Preta Gil começa série de shows nas lonas culturais na sexta
Já está anunciado em faixas, e no "gogó", pelos carros de som: alô, Zona Norte, alô Zona Oeste, Preta Gil está na área. Nesta sexta-feira, a cantora inicia circuito de apresentações populares pelas Lonas Culturais do Rio, com sua
Noite Preta, festa que fez carreira em boates e virou hit entre a massa antenada carioca.
"Eu estou bancando os shows, porque quero me aproximar do meu público de bairros mais distantes da Zona Sul. Meus fãs sempre se deslocaram para me acompanhar. Agora, eu é que vou até o quintal deles", explica, orgulhosa da trajetória de seu projeto. Montado pela primeira vez no Centro Cultural Carioca, em 2007, para um público de 200 pessoas, a festa estourou a lotação de 3 mil lugares da boate The Week em sua última temporada.
Na trilha do sucesso, há uma estratégia maior da cantora. Preta é pop e diz ter batalhado por isso. "A Noite foi planejada para arrasar, tijolo por tijolo. Queria me tornar residente no Rio e fazer com que as pessoas perdessem o preconceito comigo. Antes, minha espontaneidade ficava à frente da cantora. Ninguém me elogiava pelo meu trabalho, mas pela minha personalidade. Não quero mais isso", enfatiza.
As comemorações da cantora pelos dois anos em cartaz no Rio incluem ainda uma apresentação no Canecão, dia 28. A casa traz recordações à filha de Gilberto Gil: "Aos 3 anos, acompanhei lá um show dos Doces Bárbaros (com Gil, Caetano, Gal e Bethânia). Fiz também o primeiro show do meu primeiro disco, o que hoje considero muito precipitado", avalia, fazendo balanço de seis anos de estrada. "Eu me reprimi por tantos anos que saí do armário como uma louca. Sou filha do tropicalismo, achei que poderia tudo. Hoje vejo que devia ter falado menos e cantado mais".
No momento de autoanálise, méritos também entram na lista: "Conquistei meu espaço na marra, nunca me amparei no meu pai. Hoje ele diz que é o pai da Preta Gil. Independentemente do que pensam de mim, quero que vejam que, no mínimo, sou uma mulher corajosa."
Alguém duvida? Preta aguarda o fim do processo contra o Pânico na TV! - que fez piada com fotos suas na praia - para investir na criação de uma ONG para mulheres fora dos padrões de beleza. "É muito importante falar sobre isso. Um homem veio me agradecer: 'Minha mulher, que só usava maiô, agora também usa biquíni e se acha gostosa'", vibra.
Roteiro: das lonas
LONA CULTURAL RENATO RUSSO. Praça Manuel Bandeira s/nº, Ilha do Governador (3212- 3136). Sex, às 21h. R$ 25. 14 anos.
LONA CULTURAL JACOB DO BANDOLIM. Praça do Barro Vermelho s/nº, Pechincha (2425- 4579). Sáb, às 21h. R$ 25. 16 anos.
LONA CULTURAL HERMETO PASCOAL. Praça 1º de Maio s/n°, Bangu (3332-4909). Dom, às 20h. R$ 25. 16 anos.
LONA CULTURAL GILBERTO GIL. Av. Marechal Fontenelle 5.000, Realengo (3462-0774). Dia 30 de maio. Às 22h. R$ 15 (antecipado) e R$ 20. 16 anos.