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Qual é o melhor álbum de Justin Bieber? Os 10 discos ranqueados do pior ao melhor, segundo a Rolling Stone

Do pop adolescente ao R&B maduro, passando por crises públicas e grandes redenções, a discografia do canadense é um retrato honesto de quem ele é

17 jun 2026 - 08h41
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Poucos artistas amadureceram de forma tão visível diante do público quanto Justin Bieber. Descoberto no YouTube ainda adolescente, ele construiu uma das carreiras mais intensas e documentadas do pop mundial — com altos e baixos que foram, ao mesmo tempo, sua maior vulnerabilidade e sua matéria-prima criativa.

Foto: Nicky Loh/Getty Images / Rolling Stone Brasil

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Dez álbuns depois, a discografia de Bieber é menos uma sequência de projetos e mais um diário de crescimento. Aqui, ranqueamos tudo: do menos essencial ao indispensável.

10. Under the Mistletoe (2011)

https://www.youtube.com/watch?v=LUjn3RpkcKY

O único álbum natalino da carreira de Bieber fica em último lugar menos por ser ruim e mais por ser, essencialmente, um desvio de rota. Lançado em novembro de 2011, entre My World 2.0 (2010) e Believe (2012), o disco chega num momento em que o artista ainda buscava uma voz adulta — e um álbum de Natal não era exatamente o terreno para encontrá-la. Há momentos funcionais, como "Mistletoe", mas o conjunto soa como um produto de fim de ano bem executado, não como expressão artística genuína. O dueto com Mariah Carey em "All I Want for Christmas Is You" é o tipo de colaboração que existe mais pela ideia do que pela necessidade, e "Drummer Boy", com Busta Rhymes, figura entre os episódios mais estranhos da discografia. Para quem quer ouvir Bieber de verdade, este dificilmente é o ponto de partida.

9. My World 2.0 (2010)

https://www.youtube.com/watch?v=kffacxfA7G4

O primeiro álbum completo de Bieber saiu quando ele tinha 15 anos e já era um fenômeno global — e soa exatamente como isso. Uma geração inteira copiou o cabelo tijela, aprendeu a jogar a franja pro lado ou queria ser a "One Less Lonely Girl" do clipe. My World 2.0 é pop adolescente bem produzido, com "Baby" como centro gravitacional. A faixa com Ludacris virou um dos vídeos mais assistidos da história do YouTube naquele período e cristalizou quem Bieber era para o mundo: o garoto bonito, de voz aveludada, feito para acelerar corações de 13 anos. O problema é que o restante do álbum não sustenta o peso desse momento. "Eenie Meenie" com Sean Kingston e "Somebody To Love" têm seu charme, mas Bieber faria muito melhor do que isso, e logo.

8. My World EP (2009)

https://www.youtube.com/watch?v=CHVhwcOg6y8&pp=ygUIT25lIFRpbWU%3D

Antes do álbum, veio o EP. Lançada em novembro de 2009, My World marcou a estreia oficial de Justin Bieber após ser descoberto por Scooter Braun e apadrinhado por Usher, além de fazer história ao colocar sete músicas simultaneamente na Billboard Hot 100 logo no lançamento. "One Time" e "One Less Lonely Girl" são as âncoras de um projeto que existe, acima de tudo, para apresentar o artista ao mundo. Funcionou: o EP vendeu mais de um milhão de cópias nos Estados Unidos e estabeleceu Bieber como o fenômeno teen que definiria o início dos anos 2010. Como cartão de visitas, foi impecável!

7. Swag II (2025)

https://www.youtube.com/watch?v=4WcD2ncHMVs&list=OLAK5uy_lG-yrQ3I7a1WBzka9426nyJvzQEXE-ggo

Lançado dois meses após o primeiro Swag, Swag II é o projeto mais difícil de avaliar da fase recente de Bieber. São 23 faixas adicionais que expandem o universo sonoro do original — lo-fi, vulnerável, intimista —, mas chegam num momento em que o ouvinte já absorveu a proposta e não necessariamente precisa de mais do mesmo. As participações, no entanto, são um dos pontos altos: Tems traz aquela voz angelical que parece vir de outro plano, Bakar adiciona uma textura indie que combina com o espírito do disco, e Hurricane Chris — numa escolha inesperada que só funciona porque Bieber nunca teve medo de ser imprevisível — entrega exatamente o que a faixa pede. Há músicas genuinamente boas aqui, como "Speed Demon" e "Bad Honey", que exploram saúde mental, casamento e a pressão da fama com uma crueza interessante. Ainda assim, Swag II sofre do problema de todo complemento lançado rápido demais: dilui o impacto do primeiro disco em vez de ampliá-lo.

6. Justice (2021)

https://www.youtube.com/watch?v=tQ0yjYUFKAE&pp=ygUHcGVhY2hlcw%3D%3D

Lançado pouco mais de um ano após Changes (2020), Justice é o álbum em que Bieber tentou redimir o hermetismo do anterior — e conseguiu, em parte. O disco transita por afrobeats, pop eletrônico e R&B contemporâneo com uma liberdade que faltava ao antecessor. "Peaches", com Daniel Caesar e Giveon, foi o maior hit da era; "Hold On" mostrou um Bieber mais urgente; e "Ghost" entregou uma das melhores melodias da carreira. O problema está nas ambições temáticas: o uso de discursos de Martin Luther King Jr. entre as faixas soou forçado e gerou críticas legítimas sobre a desconexão entre o título e o conteúdo. Justice é um bom álbum pop, mas teria sido melhor sem tentar ser mais do que isso.

5. Changes (2020)

https://www.youtube.com/watch?v=3AyMjyHu1bA&pp=ygUYaW50ZW50aW9ucyBqdXN0aW4gYmllYmVy

Changes é o disco mais pessoal e, ao mesmo tempo, mais polarizador da discografia de Bieber. Lançado no Dia dos Namorados de 2020, esse é seu primeiro álbum após o casamento com Hailey. O projeto é uma declaração de amor pública e introspectiva, construída sobre um R&B minimalista e atmosférico. "Intentions", com Quavo, foi o single mais tocado, mas as joias estão nos momentos mais silenciosos: "Confirmation", "Come Around Me" e a faixa-título mostram Bieber no modo mais honesto e desarmado. O disco dividiu opiniões por abrir mão de hits óbvios em favor de uma coerência emocional que nem todo mundo estava disposto a acompanhar. Com o tempo, Changes conquistou a reputação que merecia: um álbum de amor adulto, sem glamour, sem armadura.

4. Swag (2025)

https://www.youtube.com/watch?v=fXivMSJm_kA

Após quatro anos de silêncio, Bieber voltou com um disco que não soava como nada do que os fãs esperavam. Swag é um lo-fi, íntimo e livre de qualquer tentativa de conquistar as paradas — e tem uma razão concreta para isso: foi a primeira vez na carreira que Bieber teve controle criativo total sobre um projeto. Após vender seu catálogo, ele chegou ao estúdio sem o peso das obrigações históricas com a gravadora e sem precisar responder ao legado de nenhuma faixa anterior. O resultado é um disco que soa como alguém que finalmente pode errar sem que isso custe nada. Com a força criativa de Mk.gee e Dijon, constrói um universo de violões esparsos, baterias abafadas e vocais vulneráveis. "Yukon" é o coração do projeto: uma balada crua sobre amor e identidade que mostra Bieber mais confortável com a própria imperfeição do que nunca (especialmente se lembrarmos da performance no Grammy de cueca).

3. Believe (2012)

https://www.youtube.com/watch?v=Ys7-6_t7OEQ

Believe é o álbum em que Justin Bieber deixou de ser o menino prodígio e começou a se afirmar como artista. Com produção de Darkchild, Diplo, Max Martin e Zedd, entre outros, mergulhou no R&B e no EDM (que bombava na época) com uma segurança surpreendente para alguém de 18 anos. "Boyfriend" apresentou um novo Bieber: sensual, confiante, desprendido da imagem infantil, enquanto "As Long as You Love Me" e "Beauty and a Beat", com Nicki Minaj, mostraram alcance pop sem perder identidade. Há excessos próprios da época — algumas faixas soam demais como 2012 —, mas Believe permanece como o disco que abriu caminho para tudo o que viria depois.

2. Journals (2013)

https://www.youtube.com/watch?v=47YClVMlthI

O álbum mais injustiçado da carreira de Bieber. Lançado em dezembro de 2013, num dos períodos mais turbulentos de sua vida (problemas legais, instabilidade pública, imagem em frangalhos), Journals foi ignorado comercialmente e tratado pela gravadora como um projeto secundário. O que ficou soterrado por esse descaso é um dos discos de R&B mais genuínos lançados por um artista pop naquela década. Com produção de Poo Bear, T-Minus e Diplo, o álbum flerta com Michael Jackson, R. Kelly e o soul clássico de um jeito que Bieber nunca havia tentado com tanta clareza. "All That Matters", "Confident", com Chance the Rapper, e "Memphis" são faixas que deveriam ter definido uma era. Não definiram, mas o tempo fez justiça, e Journals hoje é reconhecido pelo que sempre foi: uma obra-prima.

1. Purpose (2015)

https://www.youtube.com/watch?v=oyEuk8j8imI&pp=ygUNTG92ZSBZb3Vyc2VsZg%3D%3D

Purpose é o álbum que transformou Justin Bieber de celebridade problemática em artista respeitado — e fez isso por meio de música genuinamente extraordinária. Vindo de um período de desgaste público intenso, Bieber entrou em estúdio com Skrillex, BloodPop e Benny Blanco e criou algo que ninguém esperava: um pop eletrônico profundo, cristalino e emocionalmente devastador. "What Do You Mean?", "Sorry" e "Love Yourself" chegaram simultaneamente ao top 5 da Billboard — feito inédito para qualquer artista. Mas são os momentos mais quietos que fazem Purpose perdurar: "The Feeling", "Trust" e "Life Is Worth Living" mostram Bieber em seu estado mais despido, sem defesas. É o disco de uma geração que cresceu com ele e, finalmente, encontrou em suas músicas algo que valia a pena guardar.

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