Sepultura faz show-funeral potente e se despede do Rock in Rio sem clássico
Banda abriu o Palco Mundo com apresentação da turnê 'Celebrating Life Through Death', que marca fim do grupo, sem tocar faixas de 'Roots', álbum responsável por sucesso internacional
Em sua turnê de despedida, o Sepultura fez um show potente sob chuva para abrir o Palco Mundo no Rock in Rio. Celebrando a própria trajetória sem tom melancólico, o grupo reuniu um público expressivo e entusiasmado, apostando em faixas recentes do EP The Cloud of Unknowing e da fase com Derrick Green. A apresentação surpreendeu pela ausência de faixas do álbum Roots e do clássico Roots Bloody Roots. A maior banda brasileira de metal fará seu último show em novembro, no Pacaembu, em São Paulo.
Nunca houve um funeral mais animado e potente do que o da banda Sepultura neste sábado, 5, no Rock in Rio. A banda abriu o Palco Mundo se despedindo do festival, que marcou sua trajetória, com um show digno da importância do grupo, mas sem músicas de Roots, álbum que alavancou seu sucesso internacional, e seu maior clássico, Roots Bloody Roots.
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O show faz parte da turnê 'Celebrating Life Through Death' ('Celebrando a vida através da morte', em tradução livre), de despedida, que a banda já havia apresentado na versão portuguesa do Rock in Rio, em Lisboa. Em junho, o Sepultura subiu em um palco secundário, mas fez uma apresentação com muita precisão técnica e fúria old school.
No sábado, porém, era clara a quantidade de fãs fiéis brasileiros que se amontoaram com capas em uma chuva incômoda na Cidade do Rock. O público era considerável para o horário, sinal da importância do Sepultura, a maior banda brasileira de metal da história, e abriu rodas de mosh, ou "bate-cabeça", especialmente mais para o fim do show.
E parecia que a preocupação com a precisão técnica não estava tão presente. Não no sentido ruim - é inegável o talento de todos os integrantes, Andreas Kisser, Paulo Jr, Derrick Green e Greyson Nekrutman -, mas no modo como todos dividiram o protagonismo, confortáveis no palco.
Era nítida a vontade de levar o nome da turnê ao pé da letra. Longe de uma melancolia, o Sepultura tocou como se fosse a primeira vez da banda no festival e se aproveitou da potência monstruosa das caixas de som do Palco Mundo.
"É um dos melhores momentos da nossa carreira", disse Andreas, vestindo uma camiseta com uma caveira e os dizeres "funeral influencer", na metade do show. Em um momento poético, ao som de um berimbau, o guitarrista pintou uma tela cinza com raios solares amarelos.
A setlist focou nas músicas do último EP do grupo, The Cloud of Unknowing, lançado depois do anúncio da "morte", ainda neste ano, e outras faixas lançadas já com a presença de Derrick no grupo. Claro que houve clássicos, mas alguns fãs podem ter ficado sem entender a falta de menção a Roots, presente no show da banda no Rock in Rio Lisboa.
Talvez seja até a forma com que a banda escolheu encarar a própria morte: a olhando de frente. Em Beyond The Dream, faixa tocada mais para o final, Derrick pode ter dado uma explicação: "Deixando tudo isso para trás para recomeçar. Não há expectativas", repete o vocalista no refrão.
O Sepultura se apresenta pela última vez em novembro, no Mercado Livre Arena Pacaembu. O Rock in Rio segue com seu "dia do metal" no sábado e a banda Avenged Sevenfold como headliner.
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