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Zeeba celebra 10 anos de carreira com 'Atemporal': 'Essas músicas não caem; são atemporais'

O artista que conquistou o mundo com "Hear Me Now" fala à Rolling Stone Brasil sobre o novo projeto intimista com orquestra, a turnê esgotada e a volta às raízes

3 set 2026 - 08h58
(atualizado às 09h05)
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Resumo
Voz brasileira mais ouvida do mundo pelo sucesso global de "Hear Me Now", prestes a atingir 1 bilhão de plays, Zeeba celebra uma década de carreira com o projeto "Atemporal". Gravado ao vivo com a Orquestra Villa Lobos, o trabalho une voz, violão e arranjos sinfônicos para revisitar suas faixas mais duradouras, além de canções inéditas e regravações. O lançamento impulsiona uma concorrida turnê nacional e antecipa sua estreia no Palco Mundo do Rock in Rio, em uma apresentação especial ao lado de Alok.

Se você está há mais de uma década na internet, é quase certo que já ouviu "Hear Me Now". A faixa — que completou 10 anos em 2024 — virou um fenômeno global: liderou as paradas em mais de 40 países, entrou na trilha de games como Fortnite e está prestes a atingir 1 bilhão de reproduções no Spotify. Foi ela que transformou Zeeba na voz brasileira mais ouvida do mundo. Para o artista, porém, aquela canção era apenas o começo de uma jornada que, dez anos depois, desemboca em Atemporal, um projeto que o reconecta ao que sempre soube fazer melhor.

Zeeba durante show da turnê ‘Atemporal’
Zeeba durante show da turnê ‘Atemporal’
Foto: Divulgação / Rolling Stone Brasil

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A história de "Hear Me Now" é, por si só, uma lição de resiliência. Na época, Zeeba tinha pouco mais de 20 anos, havia sido expulso de uma banda em Los Angeles e cogitava desistir da carreira. Ao voltar ao Brasil, foi acolhido no estúdio pelo produtor Bruno Martini. "Eu tava meio desanimado… vim para o Brasil e aí o Bruno abriu a porta do estúdio dele e falou: 'Cara, vamos fazer umas músicas'", relembra em entrevista nos estúdios da Rolling Stone Brasil. Em um desses dias, Alok apareceu, ouviu uma versão da canção e a história mudou de rumo: "Ele amou e a gente fez uma versão que virou a música de brasileiros mais escutada na história do Spotify". Desde então, Zeeba não parou: lançou álbuns, conquistou prêmios internacionais e passou por palcos como Coachella, Tomorrowland e Lollapalooza. Mas, depois de uma década de sucesso eletrônico e internacional, algo começou a se rearranjar por dentro.

Os últimos dez anos levaram Zeeba por caminhos esperados e inesperados, dos sucessos eletrônicos aos discos em português, das parcerias internacionais aos festivais gigantes. Tudo foi desaguando em uma conclusão clara: era hora de voltar. Não ao ponto de partida, mas a um lugar que ele nunca havia explorado plenamente nos palcos. "Eu sempre gostei desse lugar mais simples, de tocar voz e violão. Às vezes eu reunia uns amigos em casa, fazia aquela coisa mais orgânica. Também postava nas redes sociais e esse projeto começou alcançar muita gente", conta.

Então, decidiu lançar algo novo, mas não seria apenas voz e violão, teria uma orquestra sinfônica por trás. "As cordas são elementos que estão aí há séculos, então é uma coisa que é atemporal também", explica Zeeba. O conceito se cristalizou em Atemporal: um projeto dividido em três partes, cada uma trazendo camadas diferentes dessa jornada. "Eu fiz seleções das minhas músicas autorais que têm essa coisa de o pessoal tá sempre escutando. A gente olha os gráficos e fala: 'Pô, essas músicas aqui não caem as reproduções. Essas músicas são atemporais'". É um disco ao vivo, gravado em um teatro de São Paulo com a Orquestra Villa Lobos, que celebra tudo o que Zeeba construiu enquanto honra o artista que sempre foi.

A orquestra surgiu a partir do maestro Adriano Machado e da Orquestra Villa Lobos. "Eu fui produzindo junto com ele. Primeiro, mandei as músicas só com voz e violão e, depois, ele me devolveu um monte de partitura. Ele disse: 'Cara, vou exagerar pra você, pra depois você tirar'". O trabalho foi de calibragem — encontrar o equilíbrio entre o erudito e o íntimo. "Ele me mandou uns arranjos lindos e eu falei: 'Não, pô, tá muito erudito… tá muito, sabe, Disney'. Aí a gente foi ajustando".

Quatro canções compõem a primeira parte, lançada em 30 de julho. Dentre elas, "Can't Wait" — talvez a mais especial —, escrita para sua filha recém-nascida, Lívia. Zeeba descreve o momento com intimidade: "Quando o neném tá na barriga da mãe, como pai, fiquei numa expectativa de como vai ser, e ficava imaginando, imaginando. E aí um dia eu comecei a tocar assim, fechei o olho e aí me veio essa letra. Uma coisa de tipo: 'Pô, quero muito conhecer. A gente fica numa coisa assim, pô, como vai ser? Quero ver logo'". É uma composição que fala sobre amar alguém que você ainda nem conhece, mas que já transformou completamente sua vida.

https://www.youtube.com/watch?v=OGBfp-Sr5qw

E "Fix You", do Coldplay, uma regravação que o transporta à adolescência. "'Fix You' é uma música que eu escutava muito no colegial. Era uma música que me trazia uma paz assim. Eu tava um menino meio diferentão no colégio, ficava isoladão no violão". Cada vez que a canta, sente como se pudesse falar com aquele menino: "Essas músicas me transportam no tempo assim. Aí eu parece que eu falo com o menino: 'Pô, deu tudo certo, sabe?'".

https://www.youtube.com/watch?v=Ioyatkyu31Q

Se o projeto celebra a história, a turnê Atemporal a vive ao vivo em shows completamente esgotados. "Pô, eu fico muito feliz! Acho que é isso, 10 anos a gente vai construindo e só prova, né, o quanto, pô, a galera tava querendo muito esse lugar, né, esse show nesse lugar mais acústico, mais orgânico também. É um lugar especial". O público que comparece é tão diverso quanto a carreira dele, desde jovens de 18 anos até pessoas acima de 60. "Eu vejo muitas famílias, os pais com filho. Tem tudo assim". Com mais dez datas confirmadas a partir de outubro, Juiz de Fora, Rio de Janeiro, Goiânia, Recife, Fortaleza, Belém e Brasília, a turnê segue conectando Zeeba com gerações diferentes que descobriram suas músicas em momentos distintos de suas vidas.

No meio dos shows, uma parada especial. Em 11 de setembro, ele subirá ao Palco Mundo no Rock in Rio 2026. Será um bloco especial ao lado de Alok, seu parceiro histórico desde "Hear Me Now". "Não podia ser diferente desse marco, da minha primeira vez no Rock in Rio com ele cantando, né, a nossa o nosso maior sucesso, 'Hear Me Now', que vai bater aí 1 bilhão de plays".

Há dez anos, uma música nascida de um momento de desistência ganhou o mundo. Agora, Zeeba retorna a esse lugar. Atemporal é a resposta natural de quem passou uma década entre estúdios, palcos e hotéis em países onde, muitas vezes, mal sabiam pronunciar seu nome — e que, agora, quer simplesmente cantar. O projeto celebra não só os dez anos que se passaram, mas tudo o que permanece: canções que só crescem, não envelhecem e continuarão tocando por muitos anos.

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