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Morrissey exalta Malvinas e faz piada com realeza britânica na Argentina

31 mar 2012 - 17h40
(atualizado em 31/5/2012 às 16h58)
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Tiago Agostini
Direto de Buenos Aires

There is a light that never goes out, um dos maiores clássicos dos Smiths, já havia tocado há mais de meia hora, mas as arquibancadas do campo de rugby do Clube Geba, no bairro Palermo, em Buenos Aires, tremeram mesmo, neste domingo (4), no começo de Please, please, let me get what I want, balada curtinha também do repertório da banda britânica dos anos 80. Nem tanto pela canção, mas sim pela dedicatória: Steven Patrick Morrissey, ex-vocalista da banda, fez um breve discurso sobre os erros do governo britânico e sobre as Ilhas Malvinas pertencerem por direito à Argentina. Com uma bandeira azul e branca estampada no bumbo da bateria, Morrissey sabe como ganhar uma plateia.

Um dia antes, em Rosario, o cantor utilizou do mesmo artifício - e de quase o mesmo repertório. O efeito foi igual. Morrissey é um desses artistas que não pode ter sua passagem ignorada por nenhum lugar. Mesmo que você não goste dos Smiths ou da carreira solo dele, a língua afiada, a ironia fina e o cinismo valem o show. Morrissey veste toda sua banda com a mesma camiseta, sempre com alguma mensagem singela - em Rosário foi NME is shit (A NME é uma m****, em referência ao semanário musical que pauta os hypes britânicos), em Buenos Aires foi "We hate William and Kate" (Odiamos William e Kate), com fotos do príncipe e da princesa.

Assistido pelos passageiros dos trens que passam em baixa velocidade ao lado do campo do clube Geba, Morrissey entra ao palco e, junto à banda, cumprimenta a plateia se inclinando antes do show começar. A trinca de abertura é explosiva: First of the gang to die, You have killed me e You're the one for me, fatty esquentam ainda mais a noite da capital argentina. E então o cantor enfileira There is a light that never goes out e Everyday is like sunday e o que era testosterona vira contemplação.

Morrissey vai dosando a levada do show desta forma: para cada música mais agitada há uma balada correspondente. Passeando por toda sua carreira solo, com destaque para os ótimos discos da década 00, ele guarda a maior parte das músicas dos Smiths para a metade final da apresentação. I know it's over, do disco The queen is dead, é, musicalmente, o ponto alto da noite, com um arranjo que cresce ao poucos e ganha em dramaticidade graças à excelente banda do cantor - destaque para o baterista Matt Walker, que esmurra seu kit, incluindo um enorme gongo, como um gigante esmagando formigas.

Impecavelmente vestido com calça jeans e camisa aberta no melhor estilo caminhoneiro - são três trocas ao longo do show, à medida que o suor toma conta do corpo do cantor-, Morrissey economiza em seus movimentos no palco, mas os carrega de dramaticidade. Com um terço adornado de um enorme crucifixo no pescoço, ele se joga no chão em Meat is murder (sua ode ao vegetarianismo), balança o cabo do microfone de um lado ao outro com violência, arranca a camisa e a atira ao público durante Let me kiss you. Um gentlemen plebeu, um poeta da classe operária que bebe cerveja direto da lata.

Mesmo com a entrega do cantor no palco, o público, inexplicavelmente, esfria conforme a apresentação vai chegando ao fim. How soon is now? traz um ar de libertinagem impregnado no ar (tal qual a cena de strip-tease de Natalie Portman em Closer) e Morrissey deixa o palco, mas o pedido de bis não é tão entusiasmado. Como que para cumprir o protocolo, ele volta ao palco com a banda para uma versão pulsante de One day goodbye will be farewell, mas um gosto de insatisfação é o que permanece. Pela segunda noite seguida, Still ill, dos Smiths, não aparece no bis. "Buenos Aires, grite para este homem", clamou o tecladista colombiano Gustavo Manzur na volta ao palco. Talvez aí esteja o segredo para que os shows no Brasil sejam perfeitos.

Morrissey faz três apresentações no País nesta semana: na quarta (7) toca no Chevrolet Hall, em Belo Horizonte; na sexta (9) na Fundição Progresso, no Rio de Janeiro; e no domingo (11) no Espaço das Américas, em São Paulo, com transmissão ao vivo do Terra.

Serviço

Morrissey em Belo Horizonte

Data: 07 de março

Hora: 21h

Local: Chevrolet Hall

Ingressos: R$ 160 (pista), R$ 280 (pista premium com open bar)

Vendas: site Tickets For Fun

Morrissey no Rio de Janeiro

Data: 09 de março

Hora: 0h

Local: Fundição Progresso

Ingressos: R$ 240 (pista 3º lote)

Vendas: site Livepass

Morrissey em São Paulo

Data: 11 de março

Hora: 21h

Local: Espaço das Américas

Ingressos: esgotados

Terra Live Music

A plataforma de shows transmitidos ao vivo faz parte da estratégia do Terra de fortalecer seu investimento em música. Batizado de Terra Live Music, o projeto em 2012 é ambicioso e inclui a realização de um programa semanal, todas às quintas-feiras, a partir das 16h, com participação do internauta e edições especiais de shows com atrações internacionais. O projeto espera impactar mais de 80 milhões de pessoas - entre a cobertura na web e a presença física em shows.

O ex-líder da banda The Smiths, Morrissey, se apresentou em Buenos Aires no domingo (4) e incendiou o público ao falar das ilhas Malvinas
O ex-líder da banda The Smiths, Morrissey, se apresentou em Buenos Aires no domingo (4) e incendiou o público ao falar das ilhas Malvinas
Foto: Marcelo Costa/Scream & Yell / Terra
Fonte: Terra
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