Thom Yorke pede que executivos de música invistam em novos artistas: 'sem nós, vocês são nada'
Ao receber prêmio máximo no Ivor Novello Awards, músicos do Radiohead faz discurso contra gravadoras e streaming por sufocarem nova geração de músicos
Thom Yorke fez duras críticas aos executivos da indústria musical e às plataformas de streaming. O desabafo ocorreu na noite de quinta-feira, 21, durante a cerimônia do Ivor Novello Awards, em Londres, onde o vocalista e guitarrista do Radiohead foi homenageado com o prêmio de Fellowship of the Ivors Academy — o grau mais alto de reconhecimento da academia.
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Ao subir ao palco, Yorke não poupou palavras para criticar o que considera uma crise criativa e financeira generalizada, impulsionada pela ganância corporativa. O artista questionou o modelo econômico atual, que prioriza lucros imediatos em detrimento do desenvolvimento de carreiras a longo prazo.
Em seu discurso, o britânico afirmou (via Consequence):
"Esta indústria vai morrer e os idiotas com ela também, se tudo o que vocês fizerem for desvalorizar a próxima geração de artistas e seus fãs. Lembrem-se: sem nós, vocês são nada!"
Yorke relembrou que o Radiohead teve a sorte de surgir em uma época na qual as gravadoras ainda investiam tempo e capital nos músicos, permitindo que eles cometessem erros e experimentassem até encontrar suas verdadeiras vozes. Hoje, segundo ele, o cenário se tornou avesso ao risco.
"O mercado está se tornando avesso ao risco e incapaz de ajudar, (concentrando-se) no preço exorbitante das ações dos serviços de streaming e no valor insano atribuído aos catálogos de alguns artistas da geração anterior, e na frenética especulação financeira em torno deles".
Ele acrescentou:
"Eu me pergunto por que ninguém questiona esse fluxo insano de dinheiro que não deixa nada além de poeira para os novos artistas."
Thom Yorke: "a indústria precisa ter fé nos novos artistas"
Aplaudido de pé pelos profissionais e colegas presentes, Thom Yorke encerrou seu manifesto exigindo que os executivos saiam da zona de conforto e voltem a apoiar o lado mais ousado da criação artística:
"Para que a música continue relevante, a própria indústria precisa ter fé nessas pessoas (novos artistas). Elas são frágeis, geralmente meio problemáticas como eu, e precisam de apoio. A indústria precisa de sabedoria para permitir que elas se desenvolvam, para poder arriscar e errar junto com elas."
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