Script = https://s1.trrsf.com/update-1770314720/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

"Só o fato de estar vivo já é bom demais", diz Bobby Womack

15 nov 2013 - 15h58
(atualizado às 15h59)
Compartilhar
Foto: Getty Images

A importância de Bobby Womack para o soul norte-americano pode quase ser comparada à de nomes como Ray Charles, James Brown e Marvin Gaye. A diferença básica é que, entre tantas lendas da música, ele é o único a ainda estar entre nós. Apesar disso, com currículo recheado clássicos do estilo como Lookin´ For a Love, That´s the Way I Feel About Cha, Woman´s Gotta Have It e It´s All Over Now - primeiro grande hit dos Rolling Stones nas paradas britânicas -, o músico de 69 anos tem hoje sido mais lembrado por sua autobiografia, na qual revelou detalhes sobre o vício em drogas, e pelo trabalho feito em 2011 com o Gorilazz para o disco The Fall, símbolo de seu retorno à música. 

🎧 Do universo de fã ao universo da música: tudo que você ama em um só lugar. Siga @centralsonora.

"Só o fato de estar vivo já é bom demais", diz Womack, um senhor falante e bem humorado, assim que atende ao telefone, em sua casa, nos EUA. A entrevista, cuja duração foi pelo menos seis vezes maior do que o previamente combinado, tem o objetivo de promover a primeira passagem do músico pelo Brasil, com única apresentação neste domingo (10), no último dia do festival Back2Black, realizado no Rio de Janeiro. "Mas tenho me tornado um sujeito nostálgico. Quando faço entrevistas, hoje em dia, ou quando me apresento ao vivo, por exemplo, começo a me lembrar de várias coisas e de quantas pessoas que sinto falta que não estão mais aqui: Johnnie Taylor, Marvin Gaye, Janis Joplin, Jimi Hendrix,..."

Se as memórias trazem um sentimento de tristeza para Womack na terceira idade, elas ao mesmo tempo foram as responsáveis por ajudá-lo a superar a grande mancha negra em sua vida: o pesado envolvimento com drogas. Artista com volume de produção impressionante nas décadas de 1970 e 1980 - não foram poucos os anos em que lançou dois discos em um espaço de meses -, o músico se viu em um processo de deterioração depois da morte de um filho ainda infante devido ao inescrupuloso uso de cocaína ao longo de mais de 20 anos, e resolveu, tomando como exemplo aas trágicas experiências de muitos de seus pares, deixar de vez a pedra no sapato de sua vida.  

"Quando eu comecei minha carreira, estava limpo, jovem e fresco. Mas, com o tempo, fui apresentado às drogas e toda essa merda entrou na minha vida, no meu caminho e fui vendo quantos artistas ela destruiu, que não estão mais aqui por causa disso. Um dia, acordei e disse para mim mesmo: 'nunca mais vou tocar nisso'", diz, com bastante naturalidade, sobre o período entre 1989 e 1994 em que não lançou nenhum trabalho na tentativa de se "limpar". "Não foi fácil. Tive de cortar da minha vida todas as pessoas que usavam drogas, porque não me considerava forte o suficiente para lhes dizer não. Esse processo levou cinco anos, mas foi necessário, porque eu sabia que, se não o seguisse, não estaria mais aqui." 

Ao mesmo tempo, foi isso que o trouxe de volta aos holofotes no ano retrasado, quando gravou e caiu na estrada com o Gorillaz, cujo líder, Damon Alban, viria a produzir pouco depois seu mais recente álbum, The Bravest Man in the Universe, o primeiro de estúdio em 12 anos, lançado no ano passado. "Uma das coisas que mais fizeram feliz nesse retorno foi quando Damon me chamou, eu disse 'nada de drogas' e ele concordou prontamente. Acho que nos identificamos, porque, pelo menos foi minha impressão, ele também já havia passado por problemas ligados a essa merda. Aí falamos, 'então vamos fazer música'. E foi o que fizemos.'"

Foi graças à parceria que Womack voltou a ver seu nome falado na mídia simplesmente pelo que mais ama na vida- e pôde, enfim, se apresentar para públicos novos, inclusive o brasileiro deste fim de semana, para o qual nunca conseguiu se apresentar em seus mais de 60 anos de carreira. "Eu sempre perguntava ao meu agente, 'por que você não marca algo no Brasil?' E ele sempre me respondia, 'bem, Bobby, sempre que tentamos você está ocupado com outra coisa, viajando ou em algum estúdio'. Então, quando ele virou recentemente para mim e disse que realizaria meu desejo de finalmente me apresentar por aí, eu virei para ele e disse: 'você está brincando comigo. Tenho 69 anos. Só agora?", se diverte.

"Mas te digo uma coisa. Quando eu tinha 21 anos, já era louco para me apresentar em seu país, onde nunca estive, nem para visitar. Mas não importa, porque, mesmo com a idade que eu tenho, sentindo dores e as agruras da velhice, quando estou no palco me sinto bem e faço com que todo o público sinta da mesma forma. Canto, como sempre fiz, com o coração, com a alma. O soul não é cor, não é ser negro. É sentimento. Não importa se você é branco, preto, marrom ou verde: é no sentimento que deve se pautar. Sempre fiz e sempre farei isso", garante. "E vou te dizer: ainda estou pegando fogo."

Ainda na programação há debates sobre a cultura afro com a curadoria do escritor angolano José Eduardo Agualusa. Veja abaixo a programação completa.

Local: Cidade das Artes (Av. das Américas, 5300, Barra da Tijuca)

Programação

Sexta-feira (15)

Palco Rio

Baloji (Congo) com participação especial de Mc Marechal (Brasil)

Keziah Jones (Nigéria)

Criolo (Brasil) com participação especial de Tony Allen (nigéria)

Femi Kuti & The Positive Force (Nigéria)

Palco Estrombo

Duas atrações a confirmar

Renata Jambeiro

Encerramento com DJ

Teatro de Câmara

Palestra sobre o tema “A nova dramaturgia afrobrasileira”

Grance Sala (ingresso vendido à parte)

Milton Nascimento (Brasil)

Sábado (16)

Palco Rio

Mayra Andrade (Cabo Verde)

Orchestra Boabab (Senegal)

Tributo a Miriam Makeba com grandes nomes das músicas africana e brasileira

Palco Estrombo 

Novissimos com participação especial de Natasha Llerena

Encerramento com DJ

Teatro de Câmara 

Palestra sobre o tema "A democratização e o desenvolvimento de África"

Grande Sala (ingresso vendido à parte)

Blind Boys of Alabama (EUA)

Domingo (17)

Palco Rio

Bobby Womack (EUA)

Pee Wee Ellis (EUA) & Banda Black Rio (Brasil)

Palco Estrombo

Maíra Freitas

Encerramento com DJ

Teatro de Câmara 

Palestra sobre o tema "A tradição no mundo moderno"

Grande Sala (ingresso vendido à parte)

Mart’nália (Brasil) - homenagem a Vinicius de Moraes

Concha Buika (Espanha)

Venda de Ingressos

Através do site www.ticketsforfun.com.br e nos seus respectivos pontos de venda.

Preços

Ingressos para os shows e palestras no Palco Rio, Teatro de Câmara e Palco Estrombo

1º lote:  R$ 70,00 (inteira) / R$ 35,00 (meia)

2º lote:  R$ 100,00 (inteira) / R$ 50,00 (meia)

3º lote: R$ 130,00 (inteira) / R$ 65,00 (meia)

Ingressos para os shows na Grande Sala (entrada à parte):

Platéia central 01:  R$ 100,00 (inteira) / R$ 50,00 (meia)

Platéia central 02: R$70,00 (inteira) / R$ 35,00 (meia)

Platéia lateral 01/02: R$70,00 (inteira) / R$ 35,00 (meia)

Camarote central: R$70,00 (inteira) / R$ 35,00 (meia)

Camarote lateral: R$30,00 (inteira) / R$ 15,00 (meia)

Fonte: Terra
Compartilhar
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra