Noelia Bonifacio, psicóloga: 'A pessoa emocionalmente saudável não é aquela que nunca sente medo, tristeza ou ansiedade'
Reconhecer emoções desconfortáveis sem se julgar por senti-las pode ajudar a enfrentar as dificuldades com mais equilíbrio
Segundo a psicóloga Noelia Bonifacio, a saúde emocional não consiste em anular sentimentos como medo, tristeza ou ansiedade, mas em reconhecê-los e acolhê-los sem autocobrança ou culpa. Esse ponto de vista é respaldado por pesquisas científicas, que indicam que aceitar as próprias emoções e pensamentos negativos diante do estresse, em vez de julgá-los, previne o desgaste psicológico e promove um bem-estar mais duradouro ao longo da vida.
A psicóloga Noelia Bonifacio, autora do livro "Método Noebo", propõe uma reflexão sobre o que significa estar bem.
"A pessoa emocionalmente saudável não é aquela que nunca sente medo, tristeza ou ansiedade", afirmou em entrevista ao AS.
Na prática, o que a especialista quer dizer é que o equilíbrio emocional envolve conseguir reconhecer e compreender o que sentimos, mesmo quando essas emoções são desconfortáveis.
Isso permite atravessar momentos difíceis e recuperar o bem-estar aos poucos, sem transformar cada sentimento em motivo de cobrança.
Afinal, ficar triste depois de uma decepção ou apreensivo diante de uma mudança não significa, por si só, que há algo errado conosco. Cobrar tranquilidade nessas horas pode acrescentar culpa a uma experiência que já é difícil.
O que a ciência diz sobre aceitar as emoções
Essa reflexão encontra apoio em uma pesquisa publicada em 2018 no Journal of Personality and Social Psychology.
Em três estudos, os pesquisadores observaram que o hábito de aceitar pensamentos e emoções sem julgá-los estava associado a melhores indicadores de saúde psicológica.
Em uma das etapas, com 222 participantes, essa aceitação esteve ligada a menos emoções negativas diante do estresse cotidiano, o que ajudou a explicar sua relação com o bem-estar seis meses depois. Os resultados sugerem que a maneira como reagimos ao próprio desconforto também importa.
Como levar essa ideia para o cotidiano
Um primeiro passo pode ser trocar a cobrança pela curiosidade: em vez de pensar "e...
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