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Orquestra liderada por João Carlos Martins e robô maestro testa limitações da IA na arte

Em experimento promovido pelo SESI-SP e pela FIESP neste domingo, 29, na Avenida Paulista, maestro e máquina reforçam importância da sensibilidade humana na música

29 mar 2026 - 19h31
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"Eu estou com ciúmes", brincou João Carlos Martins após comandar a Bachiana Filarmônica do SESI-SP nas duas peças de abertura da apresentação gratuita em frente ao prédio da FIESP, na Avenida Paulista, neste domingo, 29. "Todo mundo aqui veio para ver o robô", disse o maestro, antecipando a chegada do modelo Unitree G1, um robô humanoide capaz de aprender com o movimento humano e treinado para reger a parte rítmica da orquestra.

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O evento foi idealizado com os objetivos de mostrar os avanços tecnológicos da inteligência artificial e reforçar a importância da sensibilidade humana na criação e execução artística. "O maestro tem a questão musical muito forte nele", comenta Juliana Villalba, trombonista da Bachiana há cinco anos. "O robô é muito preciso, tem o ritmo certinho, mas não tem a emoção e a vida que o maestro dá."

Os momentos anteriores ao evento foram cercados de expectativa. Enquanto alguns fãs de Martins se amontoavam debaixo do sol forte e de um calor de 33°C para ver o maestro, outros curiosos não esconderam a animação de ver a capacidade do robô frente à Bachiana. Ainda que em número bem menor do que o dos entusiastas do músico consagrado, era possível ouvir alguns espectadores dizendo que queriam, realmente, "ver o robô".

A mudança de energia também foi facilmente percebida no público, que se animou, gritou e bateu palmas assim que Martins reassumiu o comando da apresentação. O número de celulares e câmeras levantadas, inclusive, subiu imediatamente quando o maestro retomou a batuta para concluir a peça de Mozart.

"Nenhuma IA, nenhum robô substitui ou vai substituir a emoção que a arte passa", disse Lilian Thomé, uma das espectadoras que enfrentou o sol para conferir o experimento. "Mas é interessante ver até que ponto a gente está chegando."

Lilian assistiu à apresentação ao lado de Wagner Pinheiro, que comparou os sentimentos de ver o maestro e o robô na regência. "O maestro está à frente do tempo dele dando abertura e mostrando na prática como o calor humano sempre vence. A energia da galera vendo o robô foi meio 'parabéns, é legal', mas quando o maestro retoma, a energia que a gente sente é quase elétrica, é muita emoção."

Com uma frase que se tornou quase um mantra dessa experiência, Martins falou ao público sobre como, mesmo com o avanço cada vez mais veloz da IA, a tecnologia jamais conseguirá substituir o papel do ser humano na arte. Para ele, é a partir da alma que a arte é capaz de causar "lágrimas nos olhos e sorriso nos lábios".

Os sorrisos, obviamente, foram conquistados assim que Martins iniciou a apresentação. Já as lágrimas passaram a correr quando o maestro, após breve relato sobre seu diagnóstico de Distonia Focal e suas dezenas de cirurgias nas mãos, se sentou ao piano. Tocando Playing Love e Cine Paradiso, composições de Ennio Morricone, o músico emocionou a multidão de espectadores que se aglomeravam para acompanhar o (por que não?) show da Bachiana.

Fã do maestro, Jaqueline Sartorelli contou, após a apresentação, que ver Martins ao vivo era seu sonho, realizado neste domingo após ter alguns desencontros com o cronograma do músico. "Eu nunca conseguia encontrar o espetáculo, ou o maestro ia fazer uma cirurgia, e eu nunca consegui. Mas hoje foi muito especial", contou ela, que também gostou da presença do robô, que trouxe a "união da tecnologia com o clássico".

Enquanto o debate sobre o crescimento da IA e o medo acerca da possibilidade de ela substituir artistas e profissionais cresce cada vez mais na mídia e nas redes sociais, a apresentação de Martins e da Bachiana Filarmônica deste domingo prova que, apesar de todos os seus avanços, a tecnologia segue distante de reproduzir a emoção e a paixão inerentes à arte humana.

Os próximos passos

Como adiantado por Martins, o Unitree G1 passará, nos próximos meses, por novas fases de aprendizado. Com o auxílio de engenheiros e programadores, o robô será preparado para imitar novos movimentos do maestro, aumentando sua capacidade de regência.

Depois disso, Martins admite que quer conversar com a equipe por trás da máquina para analisar a possibilidade de ela reagir em tempo real a mudanças dos sons, erguendo e abaixando de forma instintiva o braço à medida em que a música avança.

Já Martins e o SESI-SP começam a se preparar para uma apresentação especial na Sala São Paulo, em 4 de agosto, que reunirá as três categorias da Bachiana lideradas por ele. Além da Bachiana Filarmônica, que tocou na Avenida Paulista neste domingo, o evento contará com os músicos da Bachiana Jovem, formada por jovens de 18 a 27 anos, e da Bachiana Sênior, inaugurada em março de 2026 com músicos acima dos 60 anos em suas fileiras.

Estadão
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