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'Minha Canção', de Sarah Oliveira, terá edição especial com Caetano Veloso

Entrevista vai ao ar em dois episódios, nesta quinta (16) e sexta (17), às 17h

16 dez 2021 - 15h10
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Ouvir Caetano Veloso é ouvir a própria voz do Desejo. Desde as músicas de festejos de carnaval até as canções que embalam o sexo dos amantes, nas melodias de Caetano está impresso seu desejo pela vida, pelo outro, pela cultura e pelo povo brasileiro. Esse é o assunto central da entrevista que o cantor concedeu para Sarah Oliveira no novo episódio de seu programa Minha Canção, transmitido pela Rádio Eldorado (FM 107,3), pelo Youtube e por todas as plataformas de podcast. Artistas como Gal Costa, Céu, Nando Reis, Baby do Brasil, Patrícia Pillar e Milton Nascimento revelaram suas relações pessoais com as músicas de Caetano, além de citarem as músicas mais marcantes do ídolo, o programa especial vai ao ar nos dias 16 e 17, às 17h.

Na entrevista, Caetano revela que ficou encantado ao ver os jovens descobrindo o álbum Transa, gravado em 1971 em seu exílio em Londres. "Eles me procuram e me escrevem sobre esse álbum. Tive até que reaprender algumas músicas", comenta Caetano. "Nessa pandemia, a gente se sentia exilado também. Uma mistura de raiva e saudades daquilo que a gente quer viver", completa Sarah Oliveira. Ainda sobre Transa, ele revela que a cantora Angela Ro Ro, quando ainda era desconhecida, tocou gaita na composição, mas pouca gente sabe porque a ficha técnica da gravação é desconhecida até hoje. Anos depois, ele escreveu Escândalo pra ela, por conta de um amor polêmico e público que ela tinha na época".

Em depoimento, Nando Reis e Gal Costa comentaram sobre a música Da Maior Importância. Caetano escreveu a canção para Gal, relatando a tensão sexual entre eles, nunca consumada. Gal brinca: "Não entendo porque a gente nunca chegou a transar", arrancando risadas do músico. "A gente ouve a música como se tivesse no buraquinho da fechadura esperando algo que vai rolar. E não rola", se diverte Sarah.

O desejo também esteve pulsante na canção Menino do Rio, escrita em 1977. Na época, existia no Leblon um local conhecido como "Dunas da Gal", ponto de encontro de artistas e surfistas. Um dos atletas que frequentava o local se chamava Petit, garoto de dragão tatuado no braço que deixou Caetano encantado. Em um jantar em sua casa, ele começou a dedilhar o violão, em frente a Petit, e a música foi saindo naturalmente, fruto de sua fascinação. A amiga Baby do Brasil ganhou a música de presente, e com arranjo de Pepeu Gomes, imortalizou Menino do Rio no imaginário popular.

Durante o programa especial, Caetano Veloso também contou a história de sua canção Araçá Azul, do álbum homônimo de 1972. "Ele sonhou que estava subindo num pé de Araçá Azul, em seu quintal na Bahia, junto de Bethânia, e tinha medo da sua irmã cair. Ele levou o sonho a alguns psicanalistas, que falaram que ele tinha uma competição com a Bethânia", comenta Sarah Oliveira. "Mas ele nunca concordou com isso. Caetano ama esse disco, que produziu de maneira muito crua e verdadeira", complementa Sarah.

"Precisamos ouvir Caetano para não perder essa centelha, essa vontade de viver. O alcance de sua obra não se limita a uma geração ou outra. Segue criando pontes entre estilos, gerações, provocando sentimentos e fomentando ideias", finaliza Sarah Oliveira.

O especial Minha Canção - Caetano Veloso vai ao ar nesta quinta (16) e sexta (17), às 17h, com reprise no domingo (19), no mesmo horário, na Rádio Eldorado. Você ouve em FM 107,3, no site da Rádio Eldorado e app disponível para Android e iOS. O programa também fica disponível em formato podcast em qualquer agregador ou serviço de streaming e no canal do YouTube da Sarah Oliveira.

Estadão
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