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Ao contrário de 2018 e 2022, Globo não tem ‘inimigos’ entre atuais presidenciáveis

Primeira cobertura eleitoral sem Bonner deve ser mais calma para a emissora que já foi alvo da direita e da esquerda

4 abr 2026 - 07h44
(atualizado às 07h44)
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Duas novidades vão marcar a cobertura da eleição presidencial de 2026 na Globo, com reflexo na GloboNews.

A primeira é a ausência de William Bonner. Ele era o principal nome do noticiário diário, do debate de maior audiência e da cobertura da contagem de votos desde 1996.

Sua ausência, após deixar o ‘Jornal Nacional’, coloca no lugar César Tralli. Ele e Renata Vasconcellos farão as sabatinas na bancada do telejornal e vão mediar o primeiro confronto entre candidatos ao Palácio do Planalto.

A outra novidade é que, por enquanto, a Globo não tem um ‘inimigo’ declarado entre os presidenciáveis. 

Em 2018, esse posto foi ocupado por Lula, preso na carceragem da Polícia Federal em Curitiba.

Em entrevistas na cadeia, o petista fez várias críticas à emissora pela cobertura de seu julgamento e desafiou Bonner — a quem chamou de mentiroso — a entrevistá-lo. Não foi atendido.

Ainda naquele pleito, Jair Bolsonaro também se colocava como adversário da Globo.

Na campanha, insinuou que poderia não renovar a concessão pública do canal caso chegasse à Presidência. 

Usou inúmeras vezes o apoio do fundador da TV, Roberto Marinho, aos generais da ditadura militar para atacar o jornalismo da emissora.

Esse tom de animosidade se manteve na eleição de 2022. Bolsonaro dobrou os ataques à Globo em consequência da cobertura crítica de seus atos e declarações na pandemia.

Xingou o canal de “TV Funerária”, “imprensa lixo”, “nojenta”, “podre”, entre outros impropérios. Na sabatina no ‘JN’, houve forte embate contra Bonner e Renata.

Inelegível devido à condenação no STF, Bolsonaro está fora da próxima eleição.

Seu provável representante na urna eletrônica, o filho mais velho, senador Flávio Bolsonaro (PL), já soltou um “Globo lixo”, mas sua postura é bem mais diplomática em relação à emissora número 1 no Ibope.

Ele sempre atendeu aos convites de entrevistas na GloboNews e mantém contato “em off” com apresentadores e comentaristas políticos do canal de notícias.

Caso seja confirmado na corrida eleitoral, não deverá ser visto como um candidato anti-Globo, assim como foi o pai.

Lula fez as pazes com Bonner na sabatina de 2022, quando ficaram cara a cara pela primeira vez desde a saída dele da prisão. O clima da entrevista foi amistoso.

E assim tem sido ao longo do terceiro mandato. O ranço do esquerdista contra a emissora parece ter ficado no passado.

Jornalistas da Globo e GloboNews até já foram recebidos no Palácio da Alvorada, a residência oficial da Presidência.

Entre os outros pré-candidatos a chefe do Executivo — Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Aldo Rebelo (Democracia Cristã), Renan Santos (Missão) e Cabo Daciolo (Mobiliza) — também não há um ‘inimigo’ ferrenho da mais influente rede de televisão do país.

César Tralli e Renata Vasconcellos vão comandar as sabatinas na bancada do 'JN' e o debate de 1º turno com os candidatos à Presidência
César Tralli e Renata Vasconcellos vão comandar as sabatinas na bancada do 'JN' e o debate de 1º turno com os candidatos à Presidência
Foto: Reprodução
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