Yunk Vino e a expectativa sobre o primeiro álbum: 'Faltava um pouco de vida'
Rapper fala sobre 'Mr.', primeiro álbum de estúdio que demorou anos para sair e marca nova fase na carreira
Demorou para o primeiro álbum de Yunk Vino chegar. Tiveram mixtapes, EPs, singles e outros projetos, mas nada de um disco. E, desde 2020, com 237, a expectativa só crescia. Então, em 26 de março, MR. finalmente chegou. São 19 faixas, com produção de Tuti e participações de Duquesa, Veigh, Dessiiik, Offshino e Yr Pedro, que atingiram a incrível marca de cinco milhões de plays em apenas quatro dias após o lançamento. A pergunta que ficou no ar foi: por que tanto tempo? "Faltava um pouco de bagagem de vida", responde o rapper, em entrevista nos estúdios da Rolling Stone Brasil.
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Nas mixtapes, o fluxo era outro: espontâneo, rápido, intuitivo; fazia e lançava. Funcionou bem, mas o álbum exigiu algo diferente: desacelerar. Ver com calma. Pensar em quem colabora em qual faixa, quem seria legal cantando, quem faria sentido tocando algum instrumento. "Eu tive que reaprender e aprender também", conta. E foi isso que fez Yunk esperar, porque ele sentiu que precisava de mais vida vivida, mais percepção de estar realmente na vida adulta.
"Eu estava percebendo que já estava, de fato, na vida adulta — e que, naquele momento, eu já tinha bagagem para relatar algo com que os fãs, que hoje estão um pouco mais velhos, também conseguissem se identificar".
https://www.youtube.com/watch?v=9FZrSXRxMFw
Mister: o apelido que virou conceito
O título MR. vem de um apelido antigo que Yunk carregava durante uma fase que ele descreve como "meio insana". Vícios, manias não tão boas, uma versão dele que existiu, mas que não existe mais. "Uns amigos ficavam me chamando de 'Mister não sei o quê'", lembra. O apelido pegou. Ficou. E agora virou nome de álbum. Por quê? "Por Mister ser algo sério". A ressignificação é proposital: pegar algo de uma fase caótica e transformar em símbolo de maturidade. E hoje, olhando para trás, Yunk tem clareza sobre o que ficou: "Eu gosto só da primeira parte". A seriedade. O resto, deixou para trás.
Essa transformação atravessa o disco inteiro. Mr. foi pensado em três blocos narrativos que representam momentos diferentes da trajetória do artista, mas Yunk não quer que o público fique preso a essa divisão. Prefere que cada um sinta do seu jeito. O que ele descreve é uma sensação: no começo, tudo parece nebuloso, meio caótico. Depois, as coisas vão ficando mais claras, mais fáceis de consumir. "É mais nesse sentido de sensação", explica.
Carapicuíba e a escultura que virou símbolo
A capa de Mr. traz uma escultura do rosto de Yunk Vino, criada pelo artista visual Estevan Davi. A peça foi instalada na casa onde ele cresceu, em Carapicuíba, interior de São Paulo, e o primeiro fã que chegasse ao local ganharia a obra. A ação reuniu fãs da cidade, do bairro, gente que acompanha Yunk desde o começo. "Foi muito legal porque eu vi que tinha muitos fãs ali da minha cidade, do meu bairro, que me acompanhavam e que estavam dispostos a vivenciar algo que eles não sabiam o que era, mas que envolvia a mim". Depois disso, reencontrou esses fãs outras vezes, em shows, na festa de audição. E, segundo ele, foi bom ter esse momento fora do padrão de "colar num show, ir no camarim, tirar foto".
Voltar para Carapicuíba sempre foi importante para Yunk. É nessas trocas que ele lembra das histórias e memórias esquecidas: "Eu lembro um frame. Tipo: 'ah, se eu fosse o amigo há muito tempo, você lembra quando a gente andou de skate lá na pista tal?'. Eu vou lembrar". Mas não só isso: para ele, reencontrar também faz pôr o pé no chão:
"É muito bom encontrar essas pessoas porque faz eu voltar um pouco a fita e pôr um pouco o pé no chão também".
Turnê acessível e o que vem pela frente
Yunk Vino está preparando a turnê de Mr., que estreia em São Paulo no dia 17 de julho, na Áudio. E tem um detalhe que chama atenção: ingressos a partir de R$ 50. Preço baixo, acessível. A motivação? "Para o pessoal colar". Simples assim. Em relação ao repertório, o rapper não deu muitos detalhes, mas garante que ele vai misturar músicas novas com faixas nostálgicas, de uma forma que se encaixe bem num show novo. "Vai ter um pouco de cada, de uma maneira que fique bem atmosférico para todo mundo".
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Sobre o futuro, Yunk não quer falar de edição especial. Ficou faixa de fora? Ficou. Mas ele prefere não comentar para não criar expectativa e tirar o foco do projeto que acabou de sair. "Senão o pessoal depois fica te cobrando e deixa um pouco de lado o projeto, fica meio que focado muito só no que pode vir". O que ele garante é que vai continuar trabalhando.
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