Quarteto curitibano Terraplana realiza sua primeira turnê europeia e se apresenta em Paris
O grupo de rock alternativo Terraplana realiza neste mês sua primeira turnê europeia e se apresenta em Paris nesta quarta-feira (19), na sala Supersonic. Com dois álbuns de estúdio lançados, a banda de Curitiba, no Paraná, se consolida como um dos principais nomes da cena alternativa brasileira e conquista, cada vez mais, espaço no circuito internacional.
Daniella Franco, da RFI
Com duas datas em Portugal, uma em Londres, Dublin, Paris e Berlim, Terraplana apresenta ao público europeu uma amostra potente do rock alternativo brasileiro. Formada por Stéphani Heuczuk (voz e baixo), Vinícius Lourenço (voz e guitarra), Cassiano Kruchelski (voz e guitarra) e Wendeu Silverio (bateria), a banda não abre mão das letras em português e acredita no alcance do público por meio da força de sua atmosfera musical.
"Eu acho que a gente tem um pouco de sorte de estar neste nicho de rock alternativo e shoegaze em que as pessoas não se conectam só com a letra, como acontece mais com a música pop", afirma Vinícius Lourenço. "As pessoas que estão no show ouvem os álbuns em casa e procuram o significado das letras, exatamente como a gente faz com a música em inglês no Brasil", explica.
No ano passado, o site americano de música Stereogum colocou o segundo álbum do Terraplana, "Natural", em uma lista dos dez melhores discos de shoegaze de 2025. A banda caiu no gosto da crítica americana depois de uma longa turnê nos Estados Unidos, que impulsionou a carreira internacional do quarteto.
"Sempre foi uma vontade nossa conseguir tocar nos Estados Unidos e na Europa, porque os palcos de Londres, Paris, Dublin ou Los Angeles, Nova York são muito importantes para a história da música no geral", reitera.
Ainda assim, é com o público brasileiro que Terraplana encontra mais calor. "O Brasil é famoso por isso, então as pessoas que são nossos fãs lá são muito fãs. Na Europa e nos Estados Unidos, as pessoas são mais 'na delas', mais reservadas", diz. "Mas é legal ver essa diferença de comportamento das pessoas em cada país."
View this post on Instagram
O rótulo shoegaze
Na imprensa nacional ou no exterior, Terraplana é majoritariamente descrita como uma banda de shoegaze, "que internacionalmente tem um teto muito mais alto do que no Brasil". No entanto, as composições transitam entre vários gêneros introspectivos dentro do rock alternativo - como post-rock, indie, slowcore, dream-pop, entre outros.
"Eu, pessoalmente, prefiro não estar definido somente como shoegaze porque não somos só isso. Pode ser que, no próximo álbum, as músicas não sejam tão shoegaze como foram no último", diz. "Então eu prefiro que se refiram à gente mais como um grupo de rock alternativo do que nos colocarem numa caixa e a gente não conseguir sair mais disso".
De fato, com riffs que dialogam com a mítica Slowdive, mas também com outros grupos célebres do gênero, como Whirr e DIIV, conduzidos pela doce voz de Stéphani Heuczuk, Terraplana mescla diversos estilos sem a necessidade de se fixar em um rótulo. Na cena nacional, a banda também se destaca pela originalidade com que explora o rock alternativo, consolidando‑se como um dos projetos mais singulares desta vertente.
Depois de um ano intenso de promoção e turnês de "Natural", o quarteto pretende se dedicar a novas composições ao final da turnê europeia. Segundo Vinícius, novas faixas serão lançadas em breve em parceria com uma banda americana, antes de o grupo mergulhar no projeto de um terceiro disco.
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.