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11/9/2001: 19 anos atrás, a escalada do JN foi puro terror

Ataques contra alvos nos Estados Unidos inauguraram nova fase no telejornalismo e provocaram transformações no mundo

11 set 2020
10h59
atualizado às 11h02
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Fátima Bernardes: — Onze de setembro de 2001.
William Bonner: Uma terça-feira que vai marcar a história da humanidade.
Fátima: — A maior potência do planeta é alvejada pelo terror.
Bonner: — World Trade Center, Nova York.
Fátima: — No mais importante centro financeiro do mundo, uma torre queima após ser atingida por um avião.
Bonner: — Enquanto o incêndio avança no arranha-céu, um segundo avião é jogado contra a torre vizinha.
Voz em off de uma testemunha ocular do impacto: — Oh, my God!
Fátima: — E em menos de duas horas, dois dos prédios mais altos do mundo se desfazem numa montanha de poeira e fumaça.
Bonner: — Na cidade-sede do poder americano, outra aeronave despenca sobre o Pentágono, o centro de inteligência militar.
Fátima: — E mais um Boeing cai na Pensilvânia.
Bonner: — O planeta em alerta geral.
Fátima: — Chefes de Estado condenam o banho de sangue.
Bonner: — E reforçam a segurança nas fronteiras.
Fátima: — Bolsas de valores e moedas internacionais são abaladas pelos atentados.
Bonner: — Nos territórios ocupados por Israel, palestinos comemoram a maior ofensiva terrorista de todos os tempos.
Fátima: — E na madrugada no mundo árabe, explosões. Mísseis riscam o céu de Cabul, a capital do Afeganistão.
Bonner: — O Jornal Nacional mostra a análise de especialistas sobre as consequências dos ataques.
Fátima: — O depoimento dos brasileiros que testemunharam a tragédia.
Bonner: — O apoio oficial aos que estão nos Estados Unidos.
Fátima: — O dia em que os americanos experimentaram o horror de uma grande guerra.
Bonner: — O Jornal Nacional está começando agora.

William Bonner e Fátima Bernardes: edição especial do JN naquele terrível 11 de setembro teve 1 hora de duração
William Bonner e Fátima Bernardes: edição especial do JN naquele terrível 11 de setembro teve 1 hora de duração
Foto: Reprodução


Após a vinheta de abertura, a âncora enfatizou: “Foram se registrando acontecimentos que nenhum roteirista de Hollywood imaginou. E era tudo real”. A primeira matéria daquela edição histórica do JN, 20 anos atrás, foi do correspondente Edney Silvestre. Ele relatou o susto com o primeiro avião, o pânico provocado pela segunda aeronave, a correria de nova-iorquinos e turistas nas ruas, o que viram alguns brasileiros moradores da cidade.

A seguir, de Washington, Luís Fernando Silva Conta mostrou o estrago feito pelo 757 que atingiu o inconfundível prédio do Departamento de Defesa dos Estados Unidos. As reportagens seguintes foram de Heloísa Villela (hoje na RecordTV) e Zileide Silva, ambas em NYC. Arnaldo Duran (agora na RecordTV), que estava em férias na cidade e passou a colaborar na cobertura, contou como o presidente George Bush recebeu a notícia dos ataques e o esquema da Casa Branca para protegê-lo.

Jorge Pontual estava a bordo de um avião, à espera da decolagem de Nova York para a capital norte-americana, quando soube dos fatos. Todos os passageiros foram obrigados a sair do aeroporto e ele se juntou aos colegas da Globo na cobertura do horror na cidade mais cosmopolita do planeta. No Brasil, Flavio Fachel falou das consequências do cancelamento de todos os voos do Brasil para os Estados Unidos.

De Londres, Ernesto Paglia destacou o medo de retaliação militar em países árabes e a tensão entre as comunidades muçulmanas na Europa. Em São Paulo, Alberto Gaspar entrevistou lideranças religiosas a respeito do temor de uma onda de preconceito contra praticantes do Islã. Marcos Losekann circulou pelo centro financeiro londrino, fechado por precaução.

Edney Silvestre, Luís Fernando Silva Pinto, Zileide Silva e Arnaldo Duran: repórteres no epicentro da notícia
Edney Silvestre, Luís Fernando Silva Pinto, Zileide Silva e Arnaldo Duran: repórteres no epicentro da notícia
Foto: Reprodução

Em Nova York, William Waack (atualmente na CNN Brasil) comentou as possíveis consequências à economia dos atentados “no coração do capitalismo globalizado”. Em Brasília, Heraldo Pereira detalhou a reação do presidente Fernando Henrique Cardoso e do governo. Roberto Kovalick transmitiu informações aos brasileiros que precisavam de ajuda nos Estados Unidos e às famílias de possíveis vítimas.

O Jornal Nacional daquele dia assustador terminou com um clipe de imagens do choque dos aviões contra o WTC e de uma irreconhecível Manhattan, coberta por fuligem e destroços. A partir daquela terça-feira, o jornalismo contemporâneo em geral ‘acordou’ para as temáticas de guerra e dos conflitos étnicos, ideológicos e religiosos. Lançou-se olhar de maior interesse sobre os militares e as defesas das nações. O mundo havia mudado – e a imprensa foi obrigada a tentar entender as consequências dessa abrupta transformação.

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