São João 2026: Caju e Castanha são um dos homenageados da festa junina no Recife
O São João do Recife 2026 tem a dupla Caju e Castanha entre os homenageados. Com mais de 50 anos de carreira os emboladores e repentistas são referência na cultura nordestina.
O Recife anunciou, nesta quinta-feira, 21 de maio, os homenageados dos festejos juninos 2026, celebrando, pela primeira vez, os profissionais que fazem a festa embaixo dos palcos, dedicando-se aos preparativos, saberes e fazeres artesanais e ancestrais, que garantem a beleza das tradições nordestinas.
Pela primeira vez, o São João do Recife vai homenagear profissionais dos bastidores da festa, protagonistas que não gozam do devido reconhecimento do grande público.
São três artistas que costuram, enfeitam, inventam e reinventam, todo ano, a festa recifense com as próprias mãos e imaginações: a costureira Maria Lúcia Nascimento, conhecida como Mãe Nena, o aderecista e figurinista Ricardo Luiz de Souza e o sapateiro Lucivan Batista dos Santos.
Completa a lista de defensores da cultura nordestina celebrados pela festa a dupla Caju e Castanha, emboladores que confirmam, há 50 anos nos palcos do país, as mais profundas raízes das tradições poéticas, orais e musicais do povo nordestino.
"Estou muito emocionado, porque foi aqui no Recife que comecei minha história, cantando no Mercado de São José. E justamente no momento em que a dupla Caju e Castanha completa 50 anos de carreira, receber esse reconhecimento é muito gratificante", afirmou José Roberto da Silva, o Castanha.
Os homenageados
A famosa dupla de emboladores Caju e Castanha, que confirmam antigas tradições orais e musicais nordestinas, já soma mais de 50 anos de carreira e hoje sobe aos palcos do São João e do mundo em sua segunda formação.
Criada pelos irmãos José Albertino da Silva (Caju) e José Roberto da Silva (Castanha), ainda meninos, batendo lata de marmelada em feiras e praças, a dupla engrossou o couro nos palcos e asfaltos de São Paulo, onde chegou a morar embaixo do Minhocão.
Os versos ligeiros dos irmãos talentosos e resilientes foram amolecendo os corações de concreto. Depois de muitas apresentações e participações em filmes e programas de TV, a dupla ganhou projeção nacional com a embolada "Ladrão Besta e Ladrão Sabido".
Em 2001, o maior dos golpes: José Albertino faleceu e seu sobrinho Ricardo Alves assumiu o sonho, a alcunha e o posto de Caju. A dupla segue, firme e forte, aprumada e afiada, cantando o Nordeste em mais de 20 discos e centenas de palcos pelo mundo afora.
- Maria Lúcia Nascimento (Mãe Nena): Costureira e referência histórica das quadrilhas juninas do Recife. Atua há décadas no movimento quadrilheiro, confeccionando figurinos para grupos tradicionais como Origem Nordestina, Sapeca e Junina Tradição. Também participa do carnaval recifense, produzindo roupas para escola de samba. Formou gerações de quadrilheiros da própria família.
- Ricardo Luiz de Souza: Aderecista, figurinista e artista popular com mais de 30 anos dedicados às quadrilhas juninas. Já passou por diversos grupos tradicionais do Recife e Região Metropolitana, assinando figurinos, cenários e coreografias. Atualmente integra a quadrilha Dona Matuta.
- Lucivan Batista dos Santos: Artesão especializado na produção de sapatos para quadrilhas juninas e manifestações populares. Natural de Nazaré da Mata, confecciona calçados usados por grupos do Recife e Região Metropolitana, cuidando de todo o processo artesanal, do desenho à finalização.
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