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Apresentado por Lázaro Ramos, novo game show ativa memória afetiva ao relembrar décadas passadas

Programa 'Os Melhores Anos das Nossas Vidas', que estreia nesta quinta, 11, na Globo, traz para a competição os universos relacionados aos anos 1960, 1970, 1980, 1990 e 2000

11 out 2018
06h11
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Com a carreira de ator já consolidada, Lázaro Ramos chegou a um ponto da vida em que se permite avançar para outras áreas. Foi assim na literatura - o que lhe rendeu elogios a seus dois livros infantis e também a Na Minha Pele. É assim como apresentador - passando pelo programa Espelho, que comanda há 13 anos no Canal Brasil, e Lazinho Com Você, na Globo. E, agora, em Os Melhores Anos das Nossas Vidas, que estreia nesta quinta, 11, Lázaro apresenta, pela primeira vez, um programa com formato que já existe (da Endemol) e que ganhou versão por aqui pela Globo.

"Faz alguns anos que tenho feito tanta coisa autoral que achei bom estar presente num produto que já existe", comenta o ator, ao Estado. "Tive outras oportunidades de apresentar. Primeiro foi no Fantástico, depois foi o Espelho, depois foi Lazinho Com Você, mas eram experiências muito diferentes. O Lazinho vai rodando o País, encontrando pessoas. O Espelho é uma coisa mais intimista, e agora é a experiência do auditório. Para mim, é tudo novo, é algo a mais para se aprender no trabalho de comunicador, mas estou gostando muito, porque tem me lembrado meu período de teatro de grupo na Bahia."

Exibido às quintas, após Carcereiros, o game show Os Melhores Anos das Nossas Vidas, que tem direção-geral de Bernardo Portugal, traz para a competição os universos relacionados a cinco décadas: 1960, 1970, 1980, 1990, 2000. Sob o comando de Lázaro Ramos, a disputa contará com cinco líderes à frente de cada década: Marcos Veras ficará responsável pelos anos 1960; Marco Luque, pelos 1970; Lúcio Mauro Filho, pelos 1980; Ingrid Guimarães, pelos 1990; e Rafa Brites, pelos 2000. O objetivo deles é mostrar que a década que está sob sua guarda é a melhor de todas. "Não é uma defesa como um historiador, é uma defesa com o tom do trabalho desses artistas", diz Lázaro. "Tem sido preservada a identidade das pessoas ao falar desses assuntos."

A cada episódio, duas décadas vão se enfrentar. E, até o final da temporada, todas as décadas vão se encontrar no palco. Entre os temas que entrarão no jogo, estarão música, moda, cinema, notícias, entre outros. Um prato cheio, sobretudo, para a apresentação dos números musicais. No programa de estreia, por exemplo, em que os anos 1980 e 1990 vão se confrontar, Paulo Ricardo vai representar a década de 1980 e Pepeu Gomes, a de 1990. Ex-participantes do The Voice também vão relembrar os sucessos dentro de seus respectivos times.

Além de conduzir essa disputa dinâmica, Lázaro fará as entrevistas. "A gente tem um quadro que é para relembrar notícias que aconteceram em determinada época da década e, se tiver um personagem que seja importante para contar essa história, ele vem ao palco e a gente conversa um pouco sobre isso", destaca o apresentador, que tem longa experiência como entrevistador, adquirida nesses 13 anos de Espelho, programa mais longevo do Canal Brasil e, segundo ele ressalta, da TV por assinatura.

O júri será formado por uma plateia de 100 jovens, entre 18 e 20 anos. A faixa etária é proposital, afinal, como não viveram em nenhuma dessas décadas, eles têm referências delas apenas pelo que leram e ouviram falar. "À medida que vão assistindo, eles vão votando, através de um celular, na década que mais gostaram", explica Lázaro.

Ele conta que observou uma imagem interessante nos primeiros episódios que já gravou: a plateia dos jovens votantes posicionada na frente e, logo atrás, o público formado por pessoas de outras idades, que estão no auditório para assistir ao game e reativar suas memórias afetivas. "Então, a cada material que vai aparecendo, a cada música que vai sendo cantada, você vai vendo a diferença na hora da reação. Acaba que une as idades, com conteúdos diferentes."

O próprio Lázaro se considera um saudosista. Gosta, por exemplo, de escrever cartas - mesmo que não as mande. "Coleciono fichas telefônicas e tenho roupa dos anos 1990, um short com duas listras brancas do lado." A década de 1990, aliás, ocupa um lugar especial em suas lembranças. "É um momento que definiu tudo o que tenho vivido até hoje, que foi a época que comecei a fazer teatro, me profissionalizei."

Além de estar à frente do novo game show, Lázaro conta que, em novembro, deve se reunir com o restante da equipe do Espelho para pensar na 14.ª temporada, que vai ao ar no ano que vem. "A gente tem feito muito assim: na primeira reunião, vemos o que aconteceu historicamente no nosso ano e o que é que a gente intui que o País vai querer discutir no ano seguinte." Sobre Lazinho Com Você, ele conta que o programa pode voltar a qualquer momento. "Teve uma 1.ª temporada com 5 episódios e depois se considerou que ele é mais uma maneira de falar sobre determinados assuntos. Então, sempre que se tiver precisando tratar dos assuntos com aquele tom, o Lazinho pode ser convocado a retornar à programação."

Com o fim da bem-sucedida série Mister Brau, Lázaro diz não ter nenhum trabalho como ator em vista por ora. Mas se dedica a seu novo livro infantil, que deve ser lançado até o início de 2019. "É sobre um assunto que está me interessando muito, que é como saber lidar com os sentimentos. É falar com as crianças sobre como identificar o que está sentindo", adianta ele. "A vida ficou muito corrida, não se dá tempo, tem que ter resposta para tudo imediatamente. Isso é uma preocupação que tenho com a infância, de a criança conseguir entender o tempo de produção de conhecimento, tempo de amadurecer aquilo que ela está sentindo, a informação que recebe."

Estadão

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