Olivia Rodrigo descobre que o amor cura tudo, menos a nós mesmos
you seem pretty sad for a girl so in love caminha pelos ciclos de um relacionamento do início ao fim
Existe um tipo muito específico de ressaca que não tem nada a ver com álcool: é aquela que te acerta em cheio no primeiro minuto da manhã seguinte ao ponto final de uma história de amor. Você abre os olhos, o teto do quarto continua exatamente igual, mas o ar parece três vezes mais pesado porque você acabou de se dar conta de que toda aquela mobília emocional que você passou meses construindo agora pertence ao inventário de um fantasma.
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Olivia Rodrigo decidiu pegar essa exata sensação de desabrigo e transformá-la em alta literatura pop com you seem pretty sad for a girl so in love. Se nos estrondosos SOUR (2021) e GUTS (2023) a cantora usava a distorção do pop-punk como um soco no estômago para espantar a rejeição, aqui ela opera uma mudança de frequência muito mais perigosa. Ao lado de seu eterno cúmplice de estúdio - o produtor Dan Nigro -, ela limpa as guitarras sujas dos anos 2000, mergulha de cabeça nas texturas agridoces do new wave e do pós-punk oitentista, e decide cantar sobre a paixão não como um conto de fadas, mas como o primeiro estágio de uma infecção clínica.
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