Rosalía abre a LUX Tour em Lyon com tutú de bailarina, botafumeiro e uma referência a Goya
Cantora catalã estreia turnê mais ambiciosa da carreira com espetáculo dividido em quatro atos e coreografia inspirada no quadro 'El aquelarre', do pintor espanhol do século XVIII
Rosalía deu início à LUX Tour na última segunda, 16, no LDLC Arena, em Lyon, na França, diante de cerca de 15 mil pessoas. O show que abre a turnê mais ambiciosa da cantora catalã — mais de 30 cidades em 17 países — entregou um espetáculo dividido em quatro atos, com cenografia densa, referências à ópera, ao ballet clássico e ao imaginário religioso espanhol, consolidando LUX (2025) como muito mais do que um álbum: uma obra de arte cênica de alto voltagem.
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A abertura já estabeleceu o tom do que estava por vir. Rosalía entrou no palco saindo de dentro de uma caixa vestida com um tutú, ao som de "Sexo, violência e llantas", e emendou alguns passos de ballet na segunda faixa, "Porcelana". O figurino, assinado pelo estilista José Carayol — responsável por todos os looks da era LUX —, busca romper deliberadamente com a estética de Motomami para explorar uma linguagem mais monacal e mística, alternando o branco imaculado com o preto absoluto. Em "Divinize", terceira faixa do repertório, a cantora protagonizou um momento teatral ao decapar o próprio vestido em cena.
O segundo ato foi o mais comentado da noite. Em "Berghain", Rosalía surgiu com chifres demoníacos de plumas negras e conduziu uma coreografia que recria diretamente 'El aquelarre', o célebre quadro de Francisco de Goya pintado para os duques de Osuna no século XVIII e hoje exposto no Museu do Prado, em Madrid.
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Com seus dançarinos dispostos em círculo ao redor dela — espelhando a composição do quadro original, em que figuras se reúnem ao redor do bode que representa o Diabo —, a cantora transformou o palco em um ritual pop de terror religioso e festa descontrolada.
A escolha de Goya como interlocutor diz muito sobre as ambições do projeto. Que uma pintura do século XVIII termine reencarnada em uma arena francesa em 2026 — com coreografia sincronizada, iluminação de espetáculo e milhares de pessoas filmando pelo celular — é talvez o melhor resumo do que Rosalía propõe com a LUX Tour: uma arqueologia da cultura espanhola reescrita em linguagem pop contemporânea, sem abrir mão do rigor artístico. O show também incluiu um botafumeiro e um confesionário como elementos cênicos, reforçando o peso do simbolismo religioso que atravessa o repertório do novo álbum.
A turnê segue agora para Paris antes de percorrer Europa, América do Norte e América Latina. O encerramento está programado para San Juan, em Porto Rico — cidade que, para Rosalía, carrega um peso afetivo e cultural que vai muito além da logística de uma turnê. Antes disso, a cantora trará a LUX Tour 2026 ao Brasil para shows no Rio de Janeiro, na Farmasi Arena, nos dias 10 e 11 de agosto de 2026.