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Antonio Calloni se diz 'fascinado' por seu personagem em 'Além da Ilusão'

A atriz Glória Pires faz participação especial como a médica psiquiatra Nise da Silveira

22 jul 2022 - 17h45
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Há personagens que despertam no público sentimentos ambíguos, intercalando momentos em que o sangue ferve, tamanha a raiva por suas atitudes, com outros, em que a humanidade por trás daquele indvíduo aflora uma compaixão. Atualmente, o ator Antonio Calloni, 60 anos, tem conseguido esse feito na novela Além da Ilusão, escrita por Alessandra Poggi e com direção artística de Luiz Henrique Rios.

Na trama, o ator interpreta o juiz Matias Tapajós. Homem austero, que preza pela moral e bons costumes, coloca a família acima de tudo. Com a proximidade do seu final, previsto para 19 de agosto, a novela vem ganhando mais intensidade e dramaticidade. Algumas histórias já estão se fechando, mas essa que envolve o desorientado Matias ainda tem muito a ser desenvolvida. O personagem vive em seu mundo deformado pela esquizofrenia, e, em sua loucura, é capaz de machucar quem está ao seu lado.

Em conversa com o Estadão, Antonio Calloni comemora a novela e por viver o complicado Matias. "Eu estou muito, não é pouco não, fascinado por esse personagem", diz o ator. Para Calloni, Matias é um homem muito complexo e o ator se empenha - e sente que tem conseguido - em deixá-lo no plano do humano. "É um personagem com uma dimensão trágica muito grande, porque antes do advento do tiro, do assassinato, ele cometeu erros na vida. Mas, naquela época, eram erros muito mais fáceis de serem assimilados na década de 1940, por exemplo." Na história, Matias matou a filha Elisa (Larissa Manoela) por não aceitar o namoro dela com o mágico Davi (Rafael Vitti).

Ele era um ser humano amoroso, responsável e depois da tragédia, conta Calloni, se perdeu. "Está em queda livre, em direção a não se sabe onde, e é um ser que sente muito medo, sozinho e desesperado", explica ele. Um caminho sem volta e cada vez mais distante da realidade. Matias, avalia o ator, é uma figura fascinante, um personagem ambíguo, que suscita ódio, pena e até uma certa empatia. Mas isso "no sentido de perceber que ele é um ser humano falho e que cometeu erros graves na vida", explica Calloni. "Eu costumo chamá-lo de cavaleiro da triste figura do abismo, como eu o apelidei."

Tema próximo

Para Calloni, esse contato com a esquizofrenia tem proximidade com a vida pessoal - ele diz ter vivido o problema dentro de casa. "Tenho um caso na família que é o de minha avó. Ela era esquizofrênica e a irmã gêmea dela, que vivia na Itália, também era. Conheci as duas", revela o ator. Segundo conta, "elas eram idênticas, inclusive na doença".

Foi ainda na infância, ele devia ter 12 anos. "Tem uma história muito bonita com a minha avó, que acordava gritando no meio da noite. Ela dizia, 'eu perdi o trem', mas em italiano", recorda. Então Calloni levantava para ver o que ocorria e via a avó na porta do quatro, com uma trouxa de roupa no ombro, esperando o trem. "E eu dizia para meus pais, calma, porque eu também vi o trem passar, e daí eu criava uma história com ela", conta.

O menino ia mostrando para a avó que não existia o trilho, que o chefe da estação não estava mais ali, e a levava de volta para a cama, onde conversavam muito. "Eu entrava na loucura dela e ia trazendo ela de volta, e ela ia se acalmando e dormia."

Para viver o atormentado Matias, Calloni explica que não precisou de uma preparação específica, como em qualquer outro trabalho. "Eu sinto muito prazer em entrar nesse universo onírico infantil", conta o ator, que diz que o princípio da atuação é o mesmo de quando "a gente brincava de faz de conta quando criança". Quanto ao personagem em si, o ator é categórico em dizer que nada do que é humano lhe é estranho. "Tenho todas as possibilidades dentro de mim: ódio, amor, poder de destruir e construir. A humanidade é assim."

Presença especial

No capítulo que vai ao ar dia 29, a atriz Glória Pires entra em cena na novela interpretando a psiquiatra Nise da Silveira, personagem que viveu no filme de Roberto Berliner, em 2015. Na cena curta, que tem intenção de prestar homenagem à médica, Matias está internado no sanatório, e Leônidas (Eriberto Leão) descobre que a doutora Nise está no local explicando sua forma de trabalho. O rapaz consegue. Ela vai até ele, que está amarrado a uma maca, e conversa sobre sua terapêutica, conseguindo acalmá-lo.

Gírias são ponto de destaque em trama de época

Atração do horário das 6, a novela Além da Ilusão conta uma história ambientada nos anos 1940. Entre fatos históricos, romances e tramoias, a autora Alessandra Poggi coloca em cena as diversas curiosidades da língua portuguesa da época, repleta de termos e gírias que não se usam mais. Por isso mesmo, atiçam a curiosidade do público em geral, divertindo e revelando como uma geração se portava também por meio do linguajar.

Segunda a autora, o trabalho de resgate das gírias da época começou com uma "pesquisa, que era pequenininha, e a gente foi aumentando à medida que foi conhecendo mais palavras", explica. Alessandra se aprofundou no tema lendo muitos livros da época, até o momento em que sua colaboradora, Letícia Mey, disse que tinha um dicionário com os termos. A dramaturga conta que não conseguiu ler tudo, mas muitas vezes é ele que fornece o material a ser usado na trama. "Algumas coisas foram mudando com o tempo e outras sumiram completamente", analisa.

Expressões

Para as pessoas de hoje em dia, algumas palavras ou expressões soam engraçadas ou sem sentido. Mas, naquela época, em que é situada a novela Além da Ilusão, era tudo muito claro. Dizer que alguém é cabeça de bagre significa afirmar que se trata de uma pessoa estúpida. É um xingamento, levinho para os dias atuais, claro.

Outra que causa estranheza, e pode ter explicação errada atualmente, cheio de erva é apenas para afirmar que fulano é rico. Já encher a caveira quer dizer que vai beber muito, assim como "tomar uma carraspana" tem o sentido de "tomar um porre". Algo que esteja na moda? Na época era "a coqueluche do momento".

Se algo é certo de acontecer, não tem como falhar, então isso são "favas contadas". Quando o assunto era dizer que a pessoa em questão era bonita, era tascar um "biju, brotinho, uva, mimosa ou teteia". E, se estivesse cansado, estaria "em pandarecos".

Estadão
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