Sintonia 'é sobre escolhas, consequências, momentos, família e amizade', diz Bruna Mascarenhas
Bruna Mascarenhas interpretou Rita nas cinco temporadas de Sintonia, uma das primeiras grandes produções brasileiras da Netflix
Conhecida por interpretar Rita nas cinco temporadas de Sintonia, que acabou na última quarta, 5, Bruna Mascarenhas comandou a narrativa da série, descrita por ela como "realização tremenda," ao lado de Christian Malheiros (Nando) e Jottapê (Doni).
Em entrevista à Rolling Stone Brasil, a atriz niteroiense celebrou todo o sucesso do seriado desde 2019, quando saiu a primeira temporada, falou sobre a evolução dela enquanto atriz, a representatividade que a produção traz para as periferias e comentou os próximos passos da carreira. Leia abaixo:
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O que Sintonia representa para você?
Afeto, amizade, amadurecimento, família, profissionalismo, trabalho e uma sensação de realização tremenda.
O que você aprendeu com este trabalho?
Aprendi a ser profissional no meu ofício, a ser ainda mais disciplinada e gostar disso, me permitir e me surpreender a cada cena, a escutar mais o outro, a construir camadas e mais camadas para uma personagem, aprendi como funciona um set. Aprendi também que um personagem bem construído é um personagem humanizado, que tem seus erros, acertos, qualidades e defeitos; e que tudo isso é um grande reflexo da vida real e que a gente precisa ter esse olhar para as nossas vidas cotidianas, também. Aprendi a ter mais empatia e entendi ainda mais a importância das pessoas se verem representadas nas telas, o quanto de impacto isso gera.
Como foi interpretar Rita nesses seis anos?
Um grande presente desafiador e instigante. Primeira temporada teve o sotaque, o pouco tempo para pegar tudo, a minha entrada no audiovisual; na segunda teve meu estudo sobre a igreja evangélica, com direito a devocional e leitura de bíblia, acho que a cada temporada foi se somando um novo desafio. Fora o desafio comigo mesma, para melhorar a cada temporada, buscar ainda mais profundidade e estofo. Ela teve muitos arcos diferentes, é bonito ver ela desabrochando e encontrando seu caminho. Nessa última eu me surpreendi positivamente com as escolhas que ela fez e sustentou. A gente cria esse elo com nosso personagem, que é uma coisa de doido. Eu vou sentir saudade, sei que ela marcou minha história. Sinto-me orgulhosa do nosso caminho até aqui e preparada para que novos personagens entrem na minha vida e me impactem assim como ela.
Como você enxerga a importância de Sintonia para retratar as vidas e culturas das periferias brasileiras? Você acha que a série dialoga mais com SP ou ela abrange para os quatro cantos do Brasil?
É muito importante se ver na tela, se ver representado, se identificar com as histórias, o universo, o dia a dia. Os personagens servem inclusive de inspiração por conta das conquistas ao longo da caminhada, já que eles têm o mesmo ponto de partida do nosso público. Nosso país é multifacetado, precisamos falar sobre os muitos recortes que temos. Só nos mostra como o investimento no cinema nacional, no audiovisual brasileiro impacta a cultura, a construção e autoestima de uma sociedade. A gente precisa poder contar nossas histórias e ter orgulho de mostrar mundo afora.
E sim, a série retrata SP e o público daqui é muito forte. Mas Sintonia vai muito além de 'onde se passa', mas sim a 'mensagem' que passa. É sobre as escolhas que a gente faz e suas consequências, é sobre momentos, família e amizade. É sobre o dia a dia de muito trabalhador e trabalhadora por aí, é sobre os desafios e alegrias cotidianas.
O que você diria para Rita se a encontrar hoje?
Se orgulhe de você, mulher! Quando tiver perdida, fecha o olho, revisite toda sua caminhada até aqui, suas escolhas e conquistas. Nunca se esqueça dos perrengues, também, eles construíram a mulher que você é hoje e eu sei que você já sabe disso. Viva o agora e seja feliz!! Eu me orgulho de você. Obrigada por tudo! Você é inspiração!
Agora, com o fim da série, o que você pode nos contar dos seus próximos passos na carreira? Já tem algo definido?
Estou em negociação em um projeto de audiovisual, ainda para esse primeiro semestre [de 2025]. Em paralelo vou participar de dois festivais de teatro em março, com a peça "Um clássico: Matou a família e foi ao cinema" - festival farofa que é um braço do MIT e o Fringe que também é um braço do Festival de Curitiba. Além de estrear essa mesma peça aqui em São Paulo em abril. Fora a dublagem, que estou fazendo e esperando os trabalhos saírem. E meu projeto social de dar aulas para adolescentes de TV e cinema nas comunidades; estou em um momento de captação e escrevendo em outros editais para fazer acontecer.
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