece um depósito de velharias onde as três irmãs teriam sido esquecidas
O cenário reproduz um apartamento que mais parece um depósito de velharias onde as três irmãs teriam sido esquecidas
Foto: Divulgação

Com deboche e acidez, Marson usa o texto para suscitar reflexão a respeito dos ‘inimigos íntimos’ que cada pessoa tem dentro de seu próprio núcleo familiar. Muitas vezes, a sabotagem vem de onde menos se espera.

Com direção de arte que salta aos olhos pelo excesso – muitas cores, brilhos e elementos kitsch –, a peça se tornou um desafio especial aos protagonistas.

Afinal, se já é difícil para um homem interpretar uma mulher, fica ainda mais complexo quando a personagem beira o realismo fantástico.

“Buscamos a desconstrução total do nosso ‘eu’ até a construção da personagem, que vai desde o psicológico até o físico, para que assim tenhamos uma naturalidade comportamental”, explica André Segatti.

A competição entre as irmãs invejosas de As Malvadas pode representar também o clima espinhoso no meio artístico, onde todo mundo quer ficar no melhor lugar diante dos holofotes.

“Devemos ter amor e respeito entre os familiares e com todos que convivemos, pois as diferenças existem e sempre existirão. É justamente por meio delas que aprendemos a ser pessoas melhores.”

Chico Terrah afirma que estamos na época ideal para discutir temas ligados ao pensamento coletivo.

“O momento está tenso por falta de verdades profundas. A comédia é a forma mais dinâmica e certeira para dizer isso”, explica.

“A peça mostra que, quando nos dividimos, nós enfraquecemos. A inveja e a competitividade nos tornam mais frágeis diante dos opressores.”

As Malvadas tirou da zona de conforto o experiente Marcelo Mansfield.

“Foi desafiador sair de um formato simples, como o stand up comedy, e entrar no ringue com mais dois atores, para criar em cima de um texto que não era meu”, revela.

Ao comentar a essência do espetáculo, o ator e comediante recorre a uma frase da série de TV Feud, que retratou a guerra de egos entre as estrelas de Hollywood Joan Crawford e Bette Davis.

“Rivalidade não tem nada a ver com ódio, tem a ver com dor.”

Mansfield faz um paralelo entre o que se viu no elogiado programa do canal FX e aquilo que o espectador acompanha na peça em cartaz no Teatro Faap.

“Aconteceu com Joan e Bette, e ocorre também com as três irmãs durante a peça: sofrem juntas, independentemente do ódio e do amor que sentem entre elas.”

As Malvadas
Teatro FAAP: Rua Alagoas, 903, Higienópolis, São Paulo.
Quartas-feiras às 21h 
Ingresso: R$ 80,00
Duração: 70 minutos 
Indicação de faixa etária: 12 anos
Televendas: (11) 3662-7232

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