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Sepultura encerra ciclo no Rock in Rio com celebração à era Derrick Green

Repertório do show deste sábado, 5, trouxe apenas músicas da fase do vocalista que permitiu a sobrevivência da maior banda de metal da história do Brasil

5 set 2026 - 19h25
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Resumo
Em sua última apresentação no Rock in Rio, o Sepultura celebrou a era de Derrick Green ao tocar exclusivamente faixas gravadas com o vocalista, evitando a nostalgia fácil. O show histórico mesclou clássicos como "Against", "Choke" e "Sepulnation" a canções do EP final "The Cloud of Unknowing", que tiveram recepção mais morna. A performance funcionou como uma prova de resistência e um tributo justo a Green, figura essencial para a continuidade e a longevidade da trajetória da banda de heavy metal.

O Sepultura poderia ter acabado muitas vezes antes de decidir acabar. Sobreviveu à ruptura com Max Cavalera, à rejeição que o vocalista americano Derrick Green enfrentou desde Against (1997), à saída posterior de Igor Cavalera, a fases de menor prestígio comercial e, já com a turnê de despedida anunciada, à troca inesperada de bateristas, com Greyson Nekrutman no posto de Eloy Casagrande. Talvez por isso a reta final tenha menos aparência de funeral do que de demonstração de resistência.

Andreas Kisser no Palco Mundo, no segundo dia do Rock In Rio 2026
Andreas Kisser no Palco Mundo, no segundo dia do Rock In Rio 2026
Foto: Ellen Artie / @ellenartie / Rolling Stone Brasil

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Derrick é o símbolo máximo dessa sobrevivência. Entrou em 1997 encarregado da tarefa ingrata de ocupar um lugar que muitos fãs consideravam insubstituível. Permaneceu mais tempo e gravou mais álbuns que seu antecessor. Houve altos e baixos, é verdade, mas que banda de carreira longeva não tem? Ao entregar a Green todo o repertório de sua última passagem pelo Rock in Rio — executando somente canções de sua era —, o grupo completo por Andreas Kisser (guitarra) e Paulo Jr (baixo) deu um recado: tudo isso é Sepultura.

É curioso, aliás, decidir fazer de seu último show no Rock in Rio — dois meses antes da despedida real em São Paulo — aquilo que tantas bandas evitam quando chegam ao fim: recusando-se a transformar a última volta apenas em nostalgia. Em meio às últimas três décadas de carreira, o maior destaque foi oferecido justamente ao EP derradeiro The Cloud of Unknowing (2026), com a execução de suas quatro faixas.

Por outro lado, talvez este tenha sido o único ponto a comprometer o fluxo do show. As canções mais recentes, incluindo a balada "Beyond the Dream" e a estreante ao vivo "Sacred Books", tiveram baixa adesão do público, que pareceu ter preferido pauladas como a dobradinha de abertura "Against" e "Choke", a já clássica "Kairos", o groove irresistível de "Mind War" e o encerramento com "Sepulnation" — justamente algumas das mais antigas. "Phantom Self", de Machine Messiah (2017), e "Means to an End", de Quadra (2022), mostraram o lado mais sofisticado do grupo, assim como "All Souls Rising", destaque do citado EP.

No mais, tudo funcionou muito bem, especialmente se considerar o caráter único da performance. Parte da plateia deve ter se dado conta de que conhece e aprecia mais músicas da era Green do que o imaginado. A apresentação deste sábado, 5, serviu para fazer justiça àquele que, de acordo com Andreas Kisser, possibilitou a continuidade da existência do Sepultura.

Setlist

  1. "Against"
  2. "Choke"
  3. "All Souls Rising"
  4. "Kairos"
  5. "Means to an End"
  6. "The Place"
  7. "Phantom Self"
  8. "Convicted in Life"
  9. "Sacred Books"
  10. "Mind War"
  11. "Corrupted"
  12. "Beyond the Dream"
  13. "Sepulnation"
Rolling Stone Brasil Rolling Stone Brasil
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