Morre Laura Cardoso, grande dama da dramaturgia brasileira, aos 98 anos
Atriz nascida no Bixiga, em São Paulo, morreu na noite desta segunda-feira, 17, em casa, de causas naturais
Laura Cardoso morreu na noite desta segunda, 17, em sua casa, em São Paulo, de causas naturais. Ela tinha 98 anos. A notícia foi divulgada na madrugada desta terça, 18, pelo bisneto da atriz, Fernando Faria, responsável pelo perfil dela no Instagram.
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O velório acontece nesta terça, 18, das 8h às 14h, na Funeral Home, no bairro da Bela Vista, em São Paulo, em cerimônia fechada ao público. A atriz deixa duas filhas, Fernanda e Fátima, e três netos.
Laurinda de Jesus Cardoso nasceu em 1927 no Bixiga, bairro tradicional de São Paulo, em uma família de imigrantes portugueses. Adotou o nome artístico Laura Cardoso por considerá-lo mais adequado para o rádio — e foi justamente no radioteatro que a carreira começou, aos 15 anos. Em 1952, estreou na televisão com Tribunal do Coração, na recém-inaugurada TV Tupi, tornando-se uma das pioneiras da dramaturgia televisiva brasileira. A partir dos anos 1980, foi contratada pela TV Globo, onde construiu uma trajetória longeva e chegou a ter contrato vitalício com a emissora.
Ao longo de mais de 80 anos de carreira, acumulou mais de 100 trabalhos e participou de mais de 60 novelas. Entre os personagens mais marcantes estão Isaura, mãe de Ruth e Raquel em Mulheres de Areia (1993), e Guiomar, de A Viagem (1994). No cinema, participou de produções como Terra Estrangeira (1995) e Através da Janela (2000), filme pelo qual ganhou o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Miami. No teatro, esteve em montagens como A Megera Domada (1965) e Laranja Mecânica (2002). Na dublagem, emprestou a voz à personagem Betty, de Os Flintstones, nos anos 1960. A trajetória rendeu cinco prêmios Grande Otelo e a Ordem do Mérito Cultural, em 2006.
Mesmo afastada das novelas desde 2019 — quando interpretou Matilde Azevedo em A Dona do Pedaço (2019), seu último papel na televisão —, Laura Cardoso nunca deixou de trabalhar. Em 2025, participou do curta-metragem Dona Rosinha (2025), gravou a vinheta de fim de ano da TV Globo ao lado de colegas como Tony Ramos e Susana Vieira e esteve presente na inauguração de sua estrela na Calçada da Fama dos Estúdios Globo, em outubro.
Laura Cardoso também era conhecida pela leveza com que encarava a própria finitude. Em entrevista à revista Quem (via Itatiaia), em 2019, foi direta: "É uma besteira ter medo da morte. Ela é imprevisível, mas inevitável. Amo a vida, agradeço a Deus por ter chegado a essa idade, mas a gente um dia vai embora".
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