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Olivia Rodrigo faz festa ruidosa e catártica na estreia da turnê 'Sour'

Várias vezes, cantora mostrou o quão colossais suas músicas íntimas poderiam ser

8 abr 2022 - 20h11
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PORTLAND, Oregon - Como uma estrela pop, a herança de Olivia Rodrigo inclui dissecadores precisos e destruidores rebeldes, os angustiados e a angústia. Seu álbum de estreia, Sour - um dos melhores lançamentos do ano passado e uma das novidades mais promissoras do pop dos últimos anos -, calma e seguramente faz letras profundamente interiores soarem como o pretexto para uma briga.

No palco de terça-feira, 5, à noite no Theater of the Clouds do Moda Center daqui, durante a primeira apresentação de sua turnê Sour, ela foi conciliando esses impulsos concorrentes desde o início. Notas pesadas de guitarra anunciaram sua chegada, e deram início ao hino Brutal, que exala pesadamente o sofrimento adolescente, seguido pela fervilhante Jealousy, Jealousy.

Então Rodrigo sentou-se ao piano que estava ignorando e começou Drivers License, a música que tornou tudo isso possível. Um grito de total solidão, foi lançada no início de janeiro de 2021 e se tornou um megassucesso pandêmico e a música pop mais importante do ano passado, catapultando Rodrigo da fama menor dos shows da Disney para uma conflagração total da cultura pop.

Ela cantou em seu próprio tempo aqui, mostrando a espessura penetrante em sua voz, mesmo quando aparentemente cada uma das milhares de pessoas presentes estava cantando com ela. Depois que terminou, ela suspirou, sorriu e observou: "Essa música ganhou um Grammy, tipo, dois dias atrás".

Na verdade, Rodrigo ganhou três no total, incluindo o de melhor artista revelação, coroando um período de 15 meses de diversão. Mas, apesar de todos os elogios que recebeu, devido à pandemia, ela ainda não havia se apresentado para uma sala de milhares de fãs que vieram apenas vê-la.

Essa festa ruidosa e catártica de lançamento foi um evento de tamanho gerenciável. Todas as músicas de Sour e alguns covers, tudo ocorreu em menos de uma hora. Encenação mínima, apenas arquibancadas de ginásio em ambos os lados do palco e uma bola de discoteca pairando no alto. E mesmo que seus sucessos provavelmente lotassem arenas, Rodrigo está começando com um público de tamanho mais moderado.

Várias vezes, ela mostrou o quão colossais suas músicas íntimas poderiam ser, como em seu solo de violão em um medley de Enough for You e 1 Step Forward, 3 Steps Back e na relutante Favorite Crime. Ela também foi muito convincente quando se soltou, como na mais agressiva Good 4 U. O vívido derramamento de sangue Traitor era alternadamente silencioso e bombástico, e igualmente persuasivo em ambos os modos.

Rodrigo teve uma banda só de mulheres, o que deu a suas canções uma viscosidade palpável: Happier foi interpretada como o tema de um baile trágico, e Hope Ur OK, de uma temática melancólica atípica no álbum, foi pulsantemente soturna, levando imediatamente milhares de celulares acesos ao ar.

Com o benefício de nem um ano inteiro de retrospectiva, Sour parece ainda mais uma supernova. Até certo ponto, seus abalos já estão sendo sentidos - há uma classe emergente de jovens cantoras e compositoras, muitas com uma dose de viralidade do TikTok, nos moldes de Rodrigo, incluindo Lauren Spencer-Smith, Gayle e Gracie Abrams, que abriu essa turnê. (Rodrigo disse que a influência também foi na outra direção, observando que a trilha sonora da viagem chorosa sobre a qual ela escreveu tão vividamente em Drivers License foi I Miss You, I'm Sorry de Abrams.)

O malabarismo de Rodrigo entre o endiabrado, o punk e o beatífico refletiu-se na trilha sonora pré-show com músicas dos anos 1990: Everywhere de Michelle Branch, Criminal de Fiona Apple, Cannonball dos Breeders, Lovefool dos Cardigans (embora as maiores reações do público, de longe, foram para as repetições de Olivia, do One Direction, que foi lançada quando Rodrigo tinha 12 anos). E também estava presente em suas escolhas de roupas: primeiro, calça xadrez com um top e uma blusa transparente preta e, depois, um vestido brilhante com botas estilo militar volumosas. (Olivia Rodrigo: Driving Home 2 U, o filme sobre o show lançado no mês passado, usa imagens da primeira vez que Rodrigo grava uma demo de Drivers License - ela está usando brincos de alfinete.)

Seu gosto declarado por uma variedade de estilos já atraiu algum grau de tensão, e também ressentimento. Courtney Love acusou Rodrigo por supostas semelhanças entre a capa do álbum Sour e Live Through This do Hole. E duas músicas de Sour agora incluem créditos de composição adicionais: Taylor Swift, Jack Antonoff e Annie Clark (também conhecida como St. Vincent) em Deja Vu e Hayley Williams e Josh Farro do Paramore em Good 4 U. Imagine prestar homenagens apenas para descobrir que aqueles que você admira há muito tempo à distância estão pairando como abutres empenhados em proteger seu pedaço de terra cada vez menor.

Neste show, ela apresentou dois covers conhecidos: Complicated, de Avril Lavigne, que desde o início de sua carreira revestiu seus instintos pop da estética punk, e Seether, de Veruca Salt, um pilar do rock alternativo próximo ao grunge que foi o único momento em que Rodrigo apareceu fora de sua profundidade, seus vocais irados não foram capazes de atravessar o som da banda.

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Agora que o negócio da música ao vivo está se recuperando, Rodrigo pode finalmente aproveitar um pouco da diversão do estrelato. Primeiro, o imprevisível da performance ao vivo: nem todos os momentos em que convocou o público foram perfeitos, mas Rodrigo parecia se divertir com os sinais perdidos. Há a adoração dos fãs para quem ela agora é uma espécie melhor amiga: "Não mande mensagem pra ele", Rodrigo disse a uma jovem segurando uma placa pedindo conselhos românticos. E há a alegria de finalmente romper de verdade o ritual restritivo da fama infantil: na minha frente, uma mãe tentava inutilmente tapar os ouvidos da filha cada vez que Rodrigo dizia palavrões em Drivers License e todas as jovens da sala gritavam junto.

Durante a maior parte da noite, Rodrigo estava sentada ou correndo, mas no final do show, ela parecia mais à vontade. No primeiro refrão de Deja Vu, ela deitou em cima do piano e cantou para o céu. E assim que Good 4 U, a música final da noite, estava prestes a terminar, ela correu para a bateria e começou a bater em um dos pratos, um prenúncio de todas as liberdades que estavam por vir. /TRADUÇÃO LÍVIA BUELONI GONÇALVES

Estadão
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