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Pitchfork viajou? Travis Scott - Utopia

16 ago 2023 - 08h42
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Ontem Travis Scott disponibilizou seu mais novo filme, "Circus Maximus", presentinho pros fãs que acompanham seu disco Utopia. Depois de um 5.7 da Pitchfork no novo e aguardado disco do La Flame, a internet ficou dividida nas últimas semanas, em dois lados: os haters do artista e os ouvintes revoltados com a nota da plataforma de comunicação. O disco é bom? Ele é pior ou melhor que os outros projetos? Hoje vou tentar entender se a Pitchfork viajou, além de claro dar meus pitacos sobre o álbum de 19 faixas do artista.

Owl Pharaoh está para Yeezus, Utopia não

Foto: AUR

Já adianto logo, Utopia é uma imersão. Se você espera um Astroworld da vida, é possível que não goste. Apesar do novo projeto do Travis ser recheado de viradas e quebras nos instrumentais, vemos um profundo tom imersivo que te coloca dentro da textura que ele quer te apresentar.

Outro ponto: não, Utopia não é o "Yeezus" do Travis Scott. O artista apesar de beber constantemente na fonte de Kanye West, acredito, na minha percepção, que Owl Pharaoh (2013) se encaixe muito mais nessa comparação, visto que no ano em que Ye solta seu álbum, La Flame além de contribuir com alguns beats, coloca muito da influência vocal em sua mixtape de estreia. 

"In an attempt to give the world a true blockbuster rap album, the Houston rapper delivers a shiny, empty spectacle loaded with pop superstars who rarely make an impact." 

A nota de abertura da Pitchfork já inicia a análise sobre o disco sem medo de descer o pau no artista. Apesar do disco realmente ser recheado de estrelas da indústria internacional, vemos o uso das produções e direcionamento para cada feat com excelência.

Travis traz Yung Lean, Teezo touchdown e Rob49 como estrelas em ascensão, coloca Beyoncé em um instrumental fora da curva e abre alas para Future, que na minha opinião tem o melhor feat do projeto, além de dar luz a wave de Playboi Carti, estrela incontestável no rap game.

Foto: AUR

A comparação com obras passadas do Kanye que o site analisa, como Dark Fantasy ou 808 & Heartbreak são infindáveis, já que apesar da escolha sonora e majestosa de Kanye nas duas obras, o recurso musical foi utilizado em demasia no mesmo período por Lil Wayne, T-Pain, entre inúmeros outros que tomaram a estética do auto-tune e das quebras musicais para si.

Foto: AUR

Nota-se que separar a sonoridade de Utopia dos projetos de Kanye é algo praticamente impossível, já que Travis Scott foi assinado com o selo de Ye por quase uma década, então o "beber da fonte" é real. Mas o traço principal da escrita de La Flame em Utopia vem da base, Houston, no Sul dos Estados Unidos, terra natal do artista e berço de nomes como Three six mafia, UGK, entre outros.

Utopia é uma aposta no futuro do rap

O rap de Travis é sujo, sem medo de colocar na pista algo fora do padrão e é nesse lugar que ele se revelou como um dos artistas mais influentes da música atualmente. Aqui, vemos que a crítica da Pitchfork não pode tocar, logo, o review da plataforma que dá nota para os discos, erra, assim como errou em Man on the moon e nos álbuns do Kid Cudi, principal referência do rapper.

Entretanto, Utopia não é perfeito, é um excelente disco, mas com seus erros e na minha visão, a extravagância as vezes peca, construir 19 faixas coloca produtores e rappers em uma faca de dois gumes, mas aqui, Travis visa a posteridade, trabalhando seu projeto de forma alternativa, sem medo de errar, com sangue nos olhos para o acerto.

Utopia é um disco potente, mas sem grandes hits como Sicko Mode e com menos tracks pras ruas como Quintana pt. 1 e 2, Mamacita, etc. Mas os resultados da aposta do rapper só poderão ser vistos com o passar do tempo. Até lá, o artista continuará lançando collabs com a nike e lotando turnês.

O rap é o novo rock.

AUR
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