Script = https://s1.trrsf.com/update-1765905308/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Aos 75, Juca Oliveira diz sentir "frio na barriga" com trabalho

22 dez 2010 - 08h52
Compartilhar
Márcio Maio

Com sua vastíssima experiência e reputação excepcional, tanto no teatro como na TV, Juca de Oliveira parece um artista a anos-luz dos medos e inseguranças dos estreantes. Mas, aos 75 anos, vive o "frio na barriga" mais uma vez. Em Diversão.com, especial que a Globo exibe na noite do dia 22 de dezembro, o ator estreia como autor na TV. O programa mostra as confusões profissionais e pessoais do departamento de criação da empresa de entretenimentos que dá nome ao projeto. Como, por exemplo, da engraçada Paula, personagem de Christine Fernandes, que tem imagens de sua intimidade com o ex-namorado expostas na internet. "Trata-se de uma comédia de situações onde todos os envolvidos evoluem. Essa é uma característica fundamental da comédia trágica. O humor sai da verdade", resumiu Juca. A ideia é transformar o programa em seriado em 2011. Mas não existe nenhuma confirmação, apenas conversas avançadas. "A resposta final deve vir no ano que vem. Mas a expectativa é a melhor possível", torceu ele, que não pretende atuar nesse projeto. "Em princípio, não quero misturar as coisas. Além do mais, a Globo deve ter outros planos para mim", desconversou.

Como surgiu a ideia de apresentar Diversão.com na Globo? Foi uma ideia sua ou a emissora encomendou o especial?

Tudo começou quando o Ricardo Waddington me convidou para fazer A Cura. Nós saímos para comer e ele me perguntou o que eu estava fazendo. Respondi que estava escrevendo algo para a TV, contei detalhes de alguns episódios e ele sugeriu que fizéssemos na Globo. Marcamos uma reunião e fiz uma leitura para a direção da emissora. Eles gostaram e tudo começou. Depois disso, tive a grata surpresa de saber que o Marcos Paulo seria o encarregado de dirigir.

Então a ideia é transformar Diversão.com em seriado em 2011?

Sim. Ainda não sabemos se com oito, 13 ou mais episódios. Pensamos em, pelo menos, uma temporada. É uma comédia brasileira, dramática, com começo, meio e fim. Mas o que acho importante é que nós escolhemos para o palco do drama dessas criaturas uma empresa de entretenimento. Porque é uma empresa que produz grandes eventos, espetáculos, mídias novas, que trabalha permanentemente com a internet. E essas personagens estão também permanentemente no espetáculo. Mas cada episódio começa e termina. Alguns elementos são conduzidos para os próximos, mas eles se encerram. Além disso, cada personagem tem seu drama, seu conflito, seu interesse, coisas que todos enfrentam na sociedade contemporânea.

Você busca referências em seriados estrangeiros? Tem algum preferido?

Assisto vários. Acho que Friends é um exemplo clássico. Todo mundo já viu. Deve ser a sitcom mais famosa de todos os tempos. O que chama atenção ali - e que, pelo que vi, o Marcos também faz - é representar uma comédia baseada fundamentalmente na verdade. Os grandes mestres das comédias sempre defendem que elas devem ser baseadas na verdade. As situações são engraçadas para quem assiste, não para quem vive. No próprio Friends, a Phoebe e a Rachel têm brigas de irem às lágrimas, mas de tão inusitadas, levam o telespectador ao riso.

Segundo a Globo, Diversão.com é inspirado na peça Qualquer Gato Vira-Lata Tem uma Vida Sexual Mais Sadia que a Nossa. Que implicações você teve para adaptar um texto de teatro para a TV?

Na verdade, no final, o que mais em comum os dois projetos têm é o fato de ambos terem surgido de pesquisas. Para o espetáculo, me baseei em assuntos discutidos com a minha filha, para que ela fosse um pouco mais dura com os namorados. Agora, já na faixa dos 30, mais recentemente, ela teve essa ideia de novamente abordar questionamentos, mas em personagens mais próximos da idade dela. Não tem o mesmo tema, mas o conflito entre homem e mulher vai aparecer sempre.

Depois dessa pesquisa, você concluiu que as mulheres aprenderam a ser mais duras com os homens?

Acho que as mulheres não aprendem nunca. É uma coisa absolutamente natural. Se a gente for analisar, não há uma modificação profunda desde a época das cavernas para o que se vê na Avenida Paulista. Quando fiz Otelo, de Shakespeare, a morte da Desdêmona me deixou chocado. Um homem apaixonado matando a sua mulher não é uma ideia fácil de entender. A gente imagina que, com a evolução dos anos, as relações possam se tornar mais elásticas e que algo assim não aconteça mais. Só que nunca vimos tantos assassinatos de mulheres como hoje. O problema do ciúme, das relações familiares, das separações afetando os filhos, esse momento que a mulher vive do dilema entre a família e a realização profissional e pessoal é um problema terrível.

Diversão.com - Globo - Quarta, 22 de dezembro, por volta das 22h45.

Juca de Oliveira
Juca de Oliveira
Foto: Jorge Rodrigues Jorge/ Carta Z Notícias / TV Press
Fonte: TV Press
Compartilhar
TAGS
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra